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Porto Alegre, domingo, 30 de julho de 2017. Atualizado às 22h34.

Jornal do Comércio

Economia

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Tecnologia

Notícia da edição impressa de 31/07/2017. Alterada em 30/07 às 19h46min

Blockchain pode revolucionar forma de fazer transações pela internet

Bitcoin é a mais famosa e usada moeda digital que utiliza o sistema de blocos encadeados e conectados

Bitcoin é a mais famosa e usada moeda digital que utiliza o sistema de blocos encadeados e conectados


BLOOMBERG/BLOOMBERG/DIVULGAÇÃO/JC
Patricia Knebel
O mercado espera para o dia 1 de agosto uma provável ativação de software no Bitcoin, o que significa a possibilidade de a moeda digital mais famosa e usada no mundo se dividir em duas. “Isso pode afetar a confiança de muitos em criptomoedas e pode haver até mesmo um impacto nos investimentos em blockchain”, aponta o diretor de Pesquisas do Gartner, Rajesh Kandaswamy.
O tema ainda é bastante restrito aos círculos de tecnologia, e muitas vezes difícil de entender. Ainda não se sabe exatamente o impacto disso, mas esse episódio aproveita para colocar nos holofotes uma nova tecnologia tida como altamente promissora pelo mercado mundial: o blockchain.
O Blockchain é um conjunto de blocos encadeados e conectados um a um, seguindo uma lógica matemática. Os dados ali colocados, por empresas ou instituições públicas, nunca poderão ser apagados. A tecnologia nasceu junto com o Bitcoin e é a base tecnológica para o funcionamento de qualquer criptomoeda – atualmente existem mais de 700 catalogadas no mundo. Mas, a potencial de aplicação é imenso, e o seu impacto vem sendo comparado ao do surgimento da internet.
O segredo está no uso inovador de tecnologias existentes para autorizar a realização de diversas transações, independente de uma autoridade central. Assim, se alguém fizer uma transação da sua carteira de bitcoin para outra pessoa, isso fica registrado. É possível, por exemplo, criar uma rede blockchain entre os cartórios brasileiros, com controles de acesso. Se um cidadão estiver comprando um imóvel e registrar isso no blockchain, toda transação ficará registrada e não poderá nunca ser apagada, bem como dados do proprietário e a situação do imóvel, inclusive com a situação de IPTU e outras certidões.
Recentemente, uma rede supermercadista global fez uma experiência para rastrear a produção de carne suínas compradas da China. Isso permitiu estar em contato com toda a cadeia para saber exatamente a procedência das carnes. Se a companhia identificar que houve algum problema em uma região, consegue saber para onde foi o lote e isolar o produto.
Muitas empresas já fazem essa rastreabilidade mas, ao usar blockchain, fica impossível apagar registros. “O blockchain funciona como um grande repositório de dados, mas com absoluta segurança e controle de acesso. Uma das grandes vantagens é a transparência”, explica o gerente de Tecnologia de Segurança da Informação e Comunicação do CPqD, José Reynaldo Formigoni Filho.
O valor de negócios agregados pelo Bbockchain vai chegar a mais de US$ 176 bilhões em 2025, e ultrapassará os US$ 3,1 trilhões até 2030. A aposta é do Gartner que, assim como diversas outras instituições, vê essa tecnologia altamente estratégica para o mercado global. “O potencial é imenso, pois permitirá a evolução de muitos produtos, serviços e empresas inovadores”, aponta o diretor de Pesquisas do Gartner, Rajesh Kandaswamy.
Ele explica que todo esse frisson é explicado porque o blockchain permite que uma transação ocorra sem um intermediário, como um pagamento sem um banco. Para isso ser possível, usar uma rede de computadores que concordam com a transação. “Tudo é armazenado em uma cadeia de blocos de uma forma que não é possível mudar qualquer um dos blocos anteriores sem invalidar qualquer coisa que segue depois. Isso garante que os registros não sejam corruptíveis e possam ser rastreados”, explica.
Tecnicamente, os registros são distribuídos pela rede. Se isso é criado dentro do ambiente corporativo, é possível criar mecanismos de limitação de acesso. Quando algo é escrito nessa grande base de dados, a publicação só é aprovada se um grupo mínimo de nós entrar em acordo e dizer que é valido. “A forma como isso acontece é de regra de consenso (não de uma pessoa, mas de diversos algoritmos). Depois que a escrita é autorizada, nunca mais é possível apagar”, relata Formigoni Filho.
Outra área que altamente potencial para o uso de blockchain é no setor público, como para garantir eleições de forma mais segura, já que impossibilitaria dois votos pela mesma pessoa e também garantia a imutabilidade dos registros das zonas eleitorais. Outra aplicação é para fazer a gestão de identidade digital de pessoas. Isso porque, permite o registro de todo histórico da vida de um cidadão nesta rede distribuída, como na área de saúde ou educação. “O Brasil ainda está longe, mas o potencial de aplicação na área pública é fantástica”, avalia.

O que é o Blockchain (cadeia de blocos)


REPRODUÇÃO/JC
É um conjunto de blocos encadeados e conectados um a um seguindo uma lógica matemática, ou seja, não são independentes. Também é chamado de ledger, ou livro de registros digital, no qual, uma vez validado um registro, este nunca mais poderá ser apagado.
Toda operação ou transação dentro do ledger é protegida por tecnologias criptográficas de assinatura digital, inclusive para identificar os nós emissores e receptores das transações. Quando um nó deseja adicionar ao ledger um fato novo, é necessário um consenso entre todos ou alguns nós previamente determinados da rede para decidir se o fato vai poder ser registrado.
Fonte: CPqD

Banrisul avança em projetos

O pontapé inicial no uso do blockchain foi dado pelo setor financeiro, então é natural que sejam os bancos os players que mais estão investindo e evoluindo nessas iniciativas. O Banrisul está imerso nesses projetos e atua tanto internamente como no Comitê de Blockchain criado pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), um grupo de trabalho para discutir os efeitos destas tecnologias no mercado financeiro e as suas aplicações para melhorar produtos e serviços bancários. O grupo de trabalho é formado por diversas instituições, como Banco Central, Banco do Brasil e Itaú Unibanco.
"Estamos trabalhando com afinco com essa tecnologia, porque temos a visão que é uma das mais disruptivas dos próximos anos. É praticamente uma nova internet, porém mais segura", aponta o diretor de TI do Banrisul, Jorge Krug.
Hoje, quando uma pessoa vai em um ATM, ela coloca a sua senha (ou seja, se autentica no sistema) e retira o dinheiro. Automaticamente, o valor sai da base do banco, que dá a baixa na conta. Quando se entra no mundo de blockchain, o banco continua sendo o autorizador e responsável da guarda destes dados, mas como parte de um dos elos destes blocos. A informação sigilosa deixar de estar armazenada em um ponto fixo e passa a estar em diversos nós. "É uma autorização matemática, dada em algum ponto da cadeia de nós e que fica registrada de forma criptografada em uma espécie de livro-ponto, que não pode ser alterado jamais", explica Krug.
Segundo ele, a fase ainda é de estudos e de escolha dos modelos a serem adotados e que estão sendo ofertados por empresas de tecnologia, como Hyper Ledger, Corda, Chain e Ethereum. O que diferencia um do outro é a forma de implementação dos nós e autorização do que pode ser publicado. "O Banrisul está mais focado agora no Hyper Ledger, que é da IBM, mas vamos abrir outras frentes e testar novas tecnologias", conta.
O blockchain é uma tecnologia promissora, mas ainda precisa evoluir - e muito. Existem alguns desafios. Um deles é que a segurança não pode ser garantida 100%. Além disso, é preciso poder computacional significativo para verificar e confirmar cada bloco de transações. Pelo desenho desse processo, podem ocorrer no máximo sete transações por segundo, e cada bloco requer 10 minutos para confirmação.
A maioria dos esforços de empresas são experiências e ensaios. A expectativa do Gartner é que a adoção leve de 5 a 15 anos. "Essa tecnologia ainda é imatura e precisa se desenvolver para satisfazer às necessidades das empresas, em grande escala, com desempenho e interoperabilidade", relata o diretor de Pesquisas do Gartner, Rajesh Kandaswamy.
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