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Porto Alegre, domingo, 03 de setembro de 2017. Atualizado às 19h23.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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indústria automobilística

Notícia da edição impressa de 04/09/2017. Alterada em 01/09 às 18h45min

A vez (e a força) dos veículos elétricos

EMERSON ALECRIM VIA VISUALHUNT/DIVULGAÇÃO/JC
Jefferson Klein
A tradicional frase ouvida em postos de combustíveis "pode encher o tanque", em breve, deverá ser substituída, cada vez mais, por "pode carregar". A decisão de montadoras de migrarem para a fabricação de apenas veículos elétricos e a restrição que alguns países estão prevendo para modelos movidos à combustão fazem com que a perspectiva para os automóveis que rodam a partir da eletricidade seja das mais otimistas.
O presidente executivo da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), Ricardo Guggisberg, afirma que o motor à combustão está no fim do seu ciclo. Essa transição para os elétricos, projeta o dirigente, se intensificará e, dentro de 20 a 30 anos, essa mudança deverá ser consolidada em todo o planeta. Guggisberg prevê que logo essa tecnologia será introduzida em pequenos transportes aéreos também.
Para o integrante da ABVE, as nações e as montadoras que estão limitando o uso dos veículos convencionais têm tornado mais veloz o avanço da tecnologia elétrica. França e Reino Unido já definiram que em 2040 não será permitida a venda de carros movidos a gasolina e óleo diesel. "Dia a dia, estamos vendo informações de fabricantes dizendo que não vão fazer mais veículos à combustão a partir de um futuro muito próximo", acrescenta o sócio da Souza Berger Advogados, Rodrigo Rosa de Souza.
O advogado, especialista na área de energia, cita como um exemplo a Maserati, que terá somente automóveis elétricos a partir de 2019. Souza reforça que é algo emblemático, pois se trata de um carro esporte, que remete à mente um modelo à gasolina, de alto consumo. Além da companhia italiana, empresas como Volvo, Fiat, BMW e Porsche anunciaram decisões semelhantes.
O advogado salienta que a tendência da eletrificação dos automóveis é irreversível. Essa expectativa baseia-se no fato de que o combustível fóssil irá acabar e na abundância da radiação solar e seu potencial energético para abastecer veículos. Ou seja, a eletricidade no setor dos transportes vai se propagar por conta das questões ambiental e econômica. O presidente da ABVE enfatiza entre os benefícios dos veículos elétricos a sustentabilidade. Esses automóveis apresentam baixa emissão de poluentes, sendo que alguns modelos têm emissão zero. Esta não emissão, conforme Guggisberg, é fundamental para auxiliar os municípios (e o Brasil como um todo) a cumprirem a sua meta de redução de CO2, compromisso formalizado pelo Tratado de Paris do ano passado.
Os modelos também são silenciosos, o que contribui para a qualidade de vida em geral. Outro ponto destacado é a economia desses carros. Estudo da CPFL Energia mostra que o valor do quilômetro rodado de um carro à combustão, considerando o uso do etanol, é de aproximadamente R$ 0,19. No veículo movido à eletricidade, este valor é R$ 0,05, ou seja, quatro vezes menor. Os veículos elétricos têm ainda isenção de IPVA em sete estados brasileiros (MA, PI, CE, RN, PE, SE e RS) e alíquota diferenciada em outros três (SP, RJ e MS). Guggisberg cita ainda que a vida útil do elétrico é maior, pois não há explosão interna para o seu funcionamento.

Estrutura para recarga é uma dificuldade a ser superada

Projeto Eletroposto Celesc ajuda a difundir como será a estrutura para quem optar pelo novo modelo

Projeto Eletroposto Celesc ajuda a difundir como será a estrutura para quem optar pelo novo modelo


ELETROPOSTO CELESC/ELETROPOSTO CELESC/DIVULGAÇÃO/JC
Para melhor difundir a cultura dos automóveis elétricos no Brasil, é preciso avançar quanto à estrutura de recarga, diz o presidente executivo da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), Ricardo Guggisberg. Dentro desse cenário, o dirigente prevê que a expansão dos veículos elétricos acontecerá mais rapidamente em grandes centros.
Algumas ações já estão sendo tomadas para difundir a infraestrutura de recarga no Brasil. Uma delas é o projeto Eletroposto Celesc, da empresa Celesc Distribuição, executado pela Fundação Certi. O objetivo da iniciativa é desenvolver uma infraestrutura básica de recarga em Santa Catarina com a finalidade de estudar os impactos na rede de distribuição e gerar conhecimentos acerca de mobilidade elétrica para que a Celesc possa agregar novos negócios aos seu portfólio no futuro.
O pesquisador do projeto Eletroposto Celesc, Daniel Gomes Makohin, informa que o investimento total é de R$ 3,2 milhões financiados pelo programa de Pesquisa e Desenvilvimento (P&D) da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
O empreendimento iniciou-se em agosto de 2015, com uma fase de estudos sobre o tema, para então começar a etapa de implantação dos eletropostos, a qual encontra-se no estágio final. Em paralelo, a equipe executora está realizando testes com os eletropostos instalados, bem como trabalhos voltados para a criação de novos modelos de negócios para a Celesc. O projeto terminará em dezembro de 2017.
Até agora, foram instalados três eletropostos de recarga rápida (nos postos Ilha Bela, em Florianópolis; Angeloni, em Porto Belo; e Sinuelo, em Araquari) e um de recarga semirrápida (em frente à Certi, em Florianópolis). Há mais três pontos de recarga semirrápida que deverão ser instalados ainda no mês de setembro (em mercados da rede Angeloni, em Joinville e Blumenau, e mais um na sede da Celesc, em Florianópolis).
"É interessante notar que os equipamentos de recarga semirrápida foram elaborados pela equipe do projeto, sendo as primeiras estações de recarga nacionais", ressalta Makohin. Em um primeiro momento, as recargas são gratuitas, por conta dos acordos de cooperação assinados entre Celesc, Certi e parceiros, devendo permanecer assim até o próximo ano. Após este período, e considerando a regulamentação do procedimento de recarga pela Aneel, até o fim de 2017, os estabelecimentos poderão explorar o serviço de recarga dentro da regulamentação da agência, a qual tem apontado para a abertura deste mercado, comenta Makohin.
De acordo com o pesquisador, no Brasil, por enquanto, não há demanda suficiente para viabilização comercial da infraestrutura de recarga. "No entanto Certi, Celesc e seus parceiros enxergam que a eletrificação veicular é inevitável, e quem detiver conhecimento sobre este tema durante a entrada dos veículos elétricos no mercado sairá na frente no estabelecimento de novos negócios", sustenta.

Aneel elabora normas específicas para o segmento

Recentemente, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) abriu uma audiência pública para discutir a regulamentação sobre fornecimento de energia a veículos elétricos. As sugestões sobre o tema foram recebidas até o final de julho, e agora o órgão regulador está analisando as contribuições. A perspectiva é de que, até o começo do próximo ano, a agência estipule uma norma sobre o assunto.
Conforme a agência, será promovida uma regulamentação mínima do tema, com o objetivo de evitar a interferência da atividade nos processos tarifários dos consumidores de energia elétrica das distribuidoras. A minuta colocada em audiência determina a não inclusão das estações de recarga de veículos elétricos das distribuidoras na base de ativos vinculados ao serviço de distribuição de energia elétrica, assim como o tratamento em separado das operações, despesas e receitas vinculadas à atividade de recarga de veículos elétricos.
As distribuidoras devem disponibilizar também, a partir de 1 de julho de 2018, um sistema eletrônico que permita ao consumidor o envio de todas as informações necessárias para o registro na Aneel das estações de recarga. A discussão na agência permitiu que se formasse uma ideia de como será implementada a infraestrutura para atender aos veículos elétricos no Brasil.
"A primeira conclusão a que se chegou foi que quem vai pagar a conta das instalações necessárias para abastecer os carros elétricos é o próprio usuário, seja ao colocar uma tomada na sua residência ou um empreendedor ao construir um posto de abastecimento", comenta o sócio da Souza Berger Advogados Rodrigo Rosa de Souza.
O advogado ressalta que não há uma decisão definitiva sobre a quem caberá a venda de energia para abastecer os veículos, se às concessionárias ou a outras empresas. Souza não acredita que as distribuidoras de energia fiquem com a exclusividade da recarga dos carros. "No final, isso deve ser encaminhado para a iniciativa privada, obviamente com as regras que sejam pertinentes do ponto de vista legal", adianta.
 

Montadoras testam mercado brasileiro

Ford aposta no Fusion Hybrid com dois motores que funcionam de forma complementar

Ford aposta no Fusion Hybrid com dois motores que funcionam de forma complementar


