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Porto Alegre, segunda-feira, 21 de agosto de 2017. Atualizado às 08h59.

Jornal do Comércio

Panorama

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CINEMA

Notícia da edição impressa de 21/08/2017. Alterada em 21/08 às 09h01min

Bingo - o rei das manhãs, narra uma vida de excessos atrás da máscara

Com Vladimir Brichta, Bingo - o rei das manhãs é inspirado em ator que interpretou o Bozo

Com Vladimir Brichta, Bingo - o rei das manhãs é inspirado em ator que interpretou o Bozo


WARNER BROS/WARNER BROS/DIVULGAÇÃO/JC
Ricardo Gruner
Nem só risadas e brincadeiras marcaram a trajetória de Arlindo Barreto, um dos intérpretes do palhaço Bozo na televisão brasileira. Inspirado na história do artista, o longa-metragem Bingo - o rei das manhãs estreia na quinta-feira e leva às telas um humor ácido pouco comum na cinegrafia nacional. Se a verve e a vocação do personagem são retratadas, a comédia dramática também não esconde os excessos do homem por trás da maquiagem - com uma carreira marcada por drogas e uma relação conturbada com o sucesso.
Como na maior parte das cinebiografias, há uma série de concessões. A começar pelos nomes: Arlindo Barreto se tornou Augusto Mendes (papel de Vladimir Brichta, ótimo), e o Bozo aparece como Bingo, devido a direitos autorais. A TV Globo é referência clara para a fictícia Mundial, e o SBT virou TPV. Somente Gretchen, com quem Barreto teve um relacionamento, é representada pelo nome verdadeiro, com interpretação de Emanuelle Araújo.
As alterações não comprometem a adaptação, cujo enredo gira em torno dos paradoxos da carreira do protagonista. Ex-astro de pornochanchadas, ele se torna apresentador de um programa infantil de sucesso, mas uma cláusula no contrato lhe impede a revelação de ser o Bingo. O reconhecimento artístico, grande desejo dos intérpretes, ocorre somente ao vestir as roupas do palhaço. A partir dessa situação, o roteiro - escrito por Luiz Bolognesi - explora as consequências do trabalho na vida pessoal de Augusto.
A direção do longa tem assinatura de Daniel Rezende, estreante na função. O cineasta é conhecido por seu trabalho como montador: constam em seu currículo uma indicação ao Oscar por Cidade de Deus e ainda obras como Tropa de elite, A árvore da vida e Robocop.
Em seu primeiro filme, o realizador acerta ao empregar um tratamento que varia do sutil ao febril no decorrer da trama. Mais do que nostalgia dos anos 1980, ele apresenta um olhar que valoriza as demasias daquela década. Bingo utiliza tiradas e traz novas ideias para o programa - e muitas delas funcionam como piadas internas entre os realizadores e o público que está assistindo ao longa.
Bozo, o palhaço original, é uma importação dos Estados Unidos - onde ele surgiu ainda nos anos 1940. A sua chegada no Brasil, portanto, envolveu os desafios da reconfiguração para a realidade do País. Na versão ficcional, Augusto Mendes coloca-se como responsável pelas mudanças no formato do show televisivo. A naturalidade com que iniciativas hoje consideradas absurdas aparecem nas cenas do programa, por exemplo, deve causar risos nos espectadores. Como consequência, quando se dedica à comédia, a cinebiografia tem nível bem superior ao apresentado por títulos que fazem o tipo "besteirol" e vêm conquistando bilheterias significativas na produção nacional.
Nem só de humor se sustenta o longa-metragem, e talvez por isso Bingo - o rei das manhãs seja surpreendente, mesmo por vezes perdendo o ritmo acelerado ao dar atenção ao drama. Méritos à parte, é bem verdade que Rezende tinha um material e tanto nas mãos. Não bastasse a curiosa trajetória de Arlindo Barreto, a citação à sua mãe também enriquece a discussão sobre a aceitação popular e os revezes da fama. Falecida em 1982, a atriz Márcia de Windsor, no filme, se torna Marta Mendes (Ana Lúcia Torre), uma intérprete conhecida por novelas - mas que, nos últimos anos, atua como jurada de talentos na televisão.
Sem entregar o desenrolar dos eventos, pode-se dizer que Bingo retrata um tipo muitas vezes incompreendido: o humorista que diverte os outros, tem na alegria o centro do seu trabalho, mas encara uma rotina de tristeza e frustração longe dos holofotes. O núcleo do elenco ainda tem os artistas Tainá Muller e Augusto Madeira - além de participações do falecido Domingos Montagner e de Pedro Bial.
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