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Porto Alegre, domingo, 18 de junho de 2017. Atualizado às 22h18.

Jornal do Comércio

Economia

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Indústria

Notícia da edição impressa de 19/06/2017. Alterada em 18/06 às 20h59min

Importados ganham espaço na produção industrial brasileira, aponta Ipea

Com o câmbio mais estável e atrativo e o aumento da fabricação de bens duráveis, as importações de insumos tiveram, neste ano, a maior participação na produção industrial brasileira para um primeiro trimestre desde 2005. De janeiro a março, a indústria usou em sua produção 14% a mais de bens intermediários comprados de outros países ante mesmo período de 2016, segundo dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
A expansão na importação é reflexo, em parte, do desempenho da produção de bens duráveis, como automóveis e eletrônicos, que cresceu 8,7% de janeiro a abril deste ano, aumentando a demanda por esses insumos. Sinaliza também que a maior estabilidade do dólar em relação ao real vem levando a indústria a apostar mais nos importados para suprir sua demanda.
No primeiro semestre de 2016, em meio ao cenário político conturbado que culminou no impeachment de Dilma Rousseff, a forte valorização do dólar e a própria turbulência econômica inibiram compras de outros países. "De meados do ano passado para cá, houve uma certa estabilização do câmbio em um patamar que não é proibitivo às importações, de R$ 3,00, R$ 3,30. E o fato de ter previsibilidade também ajuda bastante", diz Fernando Ribeiro, pesquisador do Ipea.
Para Rafael Cagnin, economista do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), esse aumento de participação tem a ver com a recuperação da produção de segmentos em que o uso de importados de maior valor agregado é alto. Outro fator, na avaliação do economista do Iedi, é o bom momento da produção agrícola, que eleva a importação, por exemplo, de defensivos agrícolas e fertilizantes.
O cálculo da fatia dos importados na indústria é feito dividindo-se a quantidade de produtos comprados de outros países pelo chamado consumo aparente da indústria, que exclui as exportações para medir melhor o impacto na atividade econômica dentro do País.
Se por um lado a alta do peso desse tipo de importado na produção é positiva, pois indica recuperação de parte da indústria, por outro a avaliação é que acaba deixando a reação da economia como um todo um pouco mais lenta. "A integração com outros países é um processo bom para os países. Mas em períodos de recuperação, quanto mais elos internos da cadeia favorecerem um ao outro, mais rapidamente a recuperação acontece", afirma Cagnin.
 
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