Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, quarta-feira, 12 de julho de 2017. Atualizado às 17h11.

Jornal do Comércio

Política

COMENTAR | CORRIGIR

operação lava jato

12/07/2017 - 14h15min. Alterada em 12/07 às 17h14min

Lula é condenado a nove anos e meio de prisão

Se confirmada a condenação em segunda instância, Lula pode ser preso e ficar inelegível

Se confirmada a condenação em segunda instância, Lula pode ser preso e ficar inelegível


EVARISTO SA/AFP/JC
Folhapress
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado, nesta quarta (12), a 9 anos e 6 meses de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá. A sentença do juiz Sergio Moro é a primeira contra o petista no âmbito da Lava Jato. Ainda cabe recurso da decisão.
Caso a condenação seja confirmada em segunda instância, pelo TRF (Tribunal Regional Federal), Lula poderá ser preso e pode ficar inelegível. O tribunal leva, em média, cerca de um ano e meio para analisar as sentenças de Moro.
Na ação, Lula é acusado de ter se beneficiado de dinheiro desviado da Petrobras na compra e reforma do tríplex no Guarujá, assim como no transporte de seu acervo presidencial após a saída do Planalto. Os benefícios teriam sido pagos pela empreiteira OAS, em troca de contratos com a estatal. Moro, porém, absolveu o ex-presidente no caso do armazenamento e transporte do acervo presidencial.
O ex-presidente, que sempre negou as acusações, ainda responde a outras quatro ações na Lava Jato, uma delas conduzida por Moro e outras três na Justiça Federal de Brasília. O petista ainda não foi sentenciado em nenhuma delas.
No último Datafolha, Lula, que vem afirmando que será candidato em 2018, aparece em primeiro lugar nas intenções de voto. Os advogados de Lula ainda não se manifestaram sobre a sentença. Eles vêm argumentando que a ação contra o petista é uma perseguição judicial por parte do Ministério Público Federal e da Lava Jato.
Segundo a defesa, a OAS "não tinha como ceder a propriedade" ou prometer a posse do imóvel ao ex-presidente. O advogado Cristiano Zanin Martins afirma que a empreiteira transferiu os direitos econômicos e financeiros do tríplex a partir de 2010 para um fundo gerido pela Caixa Econômica -o que invalidaria a acusação do Ministério Público Federal.
Em depoimento a Moro, Lula declarou que não é dono do apartamento no Guarujá, que desistiu da compra do imóvel e que, por isso, não há como acusá-lo de ter recebido vantagens. Para a defesa, a acusação se baseia em um "castelo teórico", e a análise "racional, objetiva e imparcial das provas" leva exclusivamente à absolvição do ex-presidente.
A repercussão da condenação:
> Paim diz que se Lula for preso vai virar o novo Mandela

A trajetória de Lula:

  • 1945 - Nasce em Garanhuns (PE). Em 1952, muda-se com a família para o Guarujá (SP) e, três anos depois, para São Paulo
  • 1975 - É eleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Reeleito em 1978, organiza as primeiras greves do ABC durante a ditadura militar (1964-1985) 
  • 1980 - PT é fundado em São Paulo; Lula é escolhido presidente do partido com 70% dos votos 
  • 1982 - Na primeira eleição do PT, Lula concorre ao governo de São Paulo e fica em quarto lugar 
  • 1986 - PT elege 16 deputados federais, entre eles Lula (o mais votado do país, com mais de 600 mil votos) 
  • 1988 - PT, do qual Lula era líder, se recusa a aprovar a Constituição de 88. Anos mais tarde, ex-presidente diz apoiar o texto 
  • 1989 - Lula concorre à Presidência pela primeira vez e é derrotado por Fernando Collor (PRN) 
  • 1992 - Como presidente do PT, é um dos articuladores da abertura do processo de impeachment de Collor 
  • 1994 - Perde eleição à Presidência para Fernando Henrique Cardoso (PSDB) no primeiro turno 
  • 1997 - O advogado Roberto Teixeira, que cedeu a Lula um imóvel onde ele morou de graça de 1989 a 1997, é acusado de ajudar empresa a obter contratos com prefeituras petistas 
  • 1998 - Lula disputa mais uma vez com FHC e perde no primeiro turno 
  • 2002 - É eleito presidente vencendo José Serra (PSDB). Com a "Carta ao Povo Brasileiro", o PT firma compromisso com uma política econômica ortodoxa 
  • 2005 - Em entrevista à Folha de S.Paulo, deputado Roberto Jefferson (PTB) acusa petistas de comprar apoio no Congresso. O escândalo do mensalão faz José Dirceu e outros dirigentes do partido saírem do governo 
  • 2006 - Lula é reeleito com 60,8% dos votos 
  • 2014 - Polícia Federal deflagra a Operação Lava Jato, que descobre um esquema bilionário de desvios na Petrobras 
  • 2015 - Torna-se alvo dos protestos contra o governo e inspira a criação de um boneco gigante, o Pixuleko 
  • 2016 - Torna-se alvo da Lava Jato por suspeitas envolvendo um tríplex em Guarujá e um sítio em Atibaia. Também é investigado na Operação Zelotes
  • 2016 - Em março, a então presidente Dilma Rousseff nomeou Lula como ministro da Casa Civil. O PSDB e o PPS moveram um mandado de segurança para suspender a nomeação por "desvio de finalidade", alegando que Lula, investigado na Lava Jato, tinha como objetivo sair da jurisdição de Sergio Moro. O ministro do STF Gilmar Mendes acatou o pedido e Lula perdeu o cargo
  • 2016 - Apesar das tentativas de articulação de Lula para salvar o mandato de Dilma Rousseff, ela foi afastada temporariamente pelo Senado no dia 12 de maio de 2016. Em 31 de agosto, Dilma perdeu o cargo definitivamente, em votação na mesma Casa, por 61 votos a 20 
  • 2017 - Marisa Letícia Lula da Silva, mulher do ex-presidente, morreu no dia 3 de fevereiro, aos 66 anos, vítima de um AVC 
  • 2017 - Lula depôs ao juiz Sergio Moro, em Curitiba, no dia 10 de maio, e voltou a negar envolvimento em atos ilícitos
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia