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Porto Alegre, quarta-feira, 21 de junho de 2017. Atualizado às 17h11.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Notícia da edição impressa de 19/06/2017. Alterada em 18/06 às 19h52min

Indisciplina escolar forma geração desorientada

Quando as escolas públicas perdem alunos anualmente, ficam-se a perguntar o que está ocorrendo. Escolas públicas têm cartaz anunciando que têm vagas. E isso há mais de um ano. A maioria não aceita o que está acontecendo nos colégios nos dias atuais, que é a indisciplina. Suspiros de pais e avós saudosos dos tempos em que os alunos se levantavam quando o professor entrava na sala, silêncio quase absoluto, e onde o mestre sempre era visto como alguém mais experiente, mais culto, educado e, obviamente, mais idoso. E esses eram predicados e pressupostos valorizadíssimos então.
Mas estamos convivendo hoje com a geração que se criou vendo desenhos onde predomina a violência, e também aquelas crianças que foram cuidadas não apenas pela tevê, a "babá eletrônica", mas também diante dos computadores. São mesmo uma maravilha tecnológica inigualável e que mudaram as comunicações e as relações pessoais e coletivas. As crianças e os jovens de agora viverão em um mundo que nós, os mais velhos, jamais conheceremos, apenas podemos imaginá-lo a partir dos avanços espetaculares dos últimos 10 ou 15 anos, talvez até menos.
Mas há instrumentos que também são alienantes, deseducadores da língua e propagam a superficialidade dos contatos, além de permitirem um anonimato que esconde os piores instintos.
Elevar a inteligência sem torná-la pernóstica é o conselho dado aos que querem chegar ao poder e serem lembrados pelas gerações futuras. Motivo de piadas, o fato é que temos uma porção de frases rebuscadas para explicar o que está ocorrendo. Desde "um novo olhar sobre a educação", passando pela "reconstrução de modelos escolares", atitudes melhores "enquanto" professores e colégios para chegarmos à palavra que ninguém sabe bem o que representa, a ação "republicana" para que a estrutura de ensino seja melhorada. Amores e virtudes são os princípios basilares e conservadores das famílias, povos e nações. Isso é o que está faltando. A família deixa a educação curricular e a geral com a escola. Essa enfrenta tipos de formação familiar diferentes, começando pela antiga, mas sempre vigente, atitude de que "é proibido proibir". Não, não só não é proibido, como a criança e o adolescente que não têm limites impostos julgam-se desamados. Acabam se desajustando e pagando um alto preço quando se tornam inconvenientes junto aos colegas, aos amigos e nos empregos. Saem perdendo, é inexorável. A exclusão se dá ao natural, de alguma forma.
Por aí não surpreende que morram mais adolescentes ou jovens adultos de maneira violenta do que nas outras faixas etárias da população brasileira. Deslocado na família que não lhe dá atenção, justamente porque tudo lhe permite; senhor da razão na escola, porque "sou eu que paga o teu salário" no enfrentamento com os professores, resta aos adolescentes o caminho das drogas. Não se justifica, por si só, que ganhar pouco ou a rebeldia leve às drogas ou ao crime. Ou teríamos algumas dezenas de milhões a mais de brasileiros comprando drogas e criminosos.
Saibam, pais e professores, que a melhor doutrina é aquela que nos faz melhores e mais justos, seja nas famílias ou nas escolas. Os jovens jamais poderão conhecer e avaliar a verdadeira felicidade sem haver tomado lições na escola da adversidade. Impor regras, dar limites e dizer que são normas que não caducam.
Da mesma forma, os moços estouvados ainda são menos incômodos do que os idosos imprudentes ou que praticam o relativismo moral que é aceito por muitos, como acontece entre alguns políticos. Mais educação na família e nas escolas, é preciso. Então vamos salvar o futuro do Brasil, que está nas escolas, sejam públicas ou particulares.
 
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Comentários
Anselmo Heidrich 21/06/2017 13h07min
Desculpe, o tema é fundamental, mas faltou asseverar as palavras repressão e punição, sem hipocrisia. Tenho 51 anos e 25 de sala de aula e a indisciplina cresceu com o fim do regime militar (e não estou fazendo apologia a tal), basicamente porque com seu fim houve uma confusão até certo ponto intencional entre a filosofia política que norteou as reformas curriculares com a metodologia de ensino. Ou seja, "se jogou o bebê fora junto com a água suja da banheira". As tecnologias vieram muito depois