GE - caderno especial sobre franquias, 
Matéria com franqueados do Mundo Verde, Laura Ullmann e o sócio Felipe Azevedo
fotos do interior e fachada da loja,  dos produtos naturais e orgânicos Laura Ullmann e Felipe Azevedo administram duas unidades da Mundo Verde em Porto Alegre Foto: MARCELO G. RIBEIRO/JC

Do desejo de virar uma franquia à consolidação da marca: conheça empreendedores que passam por essas etapas

Só se fala em franquias. Isto porque começou ontem, e segue até sábado, a ABF Franchising Expo, em São Paulo

No último ano, o franchising faturou mais de R$ 150 bilhões no Brasil, com 142,6 mil unidades em operação, dos mais diversos segmentos. E, no primeiro semestre deste ano, a receita do mercado cresceu 9,4% nominalmente em relação ao mesmo período de 2016. O faturamento passou de R$ 33,710 bilhões para R$ 36,890 bilhões, revela a Pesquisa Trimestral de Desempenho do setor, realizada pela Associação Brasileira de Franchising (ABF). Veja histórias por trás desses números no Rio Grande do Sul. 

Curti o conceito e virei franqueada

Quando o empreendedor busca uma franquia na qual investir, diversos pontos são levados em consideração. Para Laura Ullmann, 30 anos, não foi diferente. Sua formação, no entanto, teve papel importante na escolha pela Mundo Verde (rede de lojas de produtos naturais, orgânicos e de bem-estar). Nutricionista, formada na Pontifícia Universidade Católica (Pucrs), Laura clinicava, mas mantinha um desejo consigo. "Sempre tive a vontade de ter um negócio próprio", expõe. Hoje, a empreendedora, junto do marido Felipe Teixeira, 32, administra duas lojas da marca: uma no bairro Bela Vista e outra no Shopping Iguatemi, ambas em Porto Alegre.
A nutricionista já conhecia - e indicava - os produtos da Mundo Verde. Mas em meio à realização de sua pós-graduação esteve no Rio de Janeiro, cidade sede da franqueadora, e a vontade se materializou. Conversando com uma colega que trabalhava na rede, decidiu que era hora de começar. Junto com a mãe - que é sua sócia -, investiu na marca e, em 2011, na avenida Nilópolis nº 543, bairro Bela Vista, abriu sua primeira unidade. A segunda, no Shopping Iguatemi, foi inaugurada há cerca de um ano.
"Meu maior desafio foi administrar", aponta Laura, completando que o gerenciamento de pessoal é um dos fatores administrativos mais complexos para quem vem de uma área completamente distinta. "Montar uma equipe, engajar, motivar, dentro de qualquer negócio, é difícil", salienta.
Para ultrapassar as barreiras iniciais, a franqueadora disponibiliza treinamento presencial e a distância - através da Universidade Mundo Verde -, que inclui provas para os funcionários. Além disso, o franqueado recebe os serviços de uma nutricionista para treinar os colaboradores.
"E tem muito fornecedor que também se oferece para treinar a respeito dos seus produtos, porque é uma venda muito técnica", lembra Felipe. Os dois afirmam que, por receberem muitos clientes com problemas de saúde e restrições alimentares, a oferta precisa ser exata. Erros podem ocasionar graves problemas.
O ponto de equilíbrio financeiro da unidade Bela Vista, segundo Laura, foi atingido com cerca de oito meses de atividade. No Iguatemi, com a experiência acumulada, o tempo caiu para dois meses.
Em relação aos padrões impostos pela franqueadora, Laura admite que a Mundo Verde é bastante flexível. Mesmo os produtos da marca, que obrigatoriamente precisam estar presentes na loja, têm sua quantidade estipulada unicamente pelo franqueado. O investimento inicial, descrito no site da marca, fica entre R$ 300 mil e R$ 400 mil.

Sou o fundador de uma marca que agora tem vários donos

Andreas criou a Spirito Santo em 2006. Até 2020, planeja ter 50 unidades pelo Brasil Andreas criou a Spirito Santo em 2006. Até 2020, planeja ter 50 unidades pelo Brasil Foto: JONATHAN HECKLER/JC
Andreas e Frederico Renner Mentz, 39 e 36 anos, respectivamente, são irmãos e sócios da marca de roupas masculinas Spirito Santo, fundada pelos dois em 2006. Foi depois de seis anos de mercado que abriram a primeira loja franqueada, em Porto Alegre. Hoje, são 25 unidades, incluindo o e-commerce, que se espalham pelo Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. Em um mês, inicia-se a operação em São Paulo e, com isso, o desafio de cruzar de vez as fronteiras do Sul do País e crescer do Sudeste para cima.
De uma família de empreendedores (Andreas e Frederico são bisnetos de A. J. Renner, o fundador das tradicionais loja de roupas e das tintas de mesmo nome, entre outros negócios), os irmãos começaram trabalhando na indústria têxtil da família (também fundada pelo bisavô), que fornecia ternos e peças de alfaiataria para marcas como Aramis, TNG, C&A, Brooksfield e, posteriormente, Calvin Klein e Christian Dior. Dentro da fabricante, que produzia cerca de 20 mil ternos por mês, havia uma pequena linha para desenvolvimento de produtos próprios, onde os irmãos conseguiam desenvolver ternos diferentes e testar novas propostas para vender em lojas menores. "Eram modelos mais descolados, que atendiam uma demanda crescente de gente jovem que estava entrando no mercado de trabalho", conta Andreas. A indústria da família acabou fechando e da certeza do apelo do consumidor pelo tipo de produto nasceu a Spirito Santo. "Eu dormi preocupado e acordei feliz", resume Andreas, sobre o dia seguinte ao fechamento da empresa. Isso porque, a partir dali, teria a independência para recorrer aos mais diversos fabricantes e fornecedores, característica que a marca conserva até hoje. "A gente montou a Spirito Santo baseada no produto, é o nosso foco. Casual com cuidado de alfaiataria", apresenta.
Desde o início, a ideia dos irmãos era abrir franquias. Mas o momento chegou somente quando eles sentiram que o negócio estava lucrando a ponto de ser rentável para franqueador e franqueado. "Esse modelo é uma forma de crescer em conjunto", afirma o gestor. O know-how necessário veio das três lojas próprias da marca, que têm formatos diferentes. "A da 24 de Outubro é uma loja de rua. Temos a do Iguatemi, que é uma experiência de grande shopping, e a do Shopping Moinhos, que é uma loja bem pequena", explica. "O conceito de franquia é pegar tudo o que já sofreste e fazer o franqueado não precisar passar por isso." Atualmente, a procura de interessados em abrir franquias da Spirito Santo é bastante intensa. Os critérios de seleção, aponta Andreas, são baseados em dois aspectos.
Em primeiro lugar, o franqueado precisa ter todo o capital disponível para iniciar a operação - mínimo R$ 250 mil. "Varejo é emoção, é teste e acerto. Não posso ter um franqueado nervoso com uma conta pendente", aponta. O segundo critério são os valores da pessoa serem compatíveis com os seus. "Porque, depois que a gente fecha o contrato, vira uma relação intensa. Então, é fundamental termos valores alinhados", justifica. A meta da marca é de chegar a 50 lojas até 2020.

