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Porto Alegre, quarta-feira, 21 de junho de 2017. Atualizado às 23h50.

Jornal do Comércio

Política

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operação lava jato

Notícia da edição impressa de 22/06/2017. Alterada em 21/06 às 21h45min

Temer teria indicado Yunes em causa de R$ 50 milhões

Joesley Batista deixa a superintendência da Polícia Federal, em Brasília, após prestar depoimento

Joesley Batista deixa a superintendência da Polícia Federal, em Brasília, após prestar depoimento


WALTERSON ROSA/FRAMEPHOTO/FOLHAPRESS/JC
O empresário Joesley Batista, da JBS, relatou à Polícia Federal (PF), em depoimento na Operação Patmos, desdobramento da Lava Jato, que o presidente Michel Temer (PMDB) tentou incluir o advogado José Yunes "para intermediar um acordo com uma empresa em disputa judicial em andamento contra o Grupo J&F". Segundo o executivo, o negócio renderia cerca de R$ 50 milhões a Yunes.
"O acordo não foi para a frente, mas quem ficou designado para tratar foi Francisco de Assis, do jurídico da J&F, no entanto, este não sabia que se tratava de um pedido do presidente Michel Temer", relatou o empresário, que não informou qual negócio teria sido este.
Joesley depôs no dia 16 de junho. Ele citou o advogado Yunes, após elencar à Polícia Federal "vantagens" que teria prestado ao presidente. O empresário apontou, além da intermediação de Yunes, o empréstimo de seu avião para Temer "levar a família em uma viagem de férias para a ilha de Comandatuba, na Bahia".
Yunes foi assessor especial de Temer na Presidência. Caiu do cargo quando foi citado na delação do ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho, em dezembro do ano passado. Segundo o executivo da empreiteira, Yunes teria recebido dinheiro vivo supostamente destinado a Temer pela Odebrecht, em 2014.
O advogado nega ter operado dinheiro de campanha para o PMDB. José Yunes afirma que recebeu um pacote do doleiro Lúcio Funaro, a pedido do hoje ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB), um mês antes da eleição presidencial de 2014 que reelegeu a chapa Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer, mas alegou que não viu o conteúdo.
O criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, advogado de Michel Temer, afirmou: "Não vamos responder, pois, na verdade, um relatório deveria ser apenas um relato das investigações, e não uma peça acusatória. Autoridade não acusa, investiga". A reportagem contatou o advogado José Yunes, mas não obteve retorno.
 

Advogado da JBS diz que revisão seria 'golpe de morte' nas delações

O advogado Pierpaolo Bottini, contratado pelos empresários Joesley e Wesley Batista, declarou nesta quarta-feira, no Supremo Tribunal Federal (STF), que haverá um "golpe de morte no instituto da delação premiada" se a corte decidir rever pontos específicos do acordo da JBS com o Ministério Público. Bottini se manifestou no início da sessão que vai definir se pontos específicos do acordo podem ser revistos pelo plenário, mesmo depois de feita a homologação por parte do relator, ministro Edson Fachin. O tribunal também deve decidir hoje se Fachin continua com a relatoria do caso, ou se a delação será sorteada para outro ministro.
"Rever esse acordo no presente momento é um golpe brutal na segurança jurídica, vai gerar frustração na confiança que o cidadão deposita no poder público. Todos aqueles que desejam colaborar vão perceber a fragilidade dos pactos firmados entre o cidadão e o poder público", protestou Bottini.
O advogado também rebateu o argumento de que a homologação do acordo de delação deve ser feita apenas pelo ministro relator, sem passar pelo plenário. Isso porque, na primeira instância, a tarefa cabe ao juiz da causa, e não a um colegiado. Bottini defendeu a legitimidade da delação dizendo que, por conta dos depoimentos e provas apresentadas pelos executivos da JBS, já foram apontados crimes supostamente cometidos pelo presidente da República, cinco ministros de Estado, seis senadores, 15 deputados federais, quatro governadores e um procurador da República.
Bottini defendeu ainda que Fachin seja mantido na relatoria da delação, que resultou na abertura de um inquérito no STF contra o presidente Michel Temer e outro para investigar o senador afastado Aécio Neves, além de outras investigações em instâncias inferiores. Ele explicou que o caso foi encaminhado diretamente ao gabinete de Fachin, sem sorteio, porque o ministro estava "prevento" para o caso, por já ser relator de outros processos sobre assuntos irregularidades no FI-FGTS e por ilegalidades na gráfica Focal, contratada pela chapa Dilma-Temer na eleição de 2014.
Outros dois advogados também se manifestaram no STF, mas contra o acordo. Eles argumentaram que o caso não poderia ter sido mandado diretamente a Fachin, porque não se tratava da Operação Lava Jato.
No próprio acordo de colaboração não houve menção de que os termos seriam vinculados à Operação Lava Jato - disse Gustavo Passarelli, advogado do governador do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, autor dos questionamentos julgados no STF.

