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Porto Alegre, domingo, 16 de julho de 2017. Atualizado às 19h27.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Com a palavra Fábio Speggiorin

Notícia da edição impressa de 17/07/2017. Alterada em 16/07 às 19h28min

Thyssenkrupp lança novo elevador e vê retomada do mercado

Fábio Speggiorin

Fábio Speggiorin


JEFFERSON KLEIN/ESPECIAL/JC
Jefferson Klein
A Thyssenkrupp Elevator está prevendo que, a partir de agora, o setor de elevadores voltará a registrar crescimento de vendas no Brasil, com o enfraquecimento da crise econômica e o aquecimento do setor da construção civil. Além disso, no cenário global, o vice-presidente mundial de desenvolvimento de produto da empresa, Fábio Speggiorin, lembra que recentemente a companhia apresentou na Alemanha (onde o grupo tem sede) seu mais novo produto: o Multi. Trata-se de um elevador sem cabos (opera com um sistema de trilhos e imãs) que permite o deslocamento de várias cabinas em um mesmo poço, nos sentidos vertical e horizontal. Com vendas de ¤ 7,5 bilhões no ano fiscal de 2015/2016, a Thyssenkrupp Elevator possui clientes em 150 países.
Empresas & Negócios - Qual a perspectiva para o mercado de elevadores no Brasil (atualmente, estimado em 10 mil unidades ao ano)?
Fábio Speggiorin - No Brasil, com certeza tivemos uma redução de vendas significativa, pela crise. Porém, estamos otimistas que, digamos assim, que para baixo não vai mais. A indústria inteira sentiu, a construção civil sentiu um baque muito forte, mas projetamos melhora. A gente já começa a ver que existe uma tendência de melhora no mercado.
Empresas & Negócios - Qual foi o tamanho do revés até o momento?
Speggiorin - Nesses últimos três anos, o mercado brasileiro reduziu de 30% a 40%.
Empresas & Negócios - É possível que a recuperação comece neste segundo semestre ainda ou será necessário um pouco mais de tempo?
Speggiorin - Para chegar ao nível que estava antes, a expectativa é de dois a três anos, no mínimo.
Empresas & Negócios - E como está o panorama de outros mercados?
Speggiorin - No caso dos Estados Unidos, o mercado retomou muito bem, recuperou-se da crise de 2008 e 2009 na área de construção e está muito aquecido. Estamos vendo que há uma contínua procura da construção civil. Na China, vemos uma desaceleração no crescimento. Não é uma redução muito significativa, mas parou de crescer. Outro mercado que estamos começando a explorar agora, que abrimos uma fábrica com capacidade para até 10 mil elevadores, é a Índia. O mercado indiano é de quase 55 mil elevadores por ano. O Brasil hoje representa um quinto disso. A Índia representa um grande potencial. Por outro lado, a Europa, um mercado bem tradicional, ainda está com dificuldades.
Empresas & Negócios - Quais são os planos que a empresa tem para a sua fábrica em Guaíba?
Speggiorin - Não posso falar muito, mas tem um produto que vai ser lançado no próximo ano que vai revolucionar a nossa indústria em termos de elevadores sem casa de máquina. Tem uma nova geração de elevadores sem
casa de máquinas chegando no Brasil no ano que vem que está sendo feita por engenheiros gaúchos. Cada vez mais estamos investindo em Guaíba, porque a capacitação e os custos dos engenheiros brasileiros são bem interessantes em âmbito mundial. Temos casos de produtos desenvolvidos em Guaíba funcionando na China e em vários prédios dos Estados Unidos. E na planta em si estamos cada vez mais trabalhando com novos produtos.
Empresas & Negócios - Em junho foi realizada a primeira operação do Multi. Quais as características desse produto?
Speggiorin - No final de 2014, anunciamos mundialmente que iríamos começar a trabalhar nesse projeto e, com isso, teríamos até 2017 um produto funcionando na nossa torre de testes. Simplesmente é pegar a ideia básica de um trem elétrico, um trem bala, com imãs, e colocar na horizontal e vertical. No começo a ideia parecia maluca, mas sabíamos que tinha como fazer. Esse produto abre uma oportunidade enorme para a construção civil. É uma tendência muito grande de que a população mundial migre para as cidades maiores. Há estudos que apontam que as cidades vão ter mais em torno de 2 bilhões de pessoas em 20 ou 30 anos. Obviamente, isso só será possível se os prédios tornarem-se mais altos ou pelo menos interligarem-se para as pessoas terem mais área para serem utilizadas.
Empresas & Negócios - Essa interligação é o "pulo do gato" do Multi, o grande atrativo dele?
Speggiorin - Exatamente. São dois grandes fatores. O primeiro é justamente a interligação, poder fazer o movimento horizontal. O outro é que não existe mais limitação de altura. Prédios em 600 a 700 metros enfrentam uma limitação física, porque com o sistema tradicional de elevadores o cabo que suspende a cabina tem problemas de elasticidade a partir dessas alturas. Por isso, é muito difícil romper esse limite.
Empresas & Negócios - Então não será por problemas com elevadores que os prédios não poderão atingir alturas maiores?
Speggiorin - Correto. Porque agora o elevador não está mais suspenso, é como um trilho de trem, com imãs. Temos um grande cliente em Dubai, com um empreendimento de mais de 800 metros, que entrou em contato conosco, porque viu essa inovação. Há uma ideia de um construtor que quer fazer um prédio de uma milha (1,6 mil metros) e claro que o Multi seria um grande candidato para esse edifício.
Empresas & Negócios - Qual é o potencial de vendas desse produto?
Speggiorin - É muito difícil estimar isso. Como o Multi é uma inovação, vai abrir mercados que na verdade nem conhecemos ainda. O primeiro produto vamos entregar para o cliente em 2020, para um edifício em Berlim. Já mostramos (o equipamento) na torre de testes, mas o produto não está certificado, então tem todo um processo de certificação para instalar no prédio.
Empresas & Negócios - O custo do Multi é muito maior do que um modelo tradicional?
Speggiorin - É em torno de três a cinco vezes superior. Mas, tem benefícios. Por exemplo, você tem um prédio que precisa de 10 poços de elevadores, imagina poder reduzir pela metade isso e poder alugar mais salas.
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