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Porto Alegre, quinta-feira, 20 de julho de 2017. Atualizado às 22h04.

Jornal do Comércio

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Jaime Cimenti

Livros

Notícia da edição impressa de 21/07/2017. Alterada em 20/07 às 17h38min

Fantasia, contos de fada e terror

O premiado romance Enraizados (Fantástica Rocco, 384 páginas, tradução de Cláudia Mello Belhassof, R$ 54,50), da consagrada escritora norte-americana Naomi Novik, é, acima de tudo, uma obra para os que gostam de fantasia e contos de fada, com tintas de terror, seguindo a melhor tradição eslava. Naomi é autora da série best-seller Temeraire. Ela foi indicada para o Hugo Award e ganhou o Prêmio John W. Campbell de Melhor Autora Revelação, além do Prêmio Compton Crook de Melhor Primeiro Livro.
Naomi Novik - autora da graphic novel Will supervilains be on the final? - é fascinada por lendas polonesas e histórias da Baba Yaga. Adora computadores e é cofundadora da Organization for Transformative Works. Mora em Nova Iorque com o marido e a filha e, claro, cercada por uma quantidade excessiva de computadores.
Enraizados narra a saga de moradores de uma pequena vila, situada num vale, entre as florestas e o rio cintilante. A floresta corrompida fica à espreita na fronteira, cheia de um poder maligno desconhecido. Seu povo depende de um mago frio e ambicioso conhecido apenas como Dragão, que apazígua a ira da floresta e a impede de avançar sobre o vilarejo. Mas o preço do Dragão é alto: em troca da proteção, a cada 10 anos uma jovem, é entregue para servi-lo. É um destino quase tão indesejado quanto cair nas garras da floresta.
A próxima escolha está próxima. A jovem Agnieszka tem medo. Todo mundo sabe que o Dragão vai pegar sua melhor amiga, Kasia, bela, corajosa e graciosa. Não há como salvá-la. Agnieszka teme as coisas erradas e sabe que ela será escolhida. Na torre do Dragão, Agnieszka é apresentada a uma nova vida, cheia de magia e intrigas. Sob a tutela do feiticeiro, começa a aprender o que é realmente a floresta e o seu verdadeiro papel na batalha que virá. Inspirada no folclore polonês e pela lenda de Baba Yaga, Naomi traz em seu romance altas doses de fantasia, contos de fada e muito terror, bem ao estilo da velha tradição eslava. A narrativa é tão cativante e encantadora como uma fábula dos Irmãos Grimm.
"Nosso Dragão não come as meninas que captura, não importam as histórias que contem fora do vale. Nós, às vezes, as ouvimos por conta dos viajantes que passam por aqui. Eles falam como se estivéssemos sacrificando um ser humano e ele fosse um dragão de verdade. Claro que não é assim: ele pode ser um mago imortal, mas continua sendo um homem, e nossos pais se uniriam e o matariam se a cada 10 anos ele quisesse usar uma de nós como comida. Ele nos protege contra a Floresta, e somos gratos, mas não tanto assim." Esse é o primeiro parágrafo do envolvente romance.

lançamentos

  • Press Santa Catarina (Edição 04), dirigida pelo jornalista Julio Ribeiro, fala das razões para investir em Santa Catarina. O estado é um celeiro de startups e é berço de grandes empresas. Carsten Stöcker fala sobre os três anos da BMW em Araquari. Estes e outros temas estão na publicação.
  • UFSM - Uma luz em nossas vidas (Rio das Letras, 580 páginas), do engenheiro e professor Helio João Bellinaso, motorista de ônibus que, após muito estudo e trabalho, tornou-se engenheiro e professor universitário, fala de sua trajetória na UFSM e como valorizou os operários da construção civil.
  • Habito um país distante (Artes e Ecos, 128 páginas), antologia poética de Julio Moncada, organizada por Ricardo Silvestrin e Lota Moncada, traz o grande poeta e adido cultural do Chile na embaixada de Montevidéu. São versos por um mundo melhor, que afrontam tanques e elogiam os humildes.