FORD/FORD/DIVULGAÇÃO/JC
Antes de se "jogarem de cabeça" na ideia de produzir e vender carros movidos à eletricidade no Brasil, as fabricantes de automóveis experimentam cautelosamente o mercado. Uma forma de fazer isso é apostando nos veículos híbridos, que contam com um motor de combustão interna e outro elétrico.
A Ford atua no Brasil com o modelo híbrido Fusion Hybrid. O carro possui dois motores - um à combustão e um elétrico acoplado a um gerador. Ambos funcionam de forma complementar, não sendo possível desligá-los. Cada motor pode trabalhar individualmente ou em conjunto, buscando a máxima eficiência do uso da energia. O gerente de Produto da Ford, Fernando Pfeiffer, revela que haverá um investimento de US$ 4,5 bilhões para a inclusão de novos veículos eletrificados no portfólio global do grupo em três anos.
Hoje, aponta o executivo, o mercado de carros eletrificados está em constante crescimento. "Planejamos lançar 13 veículos eletrificados no portfólio - incluindo híbridos, híbridos 'plug-in' e versões totalmente elétricas - até 2020, quando mais de 40% dos produtos Ford serão eletrificados", detalha. Para o gerente, no Brasil, tanto o consumidor quanto o mercado estão em um processo de maturação. A tecnologia ainda não tem incentivo suficiente, e seu crescimento se dá em passos lentos, assim como a infraestrutura necessária.
O gerente-geral de Comunicação da Toyota, Anderson Suzuki, recorda que a empresa oferece ao mercado brasileiro, desde janeiro de 2013, o Prius, que também combina dois tipos de motorização: um à combustão e o outro elétrico. Desde 1997, o modelo já contabiliza mais de 6 milhões de unidades comercializadas em cerca de 90 países. No ano passado, a Toyota lançou no País a quarta geração do Prius. O grupo japonês pretende mitigar em até 90% a emissão de CO2 originadas por veículos novos até 2050. Isso significa que todos os modelos comercializados pela Toyota, até lá, serão híbridos, elétricos ou alimentados por célula de combustível. Suzuki destaca que a Toyota acredita que haverá um forte avanço no quesito diversificação do portfólio de produtos equipados com tecnologia de propulsão alternativa nos próximos 20 anos.
Já a Volvo anunciou que, dentro de dois anos, não produzirá mais carros que sejam movidos somente por motores à combustão. "Ou seja, a partir de 2019, teremos somente modelos híbridos ou puramente elétricos", detalha o diretor de Pós-Venda da Volvo, Jorge Mussi. O consumidor poderá escolher entre essas duas possibilidades (puramente elétrico ou híbrido), porém não mais modelos somente com motores à gasolina ou diesel.
No mercado internacional, a Volvo trabalha com os seguintes modelos híbridos: V60 D6, S90 T8, V90 T8 e XC90 T8. No Brasil, o XC90 T8 é vendido desde janeiro de 2017 e é um híbrido com um motor à gasolina de 320 cv e um elétrico de 87 cv.
Mussi diz que o mercado de elétricos está em franca expansão e, nos próximos anos, crescerá muito mais. "Veja que a China, hoje, além de ser o maior mercado automotivo mundial, também é o país que vende o maior número de carros elétricos por ano no mundo, cerca de 250 mil unidades", aponta. No Brasil, o executivo vê o segmento nos seus momentos iniciais, porém já defasado em alguns anos em relação ao resto do mundo. Segundo o diretor de Pós-Venda da Volvo, no Japão, já há mais pontos de recarga do que postos de gasolina.
O diretor comercial da Nissan do Brasil, José Luiz Vendramini, frisa que a companhia é uma das pioneiras na produção de veículos elétricos, tendo introduzido o primeiro carro 100% elétrico comercializado em grande escala no mundo, o Nissan Leaf, em 2010. Atualmente, mais de 277 mil veículos elétricos Nissan estão circulando pelo planeta. "O Nissan Leaf é o veículo elétrico produzido em massa mais vendido da história. Além dele, destacamos também a van elétrica e-NV200, vendida em diversos países", enfatiza.
No Brasil, o Nissan Leaf fez parte de alguns projetos especiais, como os programas-piloto de táxi com as prefeituras de São Paulo e Rio de Janeiro, realizados entre 2012 e 2016. O modelo ainda não é vendido comercialmente no País. No entanto a empresa estuda oportunidades e maneiras de introduzir veículos elétricos no dia a dia do brasileiro. Os grandes entraves no momento são a falta de incentivos para a implementação desses modelos e a escassa infraestrutura para recarga dos carros.

Autonomia vem aumentando com o desenvolvimento da tecnologia ao longo dos anos

O que era um problema para a propagação dos veículo elétricos, cada vez mais é algo do passado: uma capacidade limitada para rodar grandes distância sem precisar recarregar. Com a melhoria da tecnologia das baterias, esses automóveis elevaram suas autonomias.
O coordenador brasileiro do programa de mobilidade elétrica de Itaipu, Celso Novais, afirma que, estatisticamente, os brasileiros rodam em média apenas 60 quilômetros por dia, e os carros elétricos hoje têm, usualmente, uma capacidade para percorrer duas vezes essa distância. O pesquisador adianta que novos veículos que têm entrado do mercado recentemente apresentam potencial para 300 a 500 quilômetros.
Contudo Novais admite que o custo mais elevado é um obstáculo maior a ser superado. Ele comenta que, hoje, o veículo elétrico no Brasil, por ter uma carga tributária onerosa e não haver fabricação interna desse automóvel, custa mais do que o dobro do convencional. Na Europa, esse valor extra varia de 15% a 25%.
Entre os fatores que fazem esse tipo de automóvel ser mais caro estão a menor escala de produção e o preço mais elevado de componentes. Entretanto a perspectiva é que, com o passar do tempo, os preços caiam. "Até porque a questão ambiental exige mudanças para reduzir as emissões; e, na mobilidade, é o jeito mais fácil de fazer isso", argumenta Novais. O coordenador brasileiro do programa de mobilidade elétrica de Itaipu destaca que o carro elétrico tem uma previsão de vida útil maior do que a do convencional e que a necessidade de manutenção é menor.
Ele vê muitos avanços no País quanto à tecnologia dos carros elétricos, sendo que diversas companhias brasileiras já são capazes de fabricar componentes desses veículos, como a bateria de sódio. Itaipu, por exemplo, vem há anos desenvolvendo projetos com veículos elétricos, fazendo parcerias com empresas como Fiat e Iveco para difundir essa tecnologia.
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