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Porto Alegre, sexta-feira, 08 de setembro de 2017. Atualizado às 12h34.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Com a palavra

Notícia da edição impressa de 04/09/2017. Alterada em 01/09 às 18h29min

Agiplan quer ocupar espaço dos grandes bancos

Marciano Testa

Marciano Testa


JONATHAN HECKLER/JC
Guilherme Daroit
Criada como correspondente bancário e, desde 2011, atuando como financeira, a gaúcha Agiplan deu dois grandes saltos em 2016. O primeiro, em julho, quando teve aprovada a incorporação do pernambucano Banco Gerador, transformado em Banco Agiplan. O segundo, apenas quatro meses mais tarde, traria maior visibilidade à empresa: o lançamento do Agipag, misto de conta-corrente digital e meio de pagamento que lhe abriria as portas do varejo bancário.
Presidente e fundador da Agiplan, Marciano Testa defende que, quando abriu o embrião do negócio, em Caxias do Sul, em 1999, aos 22 anos de idade, estava na verdade criando uma startup antes da difusão do conceito. Hoje, aos 41, Testa comanda um grupo com sede em Porto Alegre que lucrou R$ 106 milhões no ano passado, e que espera chegar ao fim de 2017 com R$ 1,5 bilhão em ativos.
Empresas & Negócios - O que mudou com a aquisição do Banco Gerador?
Marciano Testa - Sendo agora um banco completo, conseguimos criar uma plataforma maior, com duas grandes vertentes. Uma, aprofundar o modelo de negócios que já vínhamos fazendo, que é focado no crédito, e ampliá-lo, de forma que o cliente possa ter conta-corrente com a Agiplan e este ser o seu banco de relacionamento. Além disso, também uma iniciativa digital, desde o fim de 2016, com uma grande inovação que permitiu transformar o número do celular em uma conta. Outra novidade é pagar estabelecimentos comerciais diretamente com a conta, sem cartão ou custo para ambos. Fomos também o primeiro banco digital do Brasil a possibilitar a abertura de contas para pessoas jurídicas, justamente por ter essa possibilidade.
Empresas & Negócios - Ao mesmo tempo em que cria uma conta digital, a Agiplan seguirá, então, com a expansão física?
Testa - Parece ser uma dicotomia, e na verdade é exatamente isso: são estratégias opostas que fazem a estratégia geral do banco. Podemos absorver um ganho nos clientes que ainda não estão incluídos digitalmente, e que são carentes de fazer esse contato por uma agência. Os grandes bancos estão recuando, e entendemos que há espaço para ser preenchido. Como não temos legado, conseguimos desenvolver tecnologias mais novas e atuar em uma faixa de rentabilidade de cliente que talvez não seja interessante para os grandes. Finalizaremos o ano com 440 agências, e estão previstas para 2018 mais 200. Já estamos em todos os estados, com maior concentração no Sudeste, mas devemos continuar expandindo em todas as regiões. O digital, por sua vez, tem outra característica. Como não utiliza nenhum canal físico, temos a possibilidade de ofertar a ele a conta sem nenhum custo. Nenhum cliente digital nosso procura uma agência.
Empresas & Negócios - Por que entrar no digital? Já estamos preparados para isso?
Testa - Banco digital é o futuro, e entendemos que não há como ficar fora disso. Em um ciclo de 10 a 20 anos, talvez nem isso, dificilmente os clientes da nova geração terão apelo a outro tipo de banco que não seja 100% digital. Esse ecossistema que se criou, de fomentar fintechs e startups, provoca os bancos a reverem seus modelos de negócio. E nem tanto pela questão digital em si, o mais disruptivo nessas fintechs foi o conceito de atendimento ao cliente. A forma de se relacionar muda muito, e a percepção de valor para o cliente é muito grande.
Empresas & Negócios - Qual é o potencial de atração dessa função como meio de pagamentos?
Testa - A nossa conta digital tem essa característica que as outras não têm, e esse é um grande diferencial. Os estabelecimentos têm sido os maiores usuários, pequenas empresas que abrem contas para receber suas vendas, pagar folha de seus cinco funcionários, gerar suas cobranças, sem custo. A indústria de meio de pagamentos cobra hoje de R$ 30 bilhões a R$ 40 bilhões para fazer transações, e nossa inovação elimina, no mínimo, três intermediários (bandeira, adquirente e processador). No Brasil, o cartão de crédito é muito difundido, é um instrumento de inclusão bancária muito forte, e se criou uma cultura muito forte. Temos particularidades que não existem em ouros lugares, como venda parcelada, pagamento em 40 dias sem juros. Romper com uma cultura é mais difícil. Mas continuaremos apostando nisso, porque entendemos que há uma oportunidade no futuro.
Empresas & Negócios - Uma das críticas é justamente a falta de um cartão tradicional. Há planos nesse sentido?
Testa - Realmente, recebemos muitas demandas, não apenas essa, porque banco digital ainda é experimentação. Lançamos essa primeira versão, onde podemos, pela experiência com o usuário, perceber o que ele enxerga como valor. Uma das demandas é o cartão, e estamos preparando a emissão de um cartão múltiplo completo (débito, crédito e internacional) para facilitar as movimentações. Cada meio tem sua vantagem. Há estabelecimentos comerciais que aceitam pagamento via conta digital Agiplan com vantagens como desconto, uma sobremesa, benefícios nessa linha. Será uma decisão do usuário. Estamos lançando uma versão agora, e a completa, com o cartão, prevemos para o final do ano.
Empresas & Negócios - Qual a avaliação que fazem desse quase um ano de conta digital?
Testa - Muito positiva, confesso que acima do esperado em relação à imagem. Por mais que a empresa tenha 18 anos, essa iniciativa despertou um interesse muito grande. E, do ponto de vista financeiro, está muito próxima de atingir o equilíbrio. Devemos fechar o ano com mais de 100 mil contas, e temos a meta de chegar em 2020 próximo a um milhão de contas, sejam digitais ou também contas físicas, abertas na rede de atendimento.
Empresas & Negócios - Essa meta significa praticamente dobrar, em três anos, tudo que a empresa fez até hoje (a Agiplan contabiliza 1,5 milhão de clientes).
Testa - Sim, porque agora, como banco completo, a gente conseguirá reter mais clientes, já que se tornam correntistas. Antes, como éramos uma financeira, perdíamos o relacionamento, o cliente fazia operação de crédito, quitava e deixava de ser nosso cliente. A ideia agora é que mantenha o relacionamento de longo prazo, por isso que a base tem um crescimento exponencial.
Empresas & Negócios - Se o digital ainda não está em equilíbrio, qual é o principal braço do grupo?
Testa - Até o fim do ano, a conta digital deve se tornar superavitária. Conseguimos alguns pilares importantes, como gerar depósito à vista, que hoje é muito difícil para um banco médio. E a carteira de crédito a partir do limite que damos na conta digital. Esse é um pilar de receita. Outros são crédito pessoal, modelo distribuído na rede de forma muito forte, meios de pagamentos, pois somos um grande emissor de cartões de crédito, e depois outros produtos na linha de serviços, seguros, consórcio. O maior hoje é o crédito, ainda o principal pilar de receita do banco. Com o desenvolvimento do banco de relacionamento, a ideia é balancear a receita do banco. Uma parte continuará vindo do crédito, mas iremos ampliar a receita de serviços.
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