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Porto Alegre, quinta-feira, 13 de julho de 2017. Atualizado às 21h42.

Jornal do Comércio

Dia do Comércio 2017

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Supermercados

Notícia da edição impressa de 14/07/2017. Alterada em 13/07 às 21h34min

Queda nas vendas é desafio para supermercados

Romacho diz que aquisições contribuíram para melhorar o desempenho

Romacho diz que aquisições contribuíram para melhorar o desempenho


ASUN/ASUN/DIVULGAÇÃO/JC
Embora muitos setores do comércio já venham sentindo os efeitos da austeridade econômica há mais tempo, os supermercadistas atravessaram os dois últimos anos com estabilidade, inclusive apresentando números positivos em 2016, conforme a Associação Gaúcha de Supermercados (Agas). Mas a situação em 2017 é um pouco diferente. Nos primeiros meses do ano, segundo informações do IBGE, os super e hipermercados apresentaram queda nas vendas e no faturamento real.
Os dados do IBGE relativos ao mês de março, analisados pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul (FCDL-RS), apontam que as vendas do setor de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo caíram 5,43% no primeiro trimestre de 2017, e 5,47% no acumulado dos 12 meses anteriores. Quanto ao faturamento real, a redução foi mais acentuada - 11,45% e 16,03, respectivamente. "Os consumidores gaúchos estão controlando seu consumo de alimentos e produtos de limpeza, mesmo com as empresas do ramo reduzindo suas margens ao mínimo, como mostra a queda do faturamento real em patamares mais elevados do que as vendas físicas", observa o presidente da FCDL, Vitor Augusto Koch.
Para o presidente da Agas, Antônio Cesa Longo, as dificuldades já eram esperadas. "O setor está estável. O consumidor vem mudando comportamento há muito tempo", diz. O dirigente acredita que a conjuntura não deverá mudar enquanto reformas como a trabalhista e a previdenciária não forem efetivadas - processo desacelerado diante da incerteza sobre a continuidade da gestão do presidente Michel Temer. "Nos primeiros cinco meses do ano, não tivemos crescimento, como era a expectativa. Esperamos pelas reformas, mas agora estão atravancadas."
O fato é que os supermercados gaúchos vinham apresentando dados favoráveis nos últimos cinco anos. Conforme o Ranking Agas de 2016, desde 2012, houve crescimento em variáveis como faturamento total, participação das vendas do setor no Brasil e total de funcionários - eram mais de 95 mil pessoas ao final do ano passado, por exemplo. O levantamento, divulgado em abril, contemplou as 252 maiores companhias do Estado e apontou um faturamento bruto total de
R$ 28,7 bilhões em 2016, representando um crescimento real de 3,4% em relação a 2015. Agora, Longo prefere não arriscar prognósticos sobre 2017. "É impossível prever (como será o ano). Não acredito em melhoria enquanto não moralizar (a situação política). O problema é a crise política. A questão econômica se resolve rapidamente", afirma.
Para os consumidores de Porto Alegre e Região Metropolitana, uma novidade importante foi o fechamento, nos últimos anos, de uma série de unidades da rede Walmart, todas com a bandeira Nacional. As últimas desativadas, em abril deste ano, foram as da rua Lucas de Oliveira e da avenida Wenceslau Escobar, na Capital. A medida é parte de uma estratégia do grupo norte-americano de reduzir operações menores.
Cinco dos supermercados Nacional fechados foram comprados por outra importante rede em atividade no Estado. Desde o ano passado, as lojas das avenidas Plínio Brasil Milano e Francisco Trein (em Porto Alegre) e dos bairros Mathias Velho e Niterói (em Canoas), além de uma em Esteio, pertencem ao grupo Asun.
O diretor do Asun, Antonio Ortiz Romacho, diz que as aquisições contribuíram significativamente para melhorar o desempenho da empresa neste semestre. "A expansão gera notícia, movimento e vendas", resume o empresário.
Segundo ele, o ano de 2017 estava positivo até abril, com faturamento menor em maio em junho, em decorrência da instabilidade política. Mas a rede segue o processo de ampliação - além de uma unidade Gravataí, mais duas serão abertas em Canoas, e a companhia deverá chegar a 2,5 mil funcionários em 2018. "As pessoas estão comendo, estão consumindo. Essa crise vai terminar, e quem estiver bem posicionado vai colher os louros", prevê Romacho.

Rede readequou mix de produtos

O presidente da rede Asun Supermercados, Antonio Romacho, defende que não se pode usar como desculpa a crise para deixar de entregar resultados. "Percebemos que o consumidor entraria num período de corte de gastos e não queríamos perdê-lo, por isso adequamos o mix de mercadorias dentro da necessidade específica de nossos clientes", explica.
Neste ano, o grupo, que possui 27 unidades e 2,3 mil funcionários no Estado, investiu na abertura de uma unidade em Gravataí e na modernização de lojas. Explorando mais as datas sazonais, a rede fez ainda uma adequação do mix de mercadorias às necessidades dos clientes e de sua condição financeira.
Enquanto a retomada não vem, Romacho definiu como pilares de crescimento o treinamento e a qualificação funcional, o combate ao desperdício e a economia nas embalagens, em energia elétrica e em custos variáveis.

Mercado estimula consumo consciente

Brasco tem atenção especial a marcas locais e a fornecedores mais próximos
Brasco tem atenção especial a marcas locais e a fornecedores mais próximos
RENAN CONSTANTIN/DIVULGAÇÃO/JC
O comércio londrino e a vivência no interior do Estado foram duas inspirações para a criação do Mercado Brasco, que tem duas unidades em Porto Alegre - uma no bairro Moinhos de Vento, aberta em 2012, e outra no Viva Open Mall, no Jardim Europa, desde 2015. A ideia partiu de colegas do curso de Administração da ESPM-Sul interessados em criar um novo negócio. "Vimos uma oportunidade de mercado, de ser diferentes do que existia. E estávamos meio órfãos de lugares de convivência, como é no Interior, aquela coisa de tomar mate na frente de casa e conhecer o dono do bolicho", conta Gabriel Drumond, 25 anos, um dos sócios.
Vindo de Uruguaiana, Drumond também foi estimulado por um período de intercâmbio em Londres, na Inglaterra. "Lá, desde os anos 1990, esse tipo de loja deslanchou. Vimos que esse formato, de lojas bonitas, com bom atendimento e boa gestão, fez sucesso. Isso nos incentivou." Esse impulso se traduziu em um mercado self service, com mesas na calçada para os clientes. A oferta de produtos também segue uma lógica própria, com atenção especial a marcas locais e fornecedores mais próximos. Há também preocupação com a qualidade da alimentação. "Estamos reduzindo o mix de refrigerantes e aumentando o de sucos. É para direcionar o consumo para o que acreditamos ser mais legal para os clientes", explica.
Com 35 funcionários ao todo, as duas lojas recebem cerca de 1,5 mil clientes por dia. "Nossa premissa é que o crescimento só vai vir se não perdermos a nossa essência", diz Drumond.
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