Brasília e brasileiros de férias

As três melhores coisas de Brasília não tiram férias: o sol, o clima e o céu, que parece cenário de filme ou peça de teatro. O Judiciário está de férias e o Congresso, em recesso. O Executivo vai tocando, mas com férias de funcionários. Os escândalos também estão meio assim de férias, que no Brasil nunca se sabe, e precisamos até de uns profetas do passado ou do cotidiano para ver e entender alguma coisa.
No sábado de céu de brigadeiro em férias, a cidade está calma, os corredores dos hotéis estão silenciosos, e o Plano Piloto descansa. O silêncio só é cortado por motos ou carros que passam zunindo, sonhando com a Fórmula 1. A cidade não pode dispensar as corridas e as pistas. Brasília segue sendo um grande autorama, e os motoristas adoram correr, talvez para compensar o ritmo lento e o ar de aquário da cidade.
Na piscina do hotel, três da tarde, só um senhor de meia-idade vai tomando, devagarinho, sua garrafa de scotch e não quer papo nem com o smartphone. O uísque é o cachorro engarrafado - dizia Vinicius de Moraes, amigo íntimo do destilado, de outras coisas e de pessoas.
Os esquemas, as conversas e tudo mais dos poderosos, neste momento, devem estar acontecendo, ou não, em praias distantes, cidades turísticas e outros cenários conhecidos ou não, pois a Capital está de férias, e os brasileiros também curtem, tipo assim, umas férias do noticiário tenebroso que promove esse estresse federal e o desenvolvimento da indústria dos calmantes.
Alguns turistas visitam o Museu Nacional da República, a catedral, passam pela frente dos Palácios da Justiça, do Itamaraty, do Planalto, da Alvorada e passeiam pela Praça dos Três Poderes, onde observam a escultura da Ceguinha, que fica em frente ao Supremo Tribunal Federal. O Supremo, aquele que tem o direito de falar, acertar e/ou errar por último, e dizer o que a Constituição Federal quer dizer, no prazo que julgar adequado.
Do alto do 20º andar, de um prédio no Setor Hoteleiro, o contribuinte pode apreciar o lago Paranoá, que parece de verdade, a esplanada dos ministérios, as Torres Gêmeas do Congresso, os setores residenciais, comerciais, autárquicos e tudo mais. Em alguns momentos, o visitante pode achar que já temos algumas ruínas arquitetônicas do futuro e se perguntar se um arquiteto, por mais genial que seja, tem mesmo o direito de pensar uma cidade toda, dizendo onde as pessoas vão trabalhar, morar, passear, sonhar, e outras atividades mais.
A população vai fazendo seus necessários ajustes, vai arrumando a casa do jeito que gosta, vai plantando muitas árvores e criando vidas, histórias, e até mesmo alguns mistérios em meio à claridade solar do cerrado, que a vida sem mistérios é muito chata.
Em agosto, as coisas voltarão ao normal, que o tempo não fica parado e é preciso seguir na nossa eterna construção e desconstrução pessoal e na tentativa incansável de fazer deste imenso território uma nação de verdade.

a propósito...

É bonito de ver os turistas, especialmente os mais modestos, visitando a Capital. Não parecem muito animados, mas no fundo sentem emoções com os símbolos da Pátria, especialmente com a grande bandeira da Praça dos Poderes. Quem disse que ninguém vai a Brasília a passeio? É bom sonhar com o dia em que, além da arquitetura inovadora, do sol, do clima e do céu, os brasileiros vão admirar Brasília pela liberdade, pela democracia e por bons valores, que afinal aqui é terra de bisavôs, avôs, pais, filhos, netos, bisnetos etc. Nossa Senhora Aparecida que nos ajude. 
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