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Porto Alegre, domingo, 27 de agosto de 2017. Atualizado às 22h38.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Responsabilidade Social

Notícia da edição impressa de 28/08/2017. Alterada em 25/08 às 18h16min

Economia e solidariedade na rua

Sabão e papel artesanais, objetos em cerâmica e fotografias para a criação de cartões-postais são produzidos pelos integrantes do projeto

Sabão e papel artesanais, objetos em cerâmica e fotografias para a criação de cartões-postais são produzidos pelos integrantes do projeto


CAMP/CAMP/DIVULGAÇÃO/JC
Roberta Mello
A população em situação de rua vêm provando que pode criar, se organizar coletivamente, movimentar a economia e viver com dignidade. Um dos projetos que estimulam a sua participação cidadã e inclusão socioeconômica é o Economia Solidária e População em Situação de Rua (EcoSol PopRua): conectando vivências, realizado pelo Centro de Assessoria Multiprofissional (Camp) com apoio do Ministério do Trabalho (MTB).
Em operação desde fevereiro de 2015, mais de 200 participantes de Porto Alegre e Canoas produzem sabão artesanal, papel artesanal, objetos em cerâmica e fotografias para a criação de cartões-postais. Organizados em quatros coletivos autogestionários de cooperação e inseridos na rede de economia solidária e vinculados à Rede de Comércio Justo e Solidário da Fundação Luterana de Diaconia (FLD).
"Fazer parte da rede possibilita que, mesmo após o término do projeto este ano, os coletivos continuem contando com auxílio, participando de formações e sigam comercializando as produções. Garantir a continuidade dos grupos sempre foi um desafio e objetivo", salienta a coordenadora do EcoSol PopRua, Letícia Balester.
A renda é compartilhada entre os participantes dos coletivos. A iniciativa inclui socialmente essa parcela da população, resgata a cidadania e a autoestima dos homens e mulheres envolvidos e diminui a necessidade de pedir dinheiro nas ruas, garantindo valor para a compra de itens de higiene, alimentação e outros produtos desejados pelos indivíduos, sustenta a coordenadora.
Desde a sua concepção, o projeto rompe com a imagem predominante entre a sociedade de que as pessoas em situação de rua não trabalham ou não querem trabalhar. "O Ecosol PopRua nasceu de uma demanda do Movimento Nacional da População em Situação de Rua (MNPR) para que houvesse um projeto que não tratasse apenas da inserção no mercado de trabalho tradicional, mas que desenvolvesse as aptidões, o saber fazer dos sujeitos", lembra Letícia.
Quando se deparou com um edital lançado pelo MTB em 2014, o Camp, organização não-governamental atuante há 14 anos, decidiu investir na ideia. O convênio gerou aporte de R$ 1,48 milhão para o desenvolvimento das atividades ao longo de quase três anos.
O apoio do ministério permitiu potencializar coletivos que existiam na capital gaúcha apenas como unidades terapêuticas e ocupacionais para a população e torná-las políticas de trabalho e renda. Foi fechada parceria com a Escola Municipal de Ensino Fundamental Porto Alegre, da Capital, onde dois núcleos de trabalho com papel artesanal e cerâmica já estavam em operação, e com os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) Amanhecer e Travessia, de Canoas, que mantinham vínculo com pessoas em situação de rua que puderam aprender a produzir sabão usando como matéria-prima óleo de cozinha reciclado.
A produção média mensal de papel artesanal e cerâmica gira em torno de 20 a 70 peças ao mês, variando de acordo com o tipo de peça. Após o projeto, as vendas desses produtos aumentaram 30%. A produção de sabão artesanal desenvolvida no Coletivo Ecológico de Reciclagem Todos Unidos de Canoas gira em torno de 180 unidades por mês. Todos os produtos já vêm sendo comercializados na loja Contraponto, do Núcleo de Economia Alternativa da Ufrgs, e em feiras e eventos.
Letícia destaca que há, ainda, o Fundo Solidário Resistência PopRua do núcleo de Base da Região Sul do MNPR, que produz bottons (média de 100 por mês), entre outras estratégias de arrecadação de recursos, para custeio da mobilização, transporte e organização de encontros do movimento. Porém, "um dos principais avanços do projeto foi oportunizar que os coletivos se relacionassem com outros atores da economia solidária e, assim, vislumbrassem a sustentabilidade, mas também a pluralidade e a troca de saberes", reflete Letícia.
O trabalho de sensibilização fotográfica e de confecção de cartões-postais foi realizado por todos os grupos em conjunto com o projeto de extensão da Ufrgs "A Cara da Rua". Essas experiências coletivas de geração de renda e emprego baseadas nos princípios e valores da economia solidária irão resultar em uma amostra coletiva. O evento está programado para ocorrer entre os dias 3 e 31 de outubro na Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre, período em que se encerra o apoio do Ministério do Trabalho.
 
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