Funaro entrega à polícia registro de ligações de Geddel

O corretor de valores Lucio Funaro, preso pela Operação Lava Jato, entregou à Polícia Federal registros de chamadas telefônicas que o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) fez para sua mulher, Raquel, por meio do aplicativo WhatsApp.
Funaro quis comprovar o que disse à PF no inquérito que investiga o presidente Michel Temer (PMDB) e o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB): que Geddel ligou para sua mulher várias vezes "sondando" sobre a possibilidade de ele, Funaro, fechar acordo de delação. O inquérito foi aberto a partir da delação da JBS.
Os registros das ligações, "prints" (imagens) das telas do celular da mulher de Funaro, mostram 12 ligações de "Carainho" - apelidado dado a Geddel na agenda telefônica de Raquel - em oito dias diferentes, após a imprensa divulgar a delação da JBS.
O número atribuído a "Carainho" na agenda, com código de área de Salvador, coincide com o número de celular de Geddel, segundo a reportagem apurou. Em depoimento, Funaro, que estaria negociando um acordo de delação premiada, disse que estranhou os telefonemas do ex-ministro para sua mulher para sondá-la sobre o "ânimo" dele para fazer delação.
A primeira ligação de Geddel, segundo os registros, foi às 22h59min de 17 de maio - horas após a divulgação da delação da JBS pelo jornal O Globo. A segunda ligação foi à 1h07min de 18 de maio. Outras ligações, conforme os registros, foram feitas entre 20 de maio e 1 de junho.
Em depoimento à Polícia Federal, o diretor da J&F Investimentos e ex-diretor de relações institucionais da JBS, o advogado Francisco de Assis e Silva, que também fez acordo de delação premiada, disse que "trocou inúmeras mensagens com Geddel acerca de Lucio Funaro".
Havia uma dúvida frequente, segundo Silva, nestes termos: "Oi, tudo bem? Como está o passarinho". As mensagens eram trocadas, de acordo com Silva, por um aplicativo programado para destruir as mensagens após a leitura, e, por isso, o advogado disse que não tinha cópias delas para apresentar à PF. Silva contou que "todos esses contatos" com Geddel eram "imediatamente comunicados" a Joesley. "Geddel Vieira Lima era uma pessoa que fazia a interface entre Joesley e o Planalto. Segundo Joesley, falar com Geddel era o mesmo que falar com Michel Temer", disse o advogado.

Criminalista afirma que José Yunes nunca atuou para JBS ou J&F

O criminalista José Luís Oliveira Lima, que defende o advogado José Yunes, disse, na tarde de ontem, que seu cliente nunca atuou em processo envolvendo a J&F ou JBS. A afirmação foi em resposta às declarações do empresário Joesley Batista à PF quando disse que Michel Temer (PMDB) tentou incluir Yunes "para intermediar um acordo com uma empresa em disputa judicial em andamento contra o grupo".
"O dr. José Yunes tem mais de 50 anos de advocacia e jamais necessitou de qualquer interferência para atuar em demandas judiciais. Nunca atuou como advogado em processo envolvendo a J&F ou JBS", disse Oliveira Lima. Yunes foi assessor especial de Temer na presidência e saiu do cargo quando foi citado na delação do ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Oliveira Lima.
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