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Porto Alegre, domingo, 23 de julho de 2017. Atualizado às 22h50.

Jornal do Comércio

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Saúde

Notícia da edição impressa de 24/07/2017. Alterada em 23/07 às 21h11min

Psiquiatra defende prevenção ao álcool para combater o crack

Isabella Sander
Um dos grandes problemas de saúde pública no Brasil, o consumo de crack exige soluções práticas e profissionais dispostos a "arregaçar as mangas". A afirmação é do psiquiatra e psicanalista Sérgio de Paula Ramos, doutor em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e ex-presidente da Associação Brasileira de Álcool e outras Drogas (Abead).
Atuando há 40 anos no tratamento de dependências químicas, ele diz que a comunidade científica e os serviços de amparo sabem o que fazer para combater o vício. O médico propõe a prevenção ao consumo de álcool como combate ao uso posterior de crack.
O objetivo é construir uma política pública que abranja tanto a droga lícita quanto a ilícita, reduzindo seu consumo e sua oferta na sociedade. No Brasil, conforme o psiquiatra, a porta de entrada para o crack é o álcool, o que faz com que essa seja a primeira substância a ser combatida. "Os gaúchos são os primeiros a começar a beber. Se aos 12 anos uma criança já bebe, aos 14 pode estar fumando maconha e, aos 15, usando cocaína. O crack é apenas o estágio final", observa.
Para isso, Ramos sugere medidas semelhantes às aplicadas no combate ao tabagismo, que reduziu a taxa de fumantes de 48%, nos anos 1970, para 17%, atualmente. "Inicialmente, é preciso erradicar totalmente o consumo de álcool por menores de idade. Em segundo lugar, a propaganda de produtos alcoólicos deve ser proibida", pontua. Com tais medidas, o início do uso de bebidas alcoólicas é retardado para uma idade na qual o indivíduo já está mais maduro para decidir seus rumos e não ir pelo caminho que leva ao crack.
Além disso, Ramos reitera que é necessário oferecer tratamento para os usuários de crack. "Não há oferta de tratamento de nenhum tipo. Atualmente, se interna os dependentes por 10 a 15 dias, o que é jogar dinheiro fora, uma vez que apenas depois de três meses sem drogas o cérebro começa a ser normalizado", explica. Nas cracolândias, 70% das pessoas gostariam de receber tratamento, mas não têm acesso. O caso dos outros 30% precisaria ser analisado por autoridades jurídicas e técnicas, em conjunto.
Para o médico, há dinheiro para a implantação de tal política pública, mas é consumido pela corrupção na política. "Os trustes econômicos fazem a política do Brasil. Em um cenário no qual quase 80% dos atuais deputados federais obtiveram doações das mesmas empresas, é claro que os projetos de restrição à bebida alcoólica, por exemplo, não andam", critica.
Além da corrupção, Ramos considera que a ideologia é outro empecilho para a oferta de tratamento adequado. "O movimento antimanicomial existe por ideologia, porque não se sustenta cientificamente. Há casos em que a internação é necessária, mas é preciso normatizar o processo. Temos critérios médicos e psiquiátricos para isso", garante.
 
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