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Porto Alegre, quarta-feira, 12 de julho de 2017. Atualizado às 21h51.

Jornal do Comércio

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Zona Portuária

Notícia da edição impressa de 13/07/2017. Alterada em 12/07 às 18h50min

Cais do Valongo é patrimônio mundial cultural

Objetos mostram a contribuição dos escravos para a formação do Brasil

Objetos mostram a contribuição dos escravos para a formação do Brasil


MARCELO HORN/MARCELO HORN/GOVERNO DO RIO/JC
Desde domingo, o Rio de Janeiro está incumbido de preservar o primeiro Patrimônio Mundial Cultural relacionando à escravidão africana. O Cais do Valongo - descoberto em 2011, durante as obras de revitalização da Zona Portuária - recebeu esse título da Unesco, que considerou o sítio arqueológico um dos mais importantes testemunhos da diáspora africana localizados fora da África.
No passado, a região foi o principal porto de entrada de escravos nas Américas - aproximadamente 2 milhões entre 1811 e 1843. E, agora, com o reconhecimento internacional, diz Kátia Bogéa, presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), equipara-se com lugares como a cidade de Hiroshima, no Japão, e o Campo de Concentração de Auschwitz, na Polônia, classificados como locais de memória e sofrimento.
A decisão de declarar o Cais um Patrimônio Cultural foi tomada pelo Comitê do Patrimônio Mundial, formado por 22 nações, em uma reunião em Cracóvia, na Polônia. E deu o segundo título da Unesco para a cidade: o primeiro tinha sido chancelado em 2012, para a paisagem cultural urbana do Rio. No Valongo, o sítio é composto por vestígios do calçamento de pedras, construído a partir de 1811, para o desembarque dos africanos escravizados trazidos para trabalhar no Brasil. Também há um porto de pedra construído para receber a princesa Tereza Cristina de Bourbon, esposa do Imperador Dom Pedro II, em 1843.
A área corresponde à da atual Praça do Comércio, entre a avenida Barão de Tefé, a rua Sacadura Cabral e a lateral do Hospital dos Servidores do Estado. Nas cercanias do porto, existiam ainda armazéns, nos quais os negros recém-chegados eram expostos para venda; o Lazareto, local de tratamento dos doentes; e o Cemitério dos Pretos Novos, onde os que morriam logo na chegada eram enterrados.
Um dos desafios, agora, é a conservação do novo Patrimônio Mundial, uma missão prioritariamente do município do Rio de Janeiro. Com a aprovação da candidatura, no entanto, explica a presidente do Iphan, as três esferas de governo deverão elaborar políticas de preservação do espaço. "Assumimos um compromisso de que nos responsabilizaremos pela proteção desse sítio. Daí a importância de construirmos um museu do Valongo, que conte essa história", defende Kátia.
Representante da prefeitura do Rio na Polônia, a secretária municipal de Cultura, Nilcemar Nogueira, celebrou e pediu uma "reflexão para o futuro. Todos os brasileiros precisam entender o que significa o Valongo. É uma comemoração dolorosa, mas pode significar uma reflexão para o futuro. Espero que essa celebração sirva para nos unir, e não para dividir". O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, também comemorou. "Essa titulação nos impulsiona a repensarmos as memórias dolorosas do passado e colabora para a denúncia permanente de um processo histórico de violação dos direitos humanos. O Rio, neste momento, reafirma o orgulho e as conquistas do povo negro do Brasil."
As escavações do Cais do Valongo, iniciadas em janeiro de 2011, encheram sete contêineres, com milhares de objetos, como dentes de porco, colares e rochas. Entre as raridades, havia uma caixinha de joias, com desenhos de uma caravela e de figuras geométricas na tampa. Dentro dela, foram encontradas 1.700 miçangas com cerca de 1 milímetro de diâmetro. O material, quase 500 mil peças, está sob a guarda da prefeitura, em um dos galpões da Gamboa, que deveria abrigar o Laboratório Aberto de Arqueologia Urbana (Laau).
 
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