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Porto Alegre, quarta-feira, 09 de agosto de 2017. Atualizado às 21h43.

Jornal do Comércio

JC Logística

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Aviação

Notícia da edição impressa de 10/08/2017. Alterada em 09/08 às 18h40min

Decisão dos caças foi técnica, diz comando da Aeronáutica

Projeto dos caças Gripen, escolhido pelo governo brasileiro, atualmente está orçado em US$ 4,7 bilhões

Projeto dos caças Gripen, escolhido pelo governo brasileiro, atualmente está orçado em US$ 4,7 bilhões


FABRICE COFFRINI /FABRICE COFFRINI/AFP/JC
O comandante da Aeronáutica, Nivaldo Rossato, disse, na semana passada, não ter conhecimento de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha influenciado na compra, pelo governo federal, de caças suecos. Em depoimento à Justiça Federal, em Brasília, ele afirmou que a escolha do modelo Gripen, fabricado pela multinacional Saab, se deu por critérios técnicos.
O comandante disse que o projeto de compra dos caças começou em 1995, no governo de Fernando Henrique Cardoso, e só se concretizou com a assinatura do contrato, no governo de Dilma Rousseff. A indicação de três modelos ao Palácio do Planalto - um francês e um norte-americano, além do sueco - foi da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (Copac), de profissionais da Força Aérea Brasileira (FAB).
O processo foi entregue em 2010, no final do governo Lula, ao Planalto, com a informação de que os três aviões atendiam às necessidades da Aeronáutica. O anúncio da escolha dos Gripen foi da ex-presidente Dilma. Questionado sobre eventual influência de Lula, Rossato afirmou: "Desconheço. Sei que a presidente Dilma apresentou em 2013 a decisão dela".
Rossato explicou que todos os modelos tinham suas vantagens, mas os Gripen se destacavam pela possibilidade de mais transferência de tecnologia, pelo preço mais baixo e pelo fato de a Suécia ser um país neutro, sem alinhamento com nenhuma organização militar, como a Otan. Atualmente, o projeto dos Gripen está orçado em US$ 4,7 bilhões.
"Era um processo que se desenrolava normalmente, extremamente técnico. Eles (a Copac) são especializados e fizeram todos os estudos. Fazem uma lista grande, e selecionam entre aqueles", declarou o comandante Rossato.
Ele depôs como testemunha de defesa do ex-presidente Lula e do filho deste, Luís Cláudio Lula da Silva, em ação penal em que são acusados de integrar esquema de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa para viabilizar a compra dos Gripen e a edição de medida provisória que favoreceu montadoras de veículos com incentivos fiscais.
O antecessor de Rossato no cargo, Juniti Saito, que também depôs como testemunha de defesa de Lula e do filho, reforçou que a indicação do Gripen foi técnica e que acreditava ter o ex-presidente uma preferência pelo modelo francês, o Rafale. "Ele (Lula) respeitava a opinião nossa. Ele perdeu e deixou a decisão para a presidente Dilma", declarou Saito ao comentar a suposta inclinação do petista pela compra do Rafale.
Saito acrescentou também que, após deixar a presidência, Lula não participou mais do processo. O ex-comandante da Aeronáutica afirmou que o caça Gripen era o mais barato e aquele que tinha o melhor custo de manutenção. "O Gripen estava na faixa de US$ 7 mil a hora de voo", detalhou, acrescentando que, no caso dos demais aviões de combate, o custo superava os US$ 10 mil.
Saito afirmou que a Aeronáutica sempre preferiu o Gripen. Contou que, em 2012, desconfiou de que Dilma escolheria o modelo norte-americano como estratégia de se aproximar comercialmente dos Estados Unidos. Porém, após as denúncias de espionagem da petista pelo governo norte-americano, as chances de a parceria vingar minguaram.
Além de Lula e do filho, respondem à ação penal lobistas que atuavam para a Saab. O jornal O Estado de S. Paulo revelou, em 2015, que esses lobistas pagaram R$ 2,5 milhões a uma empresa de Luís Cláudio. Presente à audiência, o advogado de Lula, José Roberto Batochio, disse que os depoimentos fulminam a tese da acusação, de que houve tráfico de influência na compra.
As oitivas confirmaram, segundo ele, que "a opção pelo Gripen foi de uma comissão da FAB". Ele afirmou que a alegação de que houve interferência do ex-presidente no negócio é uma criação "cerebrina" do MPF (Ministério Público Federal), que gravita na esfera da "imaginação". A defesa de Lula e do filho sustenta que o ex-presidente não teve qualquer atuação, sozinho ou com outros denunciados, no processo de escolha e compra dos caças pelo Brasil, em dezembro de 2013, e muito menos solicitou ou obteve qualquer vantagem indevida em decorrência dessa aquisição.
Luís Cláudio, segundo a defesa, recebeu os R$ 2,5 milhões por serviços efetivamente prestados. "Tais valores foram destinados a patrocinar o campeonato de futebol americano que era organizado por Luís Claudio no País", sustentam os advogados. A defesa alega que demonstrará a "ausência de justa causa para o processamento da ação e, ainda, os fatos reais que envolvem a acusação apresentada pelo MPF, que certamente evidenciarão que Lula e seu filho não praticaram qualquer ato ilícito".
 

