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Porto Alegre, domingo, 06 de agosto de 2017. Atualizado às 18h40.

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Opinião

Notícia da edição impressa de 07/08/2017. Alterada em 04/08 às 18h26min

Realidade Virtual e lentes de contato inteligentes: coisas do futuro ou uma realidade?

Luiz Alexandre Castanha
Se quando você pensa em Realidade Virtual, imagina algo distante no futuro, tenho uma novidade para contar: você está atrasado. A Realidade Virtual e a Aumentada já formam um mercado que movimenta US$ 5,2 bilhões. Os grandes nomes da tecnologia, como Google e Facebook, já estão aplicando a Realidade Virtual nos seus novos negócios, e a expectativa é que, em 2020, essas tecnologias movimentem cerca de US$ 162 bilhões, segundo dados da consultoria IDC.
Felizmente, o mercado brasileiro já mostra sinais de que está atento à nova tendência. Há algumas semanas, tive a oportunidade de participar de um painel sobre o assunto no 16º Tela Viva Móvel, em São Paulo.
O evento teve como foco a tecnologia mobile, e a Realidade Virtual foi um dos grandes temas do encontro. Participaram do painel representantes das empresas Samsung, Qualcomm e mobCONTENT e Beenoculus, sendo que todas já estão apostando nessa tecnologia.
Dos grandes players, o Google talvez tenha sido um dos mais ousados, arrisco dizer. Todos devem lembrar do Google Glass, óculos de Realidade Aumentada, que, apesar de muito interessante, enfrentou uma certa rejeição do público.
Na verdade, muitas pessoas queriam utilizá-lo e gostaram de como ele funcionava. Mas o gadget causava um certo medo nas pessoas ao redor, que ficavam com medo da possibilidade de estarem sendo gravadas.
Apesar de funcionarem bem, a tecnologia da Realidade Virtual já vê os óculos inteligentes como uma etapa passada. Hoje, a pesquisa gira em torno das lentes de contato inteligentes. Elas seriam muito mais práticas, discretas e possibilitariam experiências em primeira pessoa muito mais realistas.
Quem assistiu à série Black Mirror deve ter se lembrado do episódio "The Entire History of You", que apresenta uma realidade na qual praticamente todos os seres humanos (inclusive os bebês) possuem um implante atrás da orelha conectado com uma espécie de lente de contato, que grava os acontecimentos da sua vida, ininterruptamente. Nele, o uso da lente é visto como algo tão natural que o único personagem que não tem isso desperta curiosidade (e, até mesmo, certa rejeição) nos demais. Ainda não estamos nesse patamar, mas, imaginando todas as possibilidades, acredito que possamos chegar a uma realidade semelhante.
Nunca a tecnologia evoluiu com tamanha velocidade, por isso devemos ficar atentos a tudo o que está surgindo. E, para cada problema, existe alguém com uma solução. No caso das lentes de contato inteligentes, existem vários questionamentos sobre como ela seria carregada, já que é um dispositivo eletrônico que precisa de energia, como todos os outros.
Alguns especialistas afirmam que poderiam utilizar a energia motora para carregar uma espécie de "minibateria". Em outras palavras, a cada piscada, um pouquinho de energia seria gerado, e conseguiríamos manter as lentes em funcionamento sem maiores problemas.
Podemos imaginar o dispositivo sendo utilizado para ajustar a visão, reunir informações sobre a saúde do usuário, inserir elementos digitais no nosso campo de visão (no caso da Realidade Aumentada) ou ainda criar uma realidade totalmente virtual e nos permitir interagir com ela.
As duas primeiras possibilidades já existem e estão muito próximas da população. Uma empresa já possui lentes de contato multifocais que usam tecnologia similar à de uma câmera fotográfica para ajeitar o foco e a recepção de luz nos olhos, e ajustar com o cérebro. Outra comercializa lentes inteligentes que são capazes de acertar a visão de pessoas daltônicas, fazendo que elas enxerguem as cores normalmente. Esses dois produtos são alguns exemplos do que já temos acesso. E esse é só o primeiro passo para a Realidade Virtual e Aumentada.
Ainda acredito que veremos a utilização das lentes inteligentes como algo natural e o uso da Realidade Aumentada será como uma extensão do nosso próprio corpo. Eu entendo que parece futurista afirmar isso, mas tenho certeza de que essas tecnologias serão consideradas algo comum em muito pouco tempo.
Um caminho que considero extremamente positivo é unir essas tecnologias com a educação. Imagine como será muito mais interessante aprender sobre História, Química ou Geografia vivenciando os momentos mais importantes do assunto em questão. Ou como uma empresa poderá realizar treinamentos corporativos muito mais eficazes para seus funcionários. As possibilidades são infinitas.
Administrador de Empresas com especialização em Gestão de Conhecimento e Storytelling aplicado à Educação
 
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