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Porto Alegre, sexta-feira, 11 de agosto de 2017. Atualizado às 12h17.

Jornal do Comércio

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Jaime Cimenti

Livros

LIVROS

Notícia da edição impressa de 14/07/2017. Alterada em 13/07 às 17h20min

Nossas identidades gaúchas

Tenho preferido falar sempre em rio-grandenses ao invés de gaúchos quando me refiro ao Rio Grande do Sul e a nós outros, inclusive e, principalmente, quando participo de sessões do Conselho Estadual de Cultura, que novamente integro e onde estive a primeira vez em 2003-2004. O Rio Grande do Sul somos todos, do Chuí a Iraí, passando por Santa Maria, Bagé, Bento Gonçalves, Três Passos e Torres. Nosso mosaico étnico-cultural é rico, multifacetado e somos, acima de tudo, rio-grandenses.
NósOutros Gaúchos (Ufrgs Editora e Instituto Appoa, 352 páginas), grande e densa obra organizada pelo psicanalista Jaime Betts e pela socióloga Sinara Robin, apresenta muitos textos, ilustrações e fotos sobre as identidades dos gaúchos em debate interdisciplinar. O volume é uma bela contribuição para nós, rio-grandenses de todas as querências, pensarmos sobre o que somos, de onde viemos e para onde vamos. Os idealizadores do projeto, a nosso ver com razão, consideraram que debater as identidades dos gaúchos e colocar em questão nossas dificuldades e desafios necessariamente tem que ser feito em uma perspectiva interdisciplinar. Os debates obedeceram quatro princípios: nenhuma disciplina dá conta do todo; não há hierarquia entre as disciplinas; ninguém é dono da verdade e o real é impossível de simbolizar.
Débora Finocchiaro, Donaldo Schüler, Tau Golin, Luiz Osvaldo Leite, Luís Augusto Fischer, Inês Marocco, Pedro Figueiredo, Enéas de Souza, José Miguel Wisnik, Renato Borghetti e Vitor Ramil são alguns dos participantes do livro, ao lado dos organizadores. Nos cinco encontros realizados pelo projeto NósOutros Gaúchos , entre abril e outubro de 2015, muito se falou sobre nossos sintomas sociais, nossas raízes e desdobramentos contemporâneos, nossas expressões e conflitos, nossa visão sobre nós e sobre nossos vizinhos. O pronome nosotros remete ao espanhol e ao mesmo tempo fala de muitas identidades nossas, vários idiomas e dialetos indígenas e africanos e nos relaciona com esse entrelaçamento todo.
Além dos encontros e do seminário, o projeto NósOutros Gaúchos compreende uma plataforma virtual que pode ser acessada pelos leitores interessados em assistir às gravações dos encontros, via site www.ufrgs.br/difusão cultural/nosoutrosgauchos.
A ideia do projeto e do livro é de propor diálogo entre os textos, o design gráfico e as obras de arte que compõe a edição e deixar os questionamentos e as interrogações em aberto, para que os leitores e todos os rio-grandenses possam dar continuidade aos debates, tão essenciais para todos nós, especialmente nesse momento de grandes dificuldades pelos quais passamos. É muito bem-vinda e oportuna a obra, para todos NósOutros.

