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Porto Alegre, domingo, 03 de setembro de 2017. Atualizado às 19h23.

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Notícia da edição impressa de 04/09/2017. Alterada em 01/09 às 18h32min

'Retomada' anima o mercado

O País precisa fazer andar reformas estruturais que diminuam o tamanho do Estado e aliviem as contas públicas se quiser aproveitar um momento propício de retomada de investimentos estrangeiros. "É preciso diminuir o quadro e a remuneração. Tão simples como isso e tão complicado como isso. O setor público se tornou disfuncional ao crescimento", disse o economista Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central (BC) e estrategista-chefe da gestora Rio Bravo. Segundo ele, para cada caso de sucesso, há 30 casos de fracasso. "É preciso discutir o que é prioritário, e é uma escolha difícil."
Com a dificuldade de implementar reformas estruturais no País, para que a meta fiscal possa ser cumprida, será preciso reduzir o tamanho do Estado para conseguir cumprir o teto dos gastos públicos, disse Franco, que avalia que o Brasil poderá, no médio prazo, alcançar uma taxa de juros abaixo de 7%.
"Isso será uma guerra de trincheiras, mas será preciso diminuir a dívida e melhorar o fiscal", disse. Ele reiterou que, em sua opinião, o governo tem energia limitada para aprovações de reformas e, por isso, errou ao colocar na mesa primeiramente o teto de gastos, e não a Previdência. Segundo ele, se a reforma da Previdência tivesse sido a primeira, ela já estaria, neste momento, sendo finalizada.
Os sinais de retomada da economia obrigam que o investidor global considere o Brasil para compor seu portfólio, na opinião do presidente da S&P Dow Jones Indices, Alexander Matturri. "O Brasil é um país muito importante e precisa estar no radar", destacou. Ele afirmou, ainda, que o Brasil deve se beneficiar da liquidez global, ainda mais na perspectiva de seus pares emergentes, como a China, diante da falta de visibilidade política no país. "O Brasil é um mercado que tem muito potencial, e os investidores estão se sofisticando muito", disse.
Segundo Matturri, as questões políticas vividas atualmente no Brasil têm um viés de curto prazo. "Mesmo a eleição do ano que vem. Os investidores estão olhando o longo prazo", disse. Para a S&P Indices, a percepção é de que há muito espaço para crescimento no País, ainda mais por conta da maior sofisticação do investidor, que, a cada dia, tem novas demandas. No Brasil, a companhia possui uma parceria firmada há dois anos com a B3, a bolsa brasileira, para o desenvolvimento de índices.
Os indicadores recentes de atividade econômica - que já fazem o governo emitir sinais de que a recuperação do País é lenta, mas consolidada - têm empolgado mais o mercado financeiro do que os economistas. Entre eles, a percepção é de que a economia dá sinais de melhora, mas a crise política adiou discussões relevantes, como a reforma da Previdência e a questão fiscal.
Apesar de reconhecerem avanços, economistas são mais ponderados: há motivos para comemorar, mas a recuperação ainda é lenta e é preciso manter a percepção de que questões relevantes, como a fiscal, devem ficar para o próximo governo.
O professor da PUC-Rio José Marcio Camargo diz que parte da desconfiança dos economistas com a recuperação do País se explica pela neblina trazida pela situação política. "Mesmo que o governo não consiga mais fazer a reforma da Previdência que gostaria, algumas medidas de cortes de gastos estão sendo tomadas no curto prazo. A maior tranquilidade do mercado tem muito a ver com o que foi feito nos últimos 14 meses."
Para José Roberto Mendonça de Barros, sócio-fundador da consultoria MB Associados, há mesmo um certo descolamento entre as avaliações do mercado financeiro e dos economistas. "Menos empolgados que o governo, os economistas também acreditam que o País parou de piorar, mas o enfraquecimento do Planalto após a delação do Joesley Batista, da JBS, freou essa recuperação. O mercado, por sua vez, é mais prático. Ele basicamente olha que foram aprovados a reforma trabalhista e o teto de gastos, que o governo pôs na mesa a discussão da TLP - a nova taxa de juros do Bndes - e acha que, apesar da demora na recuperação, está tudo bem encaminhado." Mendonça de Barros lembra que os investidores também apostam em sinais ainda não consolidados de que o segundo semestre será de números melhores na oferta de crédito e nas exportações. "Há uma perspectiva de que a Argentina cresça 2,7% neste ano, o que significa a recuperação mais robusta de um mercado no qual os produtos brasileiros de maior valor, como carros, têm boa entrada."
O economista José Luis Oreiro, da Universidade de Brasília, diz que o mercado ficou eufórico com a agenda de privatizações, mas que o impacto fiscal será muito pequeno. "Não resolve o problema e não destrava o investimento. Mesmo nas privatizações relevantes, como a da Eletrobras e de aeroportos, até que o novo controlador tome posse e faça investimentos, levará tempo", disse.
"Parece haver uma falta de pressa. O governo, que já demorou demais para cortar juros, ainda perde tempo com medidas de pouco impacto, como o plano de demissão voluntária de servidores. Vamos terminar o ano com um PIB perto de zero e não parece haver senso de urgência por parte do governo."
O ex-diretor do BC Alexandre Schwartsman disse que os economistas percebem mais claramente que a dificuldade de o governo pôr a área fiscal em ordem pode prejudicar o crescimento no médio e no longo prazos. "É uma vulnerabilidade óbvia do País à qual ninguém está prestando muita atenção. Mas o fato é que isso é possível, porque estamos em um mundo de juros muito baixos e de investidores globais dispostos a correr riscos. Quando a maré está alta, você pode nadar pelado. O problema é quando a maré baixar."
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