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Porto Alegre, domingo, 16 de julho de 2017. Atualizado às 19h27.

Jornal do Comércio

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Notícia da edição impressa de 17/07/2017. Alterada em 14/07 às 19h38min

Reabilitação a galope

Serviço é oferecido pela Cavalo Amigo na Sociedade Hípica Porto-Alegrense

Serviço é oferecido pela Cavalo Amigo na Sociedade Hípica Porto-Alegrense


FREDY VIEIRA/JC
Samuel Lima
Há dois anos, o securitário Roberto da Silva recebeu uma notícia que mudaria para sempre a vida da família. O filho Nicollas, então com quatro anos, foi diagnosticado com distrofia muscular de Duchenne, doença genética severa caracterizada pela falta de uma proteína essencial para os músculos - sem ela, o músculo degenera progressivamente, dificultando os movimentos.
Desde então, ele trava uma verdadeira luta para buscar o tratamento do menino. A família conseguiu, por exemplo, liminar na Justiça que obrigou o Estado a importar medicação, ainda em fase experimental, dos Estados Unidos. E também se vira como pode para que Nicollas tenha melhora nos sintomas por meio de terapia ocupacional, fonoaudiologia, pedagogia, fisioterapia, todos na Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), e outro atendimento ainda pouco conhecido no País, mas que o pai garante dar resultado: a equoterapia.
Todas as terças-feiras, quando o tempo ajuda, os dois visitam a Sociedade Hípica Porto-Alegrense, na estrada Juca Batista, bairro Belém Novo. É lá que opera, há 18 anos, o Centro de Equoterapia Cavalo Amigo, uma das primeiras empresas a investir nesse tipo de serviço no Brasil, logo após o reconhecimento do método terapêutico pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), em 1997. Numa manhã ensolarada de julho, Nicollas montou faceiro no animal, auxiliado por quatro pessoas. Deu algumas voltas no terreno, devagar e sempre, até o final da sessão, que dura cerca de uma hora. "O balanço do cavalo estimula o movimento, que tem de ser dentro do limite, não pode ter sobrecarga", conta da Silva. A partir da terapia, que faz há um ano e meio, Nicollas reduziu o número de quedas e hoje se arrisca mais em alguns movimentos, segundo ele.
A Cavalo Amigo ainda atende crianças com paralisia cerebral, Síndromes de Down e de West, Transtorno do Espectro Autista (TEA) e distúrbios de aprendizagem, como o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). A terapia é por etapas, começando com a aproximação do praticante com o cavalo, ajudando a criança a vencer o medo, passando a mão na cabeça do animal. Este então a reconhece pelo cheiro e compreende que será montado. Depois, há de fato a montaria, realizada sempre com a companhia da equipe, formada hoje por 18 pessoas. A fase final é a despedida, que pode incluir a retribuição da criança ao animal pelo serviço prestado, dando a ele de comer.
O educador físico e coordenador da equipe, Sandro Fernandes, explica que a terapia traz ganhos psicossociais, como redução da ansiedade, criação de vínculo afetivo e melhora da autoestima; e também físicos, como tônus muscular, força, flexibilidade e equilíbrio. Silvia Scheffer, psicóloga e diretora técnica da Cavalo Amigo, acrescenta que a participação da criança dentro das baias, em atividades diárias como dar banho, alimentar, escovar os dentes e colocar a dormir, pode ajudá-la a ser mais sociável, responsável e organizada em casa. A recomendação é que a terapia dure pelo menos 12 meses antes da avaliação dos resultados, e não há limite de tempo para a prática.
A empresa cobra mensalidade a partir de R$ 780,00 para os atendimentos particulares, valor que não é dos mais acessíveis para a maioria da população. Mas existe um programa dentro do Centro de Equoterapia que incentiva empresas gaúchas tributadas pelo lucro real e pessoas físicas a apadrinharem crianças e adolescentes de baixa renda, pagando pelo atendimento e declarando esses valores como doações ao Imposto de Renda. Cerca de 300 pessoas estão hoje na fila de espera da Cavalo Amigo. Apenas três crianças da Cavalo Amigo são apadrinhadas atualmente, pelo grupo Codere (voltado ao turfe) e por uma senhora que prefere não se identificar. E uma delas é o Nicollas.
FREDY VIEIRA/JC
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