Dez passos para tirar o Brasil da lama

Ainda não li o livro 10 mandamentos do País que somos para o Brasil que queremos ,do conhecido cientista político Luiz Felipe D'Avila, publicado pela Editora Topbooks, mas li uma matéria do colunista e economista Rodrigo Constantino sobre ele, publicada em recente edição da revista Istoé e acho bom falar dele, num País marcado por divisões, críticas, dezenas de milhões de técnicos de futebol, economistas e presidentes da República e descrença nos poderosos.
Em síntese, para tentar tirar nosso Patropi da lama geral em que está atolado, propõe DAvila passos ou mandamentos:
1. "Adotar o parlamentarismo." É uma boa saída. Nosso "presidencialismo congressual" deu no que deu. Presidente com poder demais, gastando demais e mal. Está na hora do parlamentarismo.
2. "Adotar um verdadeiro federalismo, com descentralização do poder." Concordo, mais Brasil, menos Brasília é o que precisamos. Mais poder para municípios e estados, que é onde vive e está realmente o cidadão, o "contribuinte". Voto distrital, limitação de reeleições, por aí.
3. "Meritocracia no serviço público." É outra bandeira razoável e necessária. Precisamos profissionalizar a máquina pública, prestigiar bons resultados.
4. "Fim ou diminuição do assistencialismo de Estado." Realmente, precisamos revisar as benesses que muitos recebem, por conta de outros que trabalham e pagam impostos. 5."Fim do capitalismo de Estado, do capitalismo de compadres que toma nossos recursos do jeito que toma. Que venha uma economia de mercado saudável, como menos acertos entre governos e grupos econômicos poderosos.
6. "Integração do Brasil na economia global, com impulso para a exportação." Isso é necessário para não travar nossas empresas. 7. "Educar o brasileiro para um mundo globalizado." Nossos jovens precisam lidar mais com formas de conviver com a inevitável globalização e lidar menos com ideologias ultrapassadas e rançosas. 8. "Resgate da cidadania participativa." Não podemos deixar que grupos de interesse e demagogos tomem conta. A participação popular nas decisões públicas é essencial.
9. "Não abrir mão dos ganhos da globalização." É bom separar bem nacionalismo atrasado que não adianta e patriotismo saudável, que nos leva à frente. 10. "Resgatar a credibilidade do Estado, ressaltando a virtude da política e a defesa da democracia e da liberdade." Precisamos acreditar nos poderes, nos homens públicos, nos valores democráticos, éticos e na liberdade.
Claro que o ideário acima tem toques liberais, que não é completo e que precisa ser desenvolvido e adaptado. Mas as colocações são boas e apontam para as saídas dessa crise de "vende-se" e "aluga-se" e "fechamos as operações" que anda terrível, por aí, num momento de 15 milhões de irmãos brasileiros desempregados e descrença dos cidadãos nos poderes da República. O momento é de união, de soluções ao invés de "salvações" e "salvadores da pátria". Precisamos de cidadãos, cidadania, progresso, empregos, democracia e liberdade e de construir uma Nação, neste imenso território.
 

lançamentos

  • Falange Gaúcha - O Presídio Central e a história do crime organizado no RS (Diadorim Editora, 174 páginas), do repórter e colunista Renato Dornelles, apresentado por Carlos Wagner e Cláudio Britto, relata a vivência direta do autor com o cruel cotidiano dos presos e outros problemas de segurança. A obra resultou de reportagens premiadas pela ARI.
  • Monstros e ladrões (Edelbra, 32 páginas), do médico e escritor Celso Gutfreind, com ilustrações de Paulo Thomé, ficção infantojuvenil, fala de um menino introspectivo, que de repente viu monstros em seus pensamentos. Com seu pai e o bigode ele, viu que sempre há jeito para tudo, mas aí, um dia...
  • Os bolsos cheios de pão e outras peças curtas (É Realizações, 110 páginas) do romeno Matéi Visniec, na França desde 1987, onde foi refugiado político tem O último Godot; A aranha na chaga e A segunda Tília à esquerda. Os trabalhos do autor foram traduzidos e montados em mais de 20 países.

a propósito...

Muitos eleitores pensam em votar em candidatos novos nas próximas eleições. Gente sem mandato ou sem ficha suja. É uma saída. Os políticos não apresentam uma reforma política razoável, com voto distrital, limitação de número de mandatos, implantação de parlamentarismo, descentralização de poder e menos gastos com poderes e eleições. Muitos eleitores pensam em violência, dizendo "aqueles lá, só matando". Melhor não. Não seria bom para ninguém. Melhor os restos de esperança brasileira que ainda temos e propor coisas boas. Melhor que Deus, Nossa Senhora Aparecida e todos os santos nos ajudem a nos ajudarmos a nós mesmos. Não precisamos de heróis ou grandes fatos. Precisamos de bons valores e diálogos, de sonhos saudáveis e de feijão com arroz. 
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Comentários
Francisco Berta Canibal 11/08/2017 06h48min
Gaúcho é o homem a cavalo, e com isto concordo com rio-grandenses, imigrantes não são gaúchos. Quanto aos 10 it., para o Brasil da lama, primeiro conv. de uma assembléia constituinte, com eleição de constituintes, com nomes limpos, e que abrem seus direitos eleitivos por dez anos, e que apresentem profissionalismo, não podemos eleger constituintes despreparados e analfabetos, Segundo que parlamentarismo, maior autonomia dos estados e municípios e um programa educacional de Estado,