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Porto Alegre, terça-feira, 04 de julho de 2017. Atualizado às 16h03.

Jornal do Comércio

Economia

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Turismo

Notícia da edição impressa de 03/07/2017. Alterada em 04/07 às 16h03min

O cruzamento mais movimentado do Japão

Numa segunda-feira de junho, pouco antes da meia-noite, movimento é intenso no local

Numa segunda-feira de junho, pouco antes da meia-noite, movimento é intenso no local


GUILHERME KOLLING/ESPECIAL/JC
Guilherme Kolling, de Tóquio
É quase meia-noite de uma segunda-feira de junho em Tóquio e o movimento parece a Esquina Democrática na época das compras de Natal. Uma multidão caminha para cá e para lá, atravessando as ruas de um dos locais mais famosos do Japão: o Cruzamento de Shibuya.
Trata-se de um encontro de cinco ruas em uma região também famosa pelas lojas de moda e de departamentos, com luminosos coloridos e piscantes, que disputam a atenção do público com mensagens em áudio em alto e bom som. O barulhão é simultâneo, fica difícil prestar atenção em apenas uma das propagandas.
Também dá para ver gente fazendo pose e tirando fotos com os telões de publicidade e a movimentação ao fundo. São turistas ocidentais, algo que, apesar de a capital japonesa ser considerada uma cidade cosmopolita, não é tão comum de ver nas ruas - pelo menos foi assim nos quatro dias em que a reportagem esteve em solo nipônico.
O grosso da turma não está ali a passeio aparentemente. São locais, caminham rápido, como quem vai a um destino definido. Em parte, isso se explica porque o ponto fica junto à estação de trem de Shibuya, por onde passam várias linhas de metrô de Tóquio - em algumas, é o ponto final ou de partida. O espaço é imenso e é fácil se perder lá dentro. Algumas entradas e saídas são por dentro uma espécie de shopping.
Na rua, a marcação das faixas de segurança forma uma espécie de pentágono, completado por uma grande zebra pintada na diagonal. Nas vias do entorno, algumas mais estreitas, além de lojas, há também bastante oferta de alimentação, o que inclui restaurantes em que o cliente compra a comida em uma máquina na rua, bares e fast food.
Num país conhecido por ter uma grande população idosa, também chama a atenção a quantidade de jovens concentrados em Shibuya, muitos com uma estética sem gênero (o chamado estilo genderless), quase todos com roupas diferentes e com uma mensagem da moda nos trajes que usam.
Há certa algazarra quando os grupos são grandes, algo que chama a atenção de quem vem de fora, ainda mais que uma das primeiras coisas que impressiona é exatamente o silêncio dos japoneses em ambientes internos, como o metrô, onde muitos aproveitam até para dar uma cochilada.
Outra peculiaridade: nas ruas, ninguém toma ou carrega bebida alcoólica nas mãos. E, mesmo tarde da noite, não é preciso se preocupar com a segurança - praticamente não há assaltos e uma ocorrência a mão armada, de tão rara, vira notícia nacional.
O Cruzamento de Shibuya ilustra outra das características de Tóquio: a elevada densidade demográfica. A concentração de construções é mais uma marca da cidade que chama a atenção, bem como a imensa quantidade de obras de arte viárias - viadutos, elevadas, túneis e alças que atravessam bairros pela metrópole.

'Wall Street' de Tóquio tem estação inspirada na Holanda

Prédio do terminal de trens contrasta com torres em Marunouchi

Prédio do terminal de trens contrasta com torres em Marunouchi


GUILHERME KOLLING/ESPECIAL/JC
A capital do Japão tem um bairro que concentra arranha-céus e onde estão instaladas grandes corporações. Trata-se de Marunouchi, onde também fica a estação central de Tóquio, de onde saem trens para outras localidades do país, inclusive o Shinkansen, o famoso trem-bala.
A construção é baseada na estação de Amsterdã, na Holanda, e foi reconstruída depois da Segunda Guerra Mundial. "Marunouchi é um local histórico e, ao mesmo tempo, um bairro superdesenvolvido. É o centro financeiro da capital, onde estão localizados os principais bancos de Tóquio", explica o diplomata brasileiro Fernando Perdigão.
São muitos edifícios altos e envidraçados. Também dá para perceber novas construções. Perdigão diz que a movimentação, vista em outras áreas da cidade, não tem relação com as Olimpíadas de Tóquio 2020. É algo recorrente no Japão a reorganização do espaço urbano, de tempos em tempos, com a demolição e a reconstrução dos prédios. Edifícios históricos são preservados. E há espaço para novos projetos de arquitetos estrangeiros renomados.
 

Paixão pelo futebol é visível

Distintivo do Jubilo Iwata está por toda a parte, até em táxis

Distintivo do Jubilo Iwata está por toda a parte, até em táxis


GUILHERME KOLLING/ESPECIAL/JC
Sem tradição no futebol, o Japão avançou bastante no esporte nas últimas décadas. Além de sediar há muitos anos a final do Mundial Interclubes - Grêmio e Internacional, por exemplo, conquistaram seus títulos respectivamente em Tóquio (1983) e Yokohama (2006) -, o país já tem times competitivos. O Kashima Antlers bateu o campeão da Libertadores no ano passado e fez a final do Mundial com o Real Madrid.
Outros marcos foram a Copa do Mundo de 2002, em que o Japão foi sede junto com a Coreia do Sul, e a criação da J-League em 1993, o campeonato nacional de futebol que atraiu grandes jogadores e técnicos brasileiros para o Japão.
A cidade de Iwata é um exemplo. O time local, o Jubilo, foi treinado por Luiz Felipe Scolari e Dunga, nomes lembrados até hoje. E o emblema do clube está em todos os lugares da cidade - na praça, na estação de trem e até no Banco Iwata Shinkin.
 

Um povo metódico e atencioso

São 11h05min de terça-feira e o presidente da Keidanren - equivalente à Confederação Nacional da Indústria no Brasil - deixa a reunião com empresários e o governo gaúchos. Ele se despede e sai em uma corrida contida até o elevador. É que o encontro estava programado para ser encerrado às 11h, mas se prolongou em alguns minutos.
O fato pode parecer banal, mas para os japoneses, o planejamento e o respeito ao cronograma são levados muito a sério. O horário é rígido. É um povo metódico, inclusive no trato, como pode ser visto quando se troca cartões de visita.
Há menos gente falando inglês do que se imagina. Mesmo em hotéis, restaurantes em áreas turísticas e no aeroporto, nem sempre há facilidade no idioma. Entretanto, tudo isso é mais do que compensado pela hospitalidade. Os japoneses são muito atenciosos. Se o estrangeiro pedir uma informação sobre um lugar a alguém na rua, dependendo da distância, é provável que essa pessoa o acompanhe até o lugar que busca.
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