As irmãs Eulália e Alzira, da Delícias Portuguesas As irmãs Eulália e Alzira, da Delícias Portuguesas Foto: NAURO JUNIOR/NAURO JúNIOR/DIVULGAÇÃO/JC

Os empreendedores por trás da doçura de Pelotas

O que o turista encontra na capital nacional do doce

Pelotas vive clima de festa até 18 de junho. O motivo: a Fenadoce. Durante a feira, que está em sua 25ª edição, o doce recebe todas as atenções de quem visita a cidade. Por trás dos quindins, camafeus, toucinhos do céu e bem-casados, há pessoas que constroem suas trajetórias baseadas nos prazeres que as iguarias provocam.
Nos 18 dias de evento, são comercializados números volumosos. Em 2016, a Fenadoce vendeu mais de 2 milhões de unidades, o que movimentou aproximadamente R$ 28,8 milhões. E a região aproveita a população migratória para divulgar suas outras potencialidades. "Do sal ao açúcar. Nossa maior riqueza é a diversidade", diz a prefeita Paula Mascarenhas (PSDB), incluindo a fama do charque entre os atrativos da gastronomia local.
Assim como as atrações comestíveis e turísticas, a diversidade perpassa as etnias que convivem em Pelotas. Franceses, italianos, africanos e portugueses desembarcaram na Princesa do Sul (apelido da cidade) e formaram famílias. Eulália Duarte, 59 anos, saiu de Portugal, em 1964, com os pais, que abriram uma padaria no município. Hoje, ela e outras duas irmãs são as donas da marca Delícias Portuguesas.
O empreendimento produz entre 5 mil e 6 mil doces por semana. Dez funcionários dão conta do serviço, e, em épocas de Fenadoce, a mão de obra duplica. Recentemente, o negócio ganhou um reforço. Muriel, 29, recém-chegada da França, sugeriu uma novidade à mãe, Eulália: bem-casados gourmet. Eles terão recheios diferentes (não apenas ovos), com chocolate e sabores de frutas. "O doce significa alegria, vida. Não fico sem açúcar em volta", assume a portuguesa.

Certificação para controlar a qualidade

Luciana é presidente da associação que quer padronizar a produção Luciana é presidente da associação que quer padronizar a produção Foto: MAURO BELO SCHNEIDER/Mauro Belo Schneider/Especial/JC
Desde 2012, os doces tradicionais de Pelotas (os à base de ovos e cristalizados) são certificados. Empresas que integram a Associação de Produtores de Doces ganham selos e enumeram a produção.
Atualmente, há 12 marcas certificadas. Elas pagam uma joia equivalente a três salários-mínimos e uma mensalidade. Isso garante, segundo Luciana Silva, presidente da entidade, padronização de receitas e controle de qualidade. Luciana também é dona da doçaria Mona Lu. Seu envolvimento com a cozinha começou cedo, aos 14 anos. Ela tem 14 funcionários na fábrica e três na loja.
O Sebrae de Pelotas capacita produtores interessados a se enquadrarem nas regras de certificação. Jussara Argoud, gestora de projetos de Turismo do Sebrae, ressalta que uma das grandes qualidades do mercado de doces é sua singularidade. "É um produto único. Ninguém vai encontrar doce de Pelotas em nenhum outro lugar", aponta.

Os guardiões dos cristalizados

Onélia e Sérgio 
fazem as opções com frutas Onélia e Sérgio fazem as opções com frutas Foto: MAURO BELO SCHNEIDER/Mauro Belo Schneider/Especial/JC
Onélia Leite, 67 anos, da marca Dona Onélia, e Sérgio Sias, 48, da Dona Zilda, têm uma responsabilidade e tanto. Eles são os únicos a ainda produzirem doces cristalizados na cidade.
"Vamos morrer e levar as receitas junto", brinca Onélia. "E nossos filhos não querem aprender", complementa Sérgio. A mãe dele, fundadora da marca, faleceu há seis anos. "Nasci com um tacho na mão", diverte-se, sobre a precocidade do início da carreira doceira.
A dupla considera que não há tanto interesse na produção dos cristalizados por conta da complexidade do processo, que depende da safra das frutas. E a procura também diminuiu depois da crise. "Houve uma queda de 30%", detalha Onélia.

Uma estranha no ninho de ovos

Produções de Suelen são alternativas  
aos intolerantes Produções de Suelen são alternativas aos intolerantes Foto: MAURO BELO SCHNEIDER/Mauro Belo Schneider/Especial/JC
Suelen Matievicz, 25 anos, entra no mercado de doces com opções sem lactose, sem glúten, sem soja, sem ovo e sem proteína do leite. Sua marca, a Com amor e sem lactose, usa e abusa das cores para atrair a criançada intolerante às substâncias. "Muitas não tinham a oportunidade de curtir as delícias das festas de aniversário", justifica ela.
A jovem se descobriu intolerante quando cursava Gastronomia, e daí veio a ideia. Pelo segundo ano na Fenadoce, espera vender 19 mil unidades em seu espaço próprio montado no pavilhão. Na estreia, quando dividiu o estande com a Delícias Portuguesas, foram 4 mil. O sabor preferido dos clientes é o brigadeiro de churros.

Turismo

Quindim Express, de Pelotas Quindim Express, de Pelotas Foto: Mauro Belo Schneider/Especial/JC
O Expresso Quindim faz city tours aos sábados. O público paga R$ 15,00 e passeia por mais de duas horas pelos prédios históricos e charqueadas.
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