Possuo um negócio e quero transformá-lo em uma rede

A Poke's, aberta no ano passado no Estado, quer virar franquia em 2018 com três modelos de operações A Poke, aberta no ano passado no Estado, quer virar franquia em 2018 com três modelos de operações Foto: FREDY VIEIRA/FREDY VIEIRA/JC
Poke é um prato havaiano frio que combina ingredientes nutritivos e leves: arroz, peixes crus, molhos, vegetais e frutas. Com bastante influência da cozinha oriental e servido em um pote, é uma refeição ideal para o verão, que combina com praia, exercícios e ar livre. E foi em Porto Alegre, uma das capitais com o inverno mais rigoroso do Brasil, que nasceu o Poke's, restaurante que serve a opção no Trend Mall (avenida Ipiranga, nº 40). Aberto em abril de 2016, por Lauro Cardon, 27 anos, Rafael Otto, 27, e Sergio Alvarenga, 38, transformar a marca em franquia sempre esteve nos planos dos sócios - justamente para conquistar locais mais calientes. Mas este processo, que eles achavam que levaria de dois a três anos para começar, está acontecendo agora.
"Fomos pulando etapas, porque tudo aconteceu mais rápido do que planejamos", conta Lauro. A empresa está na fase de escolha da consultoria que irá fazer o estudo de franqueabilidade - que leva de seis a oito meses e que aperfeiçoa o modelo de negócio para estar apto a franquear. Serão feitas análises internas, pesquisa de mercado e expansão, manualização e padronização de todos os processos internos, aspectos fundamentais para replicar um negócio. "A padronização vai até a quantidade de material de limpeza e a maneira de fazer a higienização", dimensiona ele.
O objetivo dos sócios, com o tempo, é se distanciar da loja física para passarem a cuidar somente dos processos de aperfeiçoamento, melhoramento de produto e suporte gerencial das franquias. "Estamos atrás de pessoas que queiram empreender com a gente", diz. A previsão é iniciar esta etapa em 2018. Enquanto isso, a Poke's irá testar a experiência licenciando a marca para operadores de Garopaba. E também não para por aí. Em julho, se iniciam as operações do Met's, um restaurante dentro do Poke's que servirá comidas quentes e pratos com cara mais urbana. De um lado, para sanar a lacuna sazonal do mercado gaúcho, de outro, para implementar o modelo store in store, muito popular nos Estados Unidos, e ampliar o leque de opções de franquia. "O franqueado poderá escolher abrir um Poke's, um Met's ou uma loja híbrida com os dois", reforça Lauro.

RS é o quinto maior mercado de franchising do País

O Rio Grande do Sul é o quinto maior mercado em franquias do País. Segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o Estado se destaca por representar 27,8% do segmento na região Sul. Neste cenário, muitas redes estão em busca de franqueados nas cidades gaúchas. Conheça algumas redes daqui associadas à ABF:
VIDA DE OURO CORRETORA DE SEGUROS E PREVIDÊNCIA
Investimento total:
R$ 15 mil
PADRÃO ENFERMAGEM
Investimento total:
R$ 58 mil a R$ 83 mil
BEDEN SLEEP COMFORT
Investimento total:
R$ 120 mil a R$ 210 mil
SUBSTÂNCIA
Investimento total:
R$ 130 mil a R$ 290 mil
BELLA GULA
Investimento total:
R$ 200 mil a R$ 550 mil
CAFE BARBERA SINCE 1870
Investimento total:
R$ 206,4 mil a R$ 465 mil
USAFLEX
Investimento total:
R$ 250 mil a R$ 300 mil
LOJAS CALCI
Investimento total:
R$ 277 mil a R$ 593 mil
DENTAL ARTE
Investimento total:
R$ 280 mil a R$ 355 mil
DOCTOR MED CLÍNICA MÉDICA PARTICULAR
Investimento total:
R$ 330 mil a R$ 900 mil
CALÇADOS BIBI
Investimento total:
R$ 430 mil a R$ 520 mil
CAPODARTE
Investimento total:
R$ 425 mil a R$ 520 mil
MAKE-UP ESTÉTICA AUTOMOTIVA
Investimento total
R$ 430 mil a R$ 580 mil
TEVAH
Investimento total:
R$ 453 mil a R$ 775,5 mil
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