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Porto Alegre, quinta-feira, 13 de julho de 2017. Atualizado às 13h37.

Jornal do Comércio

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Saúde

13/07/2017 - 13h38min. Alterada em 13/07 às 13h41min

'Médico tem que parar de fingir que trabalha', diz ministro da Saúde

A declaração ocorreu durante evento para anunciar o repasse de R$ 1,7 bilhão a Estados e municípios para ações na atenção básica em saúde e oferta de transporte para pacientes

A declaração ocorreu durante evento para anunciar o repasse de R$ 1,7 bilhão a Estados e municípios para ações na atenção básica em saúde e oferta de transporte para pacientes


Antonio Cruz / Agência Brasil/JC
Folhapress
O ministro da Saúde, Ricardo Barros, defendeu nesta quinta-feira (13) a adoção de biometria e de um "padrão de produtividade" para fiscalizar o trabalho de profissionais que atuam no SUS, em especial os médicos.
"Vamos parar de fingir que pagamos o médico e o médico tem que parar de fingir que trabalha", disse. "A biometria do funcionário vai permitir que essas pessoas cumpram o contrato [de seu horário de trabalho]", afirmou.
Segundo o ministro, é preciso também estabelecer metas de desempenho para que as prefeituras possam fiscalizar o trabalho dos médicos, como tempo destinado às consultas, por exemplo. "Vamos estabelecer metas de desempenho, e quem estiver abaixo do seu desempenho, vai ser chamado a aumentar sua produtividade."
Ele cita o exemplo da OMS (Organização Mundial de Saúde), que prevê cada consulta dure cerca de 15 minutos. "Hoje o médico vai lá, faz quatro horas de concurso e marca 16 consultas. Ele vai lá, faz 5 minutos de consulta e vai embora. Queremos o médico o tempo que concursou", disse.
Em uma declaração polêmica, Barros afirmou ainda que muitos pacientes buscam diretamente o pronto-socorro dos hospitais porque médicos não cumprem a carga horária contratada nas unidades básicas de saúde, que deveriam responder pelo primeiro atendimento.
"O grande problema de saúde é que não conseguimos fazer com que o médico fique 4 horas na unidade de saúde. A pessoa que tem problema vai diretamente no hospital, porque lá ele sabe que vai estar o médico", disse.
Essa não é a primeira crítica do ministro ao trabalho dos médicos. Nos últimos meses, o ministro entrou em atrito com entidades como o CFM (Conselho Federal de Medicina) após afirmar que os médicos brasileiros não mostram disposição para o trabalho.
A declaração ocorreu durante evento para anunciar o repasse de R$ 1,7 bilhão a Estados e municípios para ações na atenção básica em saúde e oferta de transporte para pacientes.
Segundo Barros, o valor tem base na economia de recursos gerados no último ano, de R$ 3,5 bilhões. Do total, R$ 771,2 milhões devem ser destinados a programas da atenção básica, como equipes do programa Saúde na Família e agentes comunitários de saúde.
O restante deve ser destinado à renovação da frota do Samu e compra de novas ambulâncias para fazer o transporte de pacientes nos municípios.
No anúncio, Barros apresentou um balanço da gestão à frente da pasta e repetiu anúncios já divulgados, em uma tentativa de reforçar uma agenda positiva em meio à crise que atinge o governo do presidente Michel Temer.
"Quero saudar nosso presidente Michel Temer e agradecer por ter optado pelo reconhecimento e não pela popularidade", afirmou no início da cerimônia.
Durante o evento, Barros também voltou a fazer críticas à judicialização da saúde e à Constituição, que afirma que a saúde é direito de todos e dever do Estado.
Para o ministro, é preciso definir a capacidade do poder público em atender às demandas. "O SUS é tudo que está disponível no SUS para todos", afirmou.
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