Após Uber, Cabify testa viagens em helicópteros locados em São Paulo

Bedoya afirma que aeronaves atenderão melhor os cliente corporativos

Bedoya afirma que aeronaves atenderão melhor os cliente corporativos


CABIFY/CABIFY/DIVULGAÇÃO/JC
A empresa de transporte por aplicativos Cabify passou a oferecer voos de helicóptero em seus aplicativos a partir da modalidade de viagens Cabifly. O serviço está disponível em São Paulo como resultado de parceria firmada com a empresa Voom, startup do Vale do Silício (EUA), ligada à Airbus.
A ideia é que o cliente seja conduzido até o heliponto por um carro da Cabify, voe em helicóptero de empresa parceira da Voom e seja recebido por outro motorista da Cabify. Daniel Bedoya, diretor da Cabify para o Brasil, afirma que disponibilizar helicópteros ajudará a empresa a atender melhor um de seus principais públicos, o corporativo.
A companhia lançou serviço semelhante na Cidade do México em setembro de 2016. Em fase de testes, o programa deverá ser mantido por ao menos três meses. A seguir, sua continuidade e expansão serão avaliadas, diz Bedoya. Em São Paulo será possível viajar entre seis helipontos (aeroportos de Guarulhos, Congonhas e Campo de Marte, Blue Tree Premium Faria Lima Hotel, Helicidade e Sheraton São Paulo WTC Hotel).
Uma Subramanian, presidente da Voom, explica que os voos poderão ser solicitados com antecedência mínima de 45 minutos. Também podem ser feitos agendamentos uma semana antes da viagem. São Paulo foi a primeira cidade em que a Voom passou a operar, a cerca de três meses. Subramanian afirma que a opção pela capital paulista se deu por sua boa infraestrutura para o setor, com 700 helicópteros e 400 helipontos em funcionamento.
O preço do serviço depende da distância (incluindo parte aérea e terrestre), podendo chegar a até R$ 600,00. A executiva estima que uma viagem entre o Itaim Bibi e Guarulhos custe aproximadamente R$ 500,00 por exemplo. Os voos podem ser compartilhados por passageiros que solicitem a mesma rota. É possível pedi-los de segunda a sábado, das 7h às 20h.
A proposta da Voom é aumentar a utilização de helicópteros, que ficam a maior parte do tempo parados; e, com isso, tornar o acesso a eles mais barato. As viagens serão feitas por três operadoras de voos de helicóptero parceiras da Voom (Helimarte, Air Jet e UniAir).
O Uber teve programa semelhante em São Paulo um mês em 2016, também em parceria com a Airbus. A partir de sua assessoria de imprensa, a companhia afirmou ter percebido no experimento que o helicóptero não é o veículo mais adequado para este tipo de serviço.
Isso porque ele tem baixa eficiência de uso de combustível e gera muito barulho, por exemplo, segundo a Uber. Como alternativa, a companhia aposta na criação do VTOL, um veículo elétrico com diversos rotores e que consegue pousar e aterrissar verticalmente no meio das cidades. Entre as empresas parceiras em seu desenvolvimento está a Embraer.
A Aerobid está no mercado desde 2015, oferecendo o serviço de fretamento de jatos, por exemplo. Fernando Lacerda, fundador da Aerobid, diz acreditar que o desafio do modelo proposto pela Cabify e pela Voom será adequar a agilidade que quem viaja de helicóptero exige com a necessidade de preencher todos os assentos para o negócio se tornar viável.
Paul Malicki, presidente da Flapper, acrescenta que a dificuldade de levar bagagem nos voos torna pouco atraentes rotas em direção a aeroportos. A Flapper foi criada em 2016, inicialmente tentando atuar com helicópteros. Mudou para aviões executivos após seus sócios terem se convencido de que este seria um mercado melhor para os passageiros.
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