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Porto Alegre, domingo, 16 de julho de 2017. Atualizado às 11h02.

Jornal do Comércio

Esportes

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Paris 2024

Alterada em 16/07 às 11h05min

Próxima de receber os Jogos em 2024, Paris quer uma Olimpíada 'sustentável'

Para receber os Jogos Olímpicos de 2024 sem quebrar as finanças públicas, multiplicar os estádios subutilizados e as arenas abandonadas, Paris se prepara para refundar o maior evento do esporte mundial. Se de fato concretizar a ambição de receber o evento dentro de sete anos, o que será decidido em setembro, em Lima, no Peru, a capital francesa será a primeira a organizá-lo segundo a Agenda 2020 do Comitê Olímpico Internacional (COI). Trata-se da primeira tentativa séria de reduzir os custos da organização, que extrapolam há 30 anos.
Cem anos depois de receber o evento pela última vez, Paris enfim venceu a disputa, após quatro derrotas - a mais dolorida para Londres/2012. Com um projeto orçado em 6,2 bilhões de euros (R$ 23 bilhões), a capital da França usará 93% de estruturas já existentes e construirá uma Vila Olímpica que, após os Jogos, será transformada em habitações para famílias de baixa renda. A ideia é aproveitar o evento para, além de beneficiar Paris, completar a transformação da cidade de Saint-Denis.
O objetivo de respeito ao orçamento e de uma organização respeitosa do meio ambiente faz parte do caderno de encargos apresentado pela prefeitura de Paris. "Muitas cidades abandonaram a disputa, na Europa e além dela, porque as opiniões públicas não estão mais convencidas, mesmo que os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos continuem a ser o evento planetário mais importante", reconheceu a prefeita Anne Hidalgo, referindo-se às desistências de Boston (Estados Unidos), Roma (Itália), Hamburgo (Alemanha) e Budapeste (Hungria). A postura definiu a vitória de Paris e Los Angeles (Estados Unidos) para 2024 e 2028 - falta definir a ordem de realização dos eventos.
Segundo a prefeita, Paris tem a ambição de realizar a primeira Olimpíada "ecológica" do mundo em respeito a dois tratados: a Agenda 2020, um documento com 40 diretrizes criado pelo COI para reduzir os custos do evento; e o Acordo de Paris, que estabeleceu objetivos de redução das emissões de gases de efeito estufa na atmosfera.
A maior diretriz de Paris é o reaproveitamento quase total das infraestruturas já existentes. Uma única arena será construída: o centro aquático que será erguido ao lado do Stade de France, em Saint-Denis - a ser transformado em estádio olímpico para receber as cerimônias de abertura e encerramento e as competições de atletismo.
O ginásio de Bercy receberá os esportes coletivos como basquete, handebol e vôlei. O Stade Jean Bouin será o palco do rúgbi. Roland Garros e o Parque dos Príncipes, do Paris Saint-Germain, serão utilizados, como o Velódromo de Saint Quentin en Yvelines e o Stade 92, em Nanterre, ambos na periferia da capital. Até monumentos e parques, como o Grand Palais e o Hotel des Invalides ou o Champ de Mars, onde fica a torre Eiffel, serão adaptados para receberem provas.
A ideia do reaproveitamento é reduzir ao mínimo uso do dinheiro público. O orçamento de Paris prevê 6,2 bilhões de euros (R$ 23 bilhões) em investimento, metade dos quais financiados por patrocinadores, bilheteria e COI. Pelos planos, 1,5 bilhão de euros (R$ 5,5 bilhões) será pago pelo poder público. Se concretizado, os Jogos de 2024 terão custado pouco mais da metade dos de Londres, em 2012.
Há nada menos do que oito Jogos Olímpicos consecutivos, a começar por Seul/1988, orçamentos apresentados ao COI acabam estourando e se transformando em bola de neve para governos e contribuintes. Para movimentos franceses de oposição à Olimpíada em Paris, o Rio/2016, que custou R$ 41,03 bilhões, é o "pesadelo" a ser combatido pela sociedade civil.
Depois de Los Angeles, em 1984, a prática de construir infraestruturas superdimensionadas e inúteis após os Jogos se disseminou, resultando na onda de impopularidade que obrigou metrópoles do mundo inteiro a retirarem suas candidaturas. Mas o que tira o sono dos opositores ao evento em Paris é mesmo o Brasil. "Rio é o exemplo do pesadelo perfeito e o que nós gostaríamos de evitar na França", disse Frédéric Viale, coordenador do "Non aux JO 2024", que luta contra o evento.
"Quem faz a pior estimativa é quem ganha os Jogos porque para seduzir vende coisas a um preço inferior aquele que custará na verdade. Depois, é preciso pagar a fatura. É isso que chamamos de a maldição do vencedor", disse Emmanuel Frot, vice-presidente da consultoria Microeconomix, que fez um relatório sobre custos e benefícios dos Jogos em Paris.
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