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Porto Alegre, quinta-feira, 13 de julho de 2017. Atualizado às 00h11.

Jornal do Comércio

Opinião

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Notícia da edição impressa de 13/07/2017. Alterada em 12/07 às 19h59min

Carne 'no gancho' e comerciantes em risco

Miriam Marroni
Ao editar o decreto 53.304/2016 no final do ano passado, o governador José Ivo Sartori (PMDB) colocou milhares de pequenos açougues e comércios de carnes ou fiambres espalhados pelo Rio Grande do Sul sob risco iminente de fechamento. Para quem não sabe, ainda, este decreto proíbe que médios e pequenos estabelecimentos fracionem ou fatiem carnes e frios sem a presença do consumidor. Será o fim das bandejas com guisado pronto, dos bifes já cortados (e até temperados ou empanados), que tanto facilitam a vida da gente, do presunto e do queijo em fatias e, inclusive, das tiras de costela exibidas no balcão para que o consumidor possa escolher o pedaço que melhor lhe agrada.
A partir da nova legislação imposta por Sartori, apenas os açougues que mantiverem um veterinário como responsável técnico e possuírem salas climatizadas para a desossa, fracionamento ou fatiamento poderão continuar a vender carne conforme a tradição secular do Rio Grande: no gancho. Estas grandes empresas poderão, ainda, oferecer carnes e frios fracionadas e embaladas, como já acontece na maior parte dos grandes supermercados.
Aos médios e pequenos comerciantes responsáveis por abastecer a quadra ou o bairro, restará contar com a paciência dos clientes em esperar o guisado ser moído, os bifes serem cortados ou aceitar o pedaço da paleta que foi cortado na hora, sem que pudesse escolher. Estes comerciantes ficam proibidos de descongelar cortes específicos como coxas e sobrecoxas ou miúdos, como o coração de frango, para vendê-los resfriados, isso significa que o consumidor também será prejudicado pois não poderá comprar mais apenas um ou dois pedaços e terá que levar para casa o pacote inteiro, o que nem sempre cabe no bolso.
Em tempos de economia estagnada, Sartori decide penalizar o comércio do bairro, da vila e favorecer as grandes redes. E joga no colo das prefeituras - sob pena de enquadramento em crime de responsabilidade - a obrigação de fiscalizar e multar quem não se enquadrar no decreto que tem como justificativa aumentar a fiscalização sanitária de produtos que já passam por rigorosa vigilância antes de chegar no balcão do açougue. A suspensão imediata do decreto é a única alternativa para evitar o fechamento de milhares de pequenos negócios em todo o Estado e, obviamente, o prejuízo de milhões de consumidores.
Deputada estadual (PT)
 
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