Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, domingo, 06 de agosto de 2017. Atualizado às 22h05.

Jornal do Comércio

Panorama

COMENTAR | CORRIGIR

MÚSICA

Notícia da edição impressa de 07/08/2017. Alterada em 04/08 às 17h26min

Registro especial: chega ao mercado o novo álbum de Hermeto Pascoal

Hermeto Pascoal teve homenagem a seus 80 anos no POA Jazz 2016

Hermeto Pascoal teve homenagem a seus 80 anos no POA Jazz 2016


CLAITON DORNELLES/CLAITON DORNELLES/JC
Hermeto Pascoal, aos 81 anos, é o primeiro a admitir que lançar dois CDs em um mesmo ano é algo incomum em sua trajetória. Chega ao mercado o álbum No mundo dos sonhos (Selo Sesc, 18 faixas, R$ 40,00).
Antes do final de 2017 sai outro disco, que o músico criou ao se apresentar com uma big band. "Eu nunca gostei de lançar os discos um em cima do outro", diz o músico. "O que eu faço já não é uma coisa que toque muito aqui no Brasil. Então, para dar um tempo para que o povo tenha mais acesso àquilo que eu faço, eu espero até anos. Antigamente, lançava disco de três em três anos, até mais, para dar um tempo para as pessoas, para não embolar."
Os dois trabalhos são bem diferentes. O álbum com big band é apoiado pelo edital Natura Musical e traz músicas antigas, algumas escritas há mais de duas ou três décadas, exploradas no formato de uma orquestra de 20 instrumentistas. No mundo dos sonhos só tem músicas inéditas, 18 faixas em CD duplo, com a formação atual que acompanha Hermeto: Itiberê Zwarg (piano), Ajurinã Zwarg (bateria), André Marques (piano), Jota P. (sax) e Fabio Pascoal (filho de Hermeto, na percussão).
Ele não concorda que faça música difícil. "Ela é difícil para quem não nasceu para a música. Infelizmente, a maioria. Eu nasci. Não nasci músico, como muitos falam, eu já nasci música!", brinca.
Seu grupo precisa estar preparado para as improvisações e mudanças de rota que o líder propõe. Antes de entrar no palco para um show, a banda escolhe 12 músicas de uma lista prévia com cerca de 30. "Mas nunca saem essas 12 como deveria ser", conta Hermeto. "Quem vai mudando a estratégia do show sou eu, como se fosse um técnico de futebol. Se não digo nada, os meninos vão tocando as músicas combinadas. Mas eles estranham quando fico umas três músicas sem falar nada, já sabem que, daqui a pouco, muda. Troco as músicas ou às vezes crio uma no palco."
Ele refuta qualquer planejamento. "Não gosto de fazer a coisa bolada. Se eu te disser agora na entrevista como será o meu show, depois você vai me xingar, porque vai sair tudo diferente. O que eu digo um dia, depois não lembro mais para fazer desse jeito." O artista complementa: "O bom é ouvir o arranjo e não escutar mesmice. Certas horas, eu transformo o piano em instrumento de percussão." Consagrado como instrumentista com prêmios recebidos ao redor do mundo, Hermeto agora quer ser menos pianista e dar mais atenção ao lado de compositor e arranjador: "Nesses dois discos escolhi solar menos, tocar menos o piano e deixar os músicos tocarem mais".
No mundo dos sonhos tem faixas dedicadas a pessoas importantes na vida de Hermeto, algumas já mortas, como Tom Jobim, Sivuca, Miles Davis e Astor Piazolla. "Para mim, não tem diferença o cara ter morrido ou estar na Terra. O que deixou escrito não morre. Às vezes, sinto todos no palco. O Piazzolla vai aos meus shows, espiritualmente. Aparece mais do que quando estava vivo. Eu encontrava mais ele no aeroporto do que vendo um show dele, ou ele vendo o meu. Eu falo para o público que o aplauda", ressalta.

Patrimônio brasileiro

Nascido na localidade de Lagoa da Canoa, então município alagoano de Arapiraca, em 22 de junho de 1936, o artista Hermeto Pascoal não teve como destino comum do lugar trabalhar na terra, pois não podia pegar sol. Ia para a roça em um carro de boi com seu pai e ficava deitado em uma árvore, ouvindo passarinhos. Multi-instrumentista autodidata, aprendeu a tocar praticamente sozinho.
Criança no Nordeste brasileiro, começou a tocar acordeom aos 10 anos de idade. Aprendeu junto com o irmão José Neto, tocando na harmônica de oito baixos do pai, que a deixava em casa para ir trabalhar. Os dois passaram a revezar-se tocando o instrumento em festas de casamentos, batizados e bailes ao ar livre, debaixo de árvores, os chamados bailes de pé de pau, comuns no Norte do País. O pai chegou a vender duas vacas para poder pagar um acordeão de 32 baixos para os filhos. Em 1950, sua família mudou-se para o Recife.
Pascoal toca ainda flauta, piano, garrafa, bacia, tubos, chaleiras, saxofone e sintetizador, entre outros instrumentos musicais.
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia