Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, domingo, 16 de julho de 2017. Atualizado às 22h42.

Jornal do Comércio

Economia

COMENTAR | CORRIGIR

Turismo

Notícia da edição impressa de 17/07/2017. Alterada em 16/07 às 21h36min

Corsan estuda cobrança de água especial para hotéis

Custo de abastecimento compromete faturamento das empresas

Custo de abastecimento compromete faturamento das empresas


VINHOS PÁSSAROS/DIVULGAÇÃO/JC
Adriana Lampert
Representante de 80% dos meios de hospedagem do interior, o Sindicato Intermunicipal de Hotelaria do Rio Grande do Sul (Sindihotel RS) está pleiteando junto à Corsan um novo sistema de cobrança para os estabelecimentos no Estado. Segundo o presidente da entidade, Manuel Suarez, com a diminuição do movimento dos hotéis, e o aumento das taxas cobradas, o custo da água acabou ficando tão significativo no orçamento das empresas, quanto o da luz. "Em algumas empresas, como a de uma rede de motéis que tem sede em Porto Alegre e filiais em cidades como Cachoeirinha, é visível a diferença no que se refere às faturas de água", informa Suarez.
Segundo o dirigente, enquanto na Capital uma operação desta empresa gasta metade do valor que paga de energia elétrica com os custos de uso de água, em Cachoeirinha, a filial tem recebido cobranças elevadas. "Recentemente, a conta de luz do Motel Saara veio em torno de R$ 6 mil, enquanto a de água chegou a R$ 8 mil", compara. "Esse mesmo problema temos com diversas outras empresas fora de Porto Alegre, onde a cobrança (feita pelo Dmae) está mais adequada à realidade hoteleira." O dirigente se refere à tabela implementada para a hotelaria pelo Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae), há cerca de dez anos. Hoje, apesar da tarifa ser comercial, o sistema funciona como um condomínio, com medição de um único hidrômetro, e cada quarto (de hotel) é considerado uma economia. 
O proprietário do Hotel Soder de Santa Cruz do Sul, Sidnei Luís Soder, confirma. "A água é caríssima aqui". Ele destaca que a Corsan faz "uma média do que é consumido" pelo sistema de relógio, o que acaba comprometendo 3% a 4% do faturamento do total da empresa. Contando com 69 apartamentos, o Hotel Soder tem tido taxa de ocupação média de 35% de sua capacidade. A rotina da lavanderia industrial, que funciona 10 horas por dia, mais o uso de chuveiros e vasos sanitários dos banheiros e das 12 suítes, que ainda contam banheira de hidromassagem contribuem para elevar o volume de consumo.
A sugestão apresentada pelo Sindihotel à superintendência da Companhia de Água é de que a taxa seja medida por unidade habitacional (a exemplo de como ocorre no Dmae), ao invés de um relógio que faça a média do estabelecimento, explica Suarez. "Pelo que falam, cobrar por unidade seria vantajoso e mais justo, pois é possível saber exatamente quanto se está gastando", comenta Soder. Segundo o assessor parlamentar da Fecomércio, Adriano Beuren, o setor apresentará um levantamento do número de hotéis do Interior, especificado por porte das empresas. "Há muito hotel pequeno, familiar, que está tendo dificuldades para manter os custos", explica.

O valor da água

Como funciona a cobrança de água para hotéis no Interior
Incide sobre o consumo total da empresa, independentemente de quanto cada unidade habitacional gasta de água. À medida que o volume de consumo do estabelecimento ultrapassa 20 m3, a Corsan cobra uma tarifa exponencial, o que significa que, a cada metro cúbico a mais, será aumentado (exponencialmente) o valor da cobrança. Exemplo: 22 m³ = 1,0100; 23 m³ = 1,0200; 24 m³ = 1,0300.
Como funciona a cobrança de água para hotéis em Porto Alegre:
A medição funciona como em um condomínio, utilizando um único hidrômetro, e onde cada quarto é considerado uma economia. Neste caso, um estabelecimento que tiver 10 quartos pode consumir (somando todas unidades) até 200 m3 na tarifa linear, e somente acima disso entra na exponencial. Ao contrário do que ocorre no restante do Estado, o limite de consumo (20 m³) para escapar da tarifa exponencial ocorre por unidade, o que permite o uso de um maior volume de água por estabelecimento sem que aumente o valor.

Ajuste interessa à companhia

De acordo com o diretor comercial da Corsan, Luciano Eli Martin, o ajuste interessa à Companhia até porque há um trabalho no sentido de combate a fontes irregulares, onde não há controle da qualidade da água. Ele afirma que há empresas que se utilizam de água de poço, e acredita adequando a tarifa de cobrança, possa haver uma regularização neste sentido. "Atualmente, temos a taxa básica, e se paga o metro cúbico consumido quando o volume ultrapassa 20m3. A ideia é evitar o consumo excessivo", explica Martin.
O diretor comercial informa que, após receber os dados do sindicato, a Corsan deve estudar uma forma de tarifa especial de contrato de demanda de acordo com a realidade das empresas. No entanto, já adianta que não será possível uma cobrança semelhante à do Dmae. "Talvez um pacote pré-pago, onde só aumente o valor se houver gasto excedente. Mas ainda é cedo para falar." Martin avalia que, ao contrário de uma possível redução na arrecadação, a companhia possa ainda obter um aumento de receita, uma vez que muitos empresários podem vir a deixar de usar fonte alternativa e utilizarem o sistema puro de água distribuído pelo Estado. "Pretendemos trabalhar nestas semanas para passar os dados para a Corsan", informa o assessor parlamentar da Fecomércio, Adriano Beuren.
 

Tarifa exponencial encarece as contas

Atualmente, à medida que o volume de consumo de água ultrapassa 20 m3, a Corsan cobra uma tarifa exponencial - que é o que tem encarecido as contas. Ou seja, se um estabelecimento que tenha 10 quartos consumir acima de 20 m3 (previstos na tarifa linear), entra para a tarifa exponencial - o que significa que, a cada metro cúbico a mais de consumo, será aumentado o valor da cobrança.
"Dos 390 municípios onde a Corsan atua, grande parte deles onde têm hotéis, e, do grande ao pequeno, todos demandam baixar estes custos, uma vez que não conseguem melhorar o movimento", reforça o assessor parlamentar da Fecomércio, Adriano Beuren. Segundo o presidente do Sindihotel-RS, Manuel Suarez, há, pelo menos, 1,5 mil estabelecimentos de hospedagem (incluindo - além de hotéis - pousadas, motéis, entre outros) no Estado. "A maioria é de empresas familiares, que não chegam a ter 10 funcionários e possuem em torno de 10 a 20 apartamentos."
O dirigente ainda afirma que, à medida que aumenta a ocupação do hotel, a participação da tarifa de água e custo ficam menores. "Mas com redução do movimento, o valor fica bastante elevado - e isso vai depender ainda se o hotel tem restaurante, lavanderia, entre outras instalações", comenta Suarez.
O presidente do Sindihotel-RS, que também possui estabelecimentos na Capital e na Região Metropolitana, destaca que, atualmente, tirando a folha de pagamento, a energia elétrica e a água são os maiores custos das empresas. Um trabalho de aproximação com o setor foi responsável pela pauta, que deverá ser estudada pela Corsan assim que o sindicato enviar dados das empresas.
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia