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Porto Alegre, quinta-feira, 13 de julho de 2017. Atualizado às 21h42.

Jornal do Comércio

Dia do Comércio 2017

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Mercado

Notícia da edição impressa de 14/07/2017. Alterada em 13/07 às 21h24min

Varejo tem leve melhora, mas consumidor segue conservador

vendas em varejo consumo shopping

Em abril, vendas cresceram 1% na comparação com março, melhor resultado para meses de abril desde 2006


Arquivo/JC
A economia dá sinais de melhora, e o setor do varejo respira com mais tranquilidade. Mas o consumidor ainda está muito conservador em sua dinâmica de compras. Pudera, além da alta carga tributária, juros elevadíssimos, inadimplência e escassez de empregos para quem os procura, a atual situação política minou a confiança das pessoas. Enquanto a convulsão política e social não arrefecer, a confiança tanto do mercado interno quanto do externo, que move a economia, não voltará. Sem ela, o varejo continuará estagnado.
Em 2016, as vendas do comércio varejista brasileiro recuaram 6,2%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a maior queda da série histórica do indicador, criado em 2001. O pior resultado em 15 anos parecia o fundo do poço, de onde surgiria a reação para 2017. Mas o furacão político vindo de Brasília refreou os ânimos. Em abril deste ano, as vendas do comércio varejista cresceram 1%, na comparação com março, na série livre de influencias sazonais, enquanto a receita nominal do setor fechou também com crescimento, de 1,3%.
Apesar de tímido, foi o melhor resultado para os meses de abril desde 2006. Os dados são da Pesquisa Mensal do Comércio, do IBGE, divulgada em junho. As vendas do comércio fecharam os primeiros quatro meses do ano com queda acumulada, em termos de volume de vendas, de 1,6% frente a igual período do ano passado.
Para o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul (FCDL-RS), Vitor Augusto Koch, as vendas totais do varejo gaúcho efetivamente estão reagindo em 2017. O fechamento dos dados do primeiro trimestre das vendas ampliadas (inclui veículos e material de construção) mostra um crescimento de 4,60% no volume, mas vinculado à queda de 0,22% do faturamento real (já descontada a inflação) do conjunto dos lojistas gaúcho. Especificamente em março, o volume de vendas aumentou 6,36%, enquanto o faturamento real cresceu 1,99%. "Fica claro que a maioria dos gêneros lojistas está reduzindo suas margens operacionais para se manter no mercado", aponta Koch.
O crescimento de 1% nas vendas do comércio varejista do País reflete, segundo o IBGE, alta em três das oito atividades pesquisadas, com destaque, principalmente, para os setores de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo. Esses setores, ao apresentarem aumento de 0,9% nas vendas, exerceram a principal influência no varejo. Também com crescimento importante para o desempenho geral, as atividades de tecidos, vestuário e calçados cresceram 3,5%; e equipamentos e material para escritório, informática e comunicação avançaram 10,2%. As pressões negativas de abril para março surgiram dos segmentos de livros, jornais, revistas e papelaria: queda de 4,1% e móveis e eletrodomésticos (-2,8%).

Crise exige estratégia

Para Vasconcellos, setor tem
uma série de oportunidades
Para Vasconcellos, setor tem uma série de oportunidades
ESPM SUL/DIVULGAÇÃO/JC
"Na crise, valem a criatividade, a racionalização de custos e a redução das margens de lucro, entre outros, para tentar dinamizar as vendas", afirma o economista e professor titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) Fernando Ferrari Filho. O economista e professor de MBA da Fundação Getulio Vargas (FGV) Robson Gonçalves concorda. "É preciso reforçar o marketing de produtos mais populares, porque o consumidor típico está fazendo as contas para ver se a prestação daquele produto cabe no seu orçamento", afirma Gonçalves. Para ele, esta é a hora de as grandes redes incrementarem as negociações com os setor bancário para redução das taxas de juros.
O coordenador dos cursos de pós-graduação da ESPM-Sul, Artur Vasconcellos, credita as dificuldades enfrentadas pelo varejo, além do cenário político/econômico, ao cenário cultural e tecnológico. "Principalmente as novas gerações estão superconectadas, freando o hiperconsumo e com mais consciência na hora da compra", explica. Para Vasconcellos, o e-commerce também aumentou consideravelmente a concorrência com o varejo tradicional. "O setor tem hoje uma série de ameaças, mas também uma série de oportunidades." Para o especialista, conseguirá atravessar a tempestade quem conseguir mudar a experiência do cliente.
Como estão mais conectados e interligados, os consumidores estão naturalmente mais exigentes. A gestão da experiência do cliente parte da premissa de que a decisão da compra integra aspectos racionais e subjetivos. Estes últimos incluem um conjunto de fatores, como o preço, o atendimento, o local físico, enfim, toda a interação do consumidor com a loja.
Vasconcellos exemplifica a tese com a Lojas Renner, que registrou, no primeiro trimestre deste ano, aumento de 9,1% nas vendas. Além das vendas, ocorreu fluxo maior de clientes, com aumento também no número de peças por venda. "Maior cadeia do setor no País, a Renner já tem quase o tamanho da Macy's, umas das maiores redes de departamento dos EUA, resultado que muito se deve a essa preocupação com a experiência do cliente", completa.
Apesar de não vislumbrar saída até o ano que vem, a existência de empresas com crescimento mostra que as pessoas seguem comprando. "Se sairão melhor aqueles que investirem na experiência do cliente, entre outros fatores", diz o coordenador.

Taxa de desemprego continua elevada

O economista Fernando Ferrari Filho afirma que a taxa de desemprego (14 milhões de pessoas sem trabalho) e o grau de endividamento elevados, aliados à inadimplência das famílias e à restrição de crédito compõem o cenário econômico deste ano, não muito diferente dos anos anteriores. Para ele, a queda da inflação e a redução da taxa básica de juros foram fatores positivos, que podem mitigar os efeitos negativos sobre as vendas deste cenário. "A taxa de desemprego continua elevada, e muitas empresas continuam fechando. Portanto, a curto e médio prazos, não vejo perspectiva de uma melhora nesse cenário, principalmente porque a tendência de queda das vendas é um fato."
As perspectivas de Ferrari são de que, em 2017 e em 2018, a economia brasileira cresça, respectivamente, 0,5% e 2,5%. Tais crescimentos, caso ocorram, deverão ser dinamizados pelos setor agropecuário, segundo o mestre.
Para o economista da CDL Porto Alegre Victor Sant'Ana, embora estejamos em um período de saída da crise econômica, ainda há sinais de recessão, que já é a pior da história brasileira. "A confiança do consumidor em patamar negativo, desemprego alto, risco alto de crédito à pessoa física e queda da renda média são alguns fatores que ainda estão presentes e que influenciam negativamente o varejo", afirma.
Ainda assim, Sant'Ana vê uma tendência de melhora, com a inflação controlada, renda com perspectivas de recuperação, taxa básica de juros encolhendo e expectativa de crescimento duradouro do PIB. "O Brasil vive momentos decisivos, que entrarão para a sua história. Precisamos nos esforçar para que o País saia dessa situação da melhor maneira possível. Teremos muitos desafios daqui para frente, mas também muitas oportunidades de construirmos uma nação melhor", avalia.
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