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Porto Alegre, domingo, 16 de julho de 2017. Atualizado às 19h27.

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Notícia da edição impressa de 17/07/2017. Alterada em 14/07 às 18h42min

Investidor resiste à crise e aposta no Brasil

Juros locais acima da média de nações semelhantes é uma variável local específica que tem beneficiado o País

Juros locais acima da média de nações semelhantes é uma variável local específica que tem beneficiado o País


/Freepik/Divulgação/JC
A disposição em investir no Brasil parece imune às más notícias. Enquanto a economia patina, as reformas econômicas balançam e o presidente Michel Temer é denunciado por corrupção, os investidores mostram uma tolerância surpreendente. É certo que o País conseguiu acumular um volume respeitável de reservas internacionais e exibir uma inflação em níveis historicamente baixos, o que o protege de possíveis choques.
Mas os fluxos de recursos respondem muito mais a um cenário de ampla liquidez global e a uma disposição maior a correr riscos que coloca não só o Brasil, mas os emergentes de uma maneira geral, no centro das atenções. "O mundo cresce sem inflação, o que afasta o medo de uma disparada dos juros globais e gera um otimismo geral. O investidor fica mais propenso a investir, inclusive em emergentes", diz Luiz Gustavo Cherman, estrategista da Itaú BBA Corretora.
É essa a principal explicação para o comportamento aparentemente errático do investidor, que primeiro ansiava por uma troca de governo que organizasse de vez as contas públicas, depois passou a apostar as fichas na reforma da Previdência, atrelando a recuperação econômica a ela, e agora parece aceitar que isso fique para depois das eleições.
"Metade dos investidores acredita que dá para passar a reforma da Previdência com uma idade mínima e outra metade avalia que não dá, mas que isso não é o fim do mundo, dado que nenhum outro país emergente está propondo reformas tão ambiciosas", afirma João Augusto de Castro Neves, da consultoria Eurasia. "E isso também explica em parte a tolerância do estrangeiro", afirma.
A condescendência dos investidores com o risco político global vai muito além do Brasil e engloba as incertezas causadas por Donald Trump, nos EUA, Recep Erdogan, na Turquia, ou mesmo pelo Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia, diz Marco Casarin, economista-chefe para América Latina da consultoria inglesa Oxford Economics.
Uma variável local bem específica a manter o Brasil na mira do investidor externo, diz Casarin, seriam os juros locais acima da média de países semelhantes. "Num mundo de juros extremamente baixos, o Brasil continua oferecendo rendimento muito decente, mesmo com juros cadentes", diz. Na bolsa, diz Cherman, da Itaú BBA Corretora, a história é um pouco diferente.
No acumulado do ano, em dólar, a bolsa brasileira cresce 2%, mas tem o segundo pior desempenho entre os mercados emergentes, à frente apenas da Rússia, que apresentou queda de 10%. Ainda assim, o fluxo de estrangeiro prevalece em relação aos locais. "Se alguém está investindo na bolsa são os estrangeiros. Sem eles, estaria pior", afirma Cherman.
Para Castro Neves, uma das razões para a disposição do estrangeiro, além da ampla liquidez, seria a possibilidade de diversificação, que abre espaço para que tolere ganhar menos ou até mesmo perder em um mercado para compensar em outro.
Já o brasileiro, bem mais exposto ao dia a dia local, oscilaria mais do otimismo ao pessimismo. João Pedro Ribeiro, economista do Banco Nomura em Nova Iorque, diz que, quando se dispõe a olhar o que está acontecendo no país, o investidor estrangeiro tende a afastar a possibilidade de ruptura da política econômica, ao avaliar que, mesmo se o presidente Temer sair do poder, a equipe que toca a economia permanecerá.
Cherman diz não ser possível dizer se esse bom humor todo tem prazo de validade. Ele lembra que um indicador que mede a propensão a tomar risco do investidor global caiu para os níveis mais baixos em muitos anos. O VIX (Volatility Index) estava em 23 há um ano e meio e hoje está em 11. "Se eu fosse escolher um lado, escolheria o daqueles que avaliam que o provável é que indicador deve subir."
Uma saída agressiva dos investidores do mercado brasileiro não está no horizonte dos especialistas, mas os riscos a esse cenário de quase calmaria não devem ser desprezados. O risco fiscal, por exemplo, impõe um viés de depreciação para o câmbio, ainda que de forma bastante contida.
Ribeiro diz que o dólar próximo de R$ 3,30 não reflete a instabilidade política e toda a dinâmica de atraso da reforma da Previdência. "Por isso, a nossa posição é de recomendar a compra de dólar e venda do real. Esperamos que o dólar se aprecie ante o real nas próximas semanas ou meses", diz. Ele não crê no dólar de volta a R$ 4,00, por exemplo, e diz que a expectativa para o Brasil é negativa, mas está controlada.
Castro Neves afirma que uma mudança brusca da economia global, com o banco central americano elevando juro em ritmo mais forte e a economia da China desacelerando bruscamente e levando à queda de commodities, afastaria o investidor do Brasil. Assim como, do lado interno, sinais de um duplo mergulho na economia (uma nova recessão) ou manifestações nas ruas. "Mas é muito improvável que tudo ocorra simultaneamente para azedar o cenário", diz ele.
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