Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, quarta-feira, 21 de junho de 2017. Atualizado às 23h13.

Jornal do Comércio

JC Logística

COMENTAR | CORRIGIR

Transportes

Notícia da edição impressa de 22/06/2017. Alterada em 21/06 às 18h50min

Transposul investe na recuperação do setor

Transportadores brasileiros buscam as novidades expostas na feira, onde planejam fazer aquisições para modernizar as frotas já pensando na provável retomada da economia do País

Transportadores brasileiros buscam as novidades expostas na feira, onde planejam fazer aquisições para modernizar as frotas já pensando na provável retomada da economia do País


JOSÉ LUIZ ROCHA/JOSÉ LUIZ ROCHA/DIVULGAÇÃO/JC
Jefferson Klein
Um panorama mais promissor a partir do segundo semestre deste ano para a economia e, por consequência, para o segmento logístico é a expectativa dos organizadores da 19ª Transposul, a maior feira de transporte e logística do Sul do Brasil. O evento será realizado de 27 a 29 de junho, das 13h às 22h, no Centro de Eventos da Fiergs, em Porto Alegre. O encontro concentra grandes montadoras de caminhões e empresas ligadas à área, além de promover um congresso que discute os principais temas que afetam o setor.
O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Estado do Rio Grande do Sul (Setcergs), Afrânio Kieling, está otimista quanto à Transposul e também quanto ao mercado. O dirigente argumenta que é preciso deslocar o cenário político vivido hoje no País da economia nacional. A mesma opinião é compartilhada pelo diretor da Transportes Gabardo, Sérgio Gabardo. A companhia é uma prova de que os agentes logísticos estão dispostos a investir. A empresa pretende fechar na Transposul a aquisição de 30 a 40 cavalos mecânicos para aumentar a sua frota (que ficará com aproximadamente 1,3 mil veículos).
De acordo com Gabardo, o custo de cada equipamento é de cerca de R$ 300 mil. "Temos que suar um pouquinho, mas não é preciso chorar", brinca ele. O empreendedor enfatiza que os transportadores sempre enfrentaram momentos de dificuldades, mas que é preciso preparar-se para esses períodos. O diretor-presidente da Vitlog Transportes, João Jorge Couto da Silva, também aponta que a expectativa é de que o mercado e a economia desprendam-se da política. Com isso, a perspectiva é de que esse cenário movimente a realização de transações durante a Transposul. Silva enfatiza que, mesmo com toda a turbulência enfrentada na esfera política, um país do tamanho do Brasil não pode parar.
"Os empresários e as indústrias terão que trabalhar por si, e essa corrente é que elevará o patamar de negócios", projeta. O executivo frisa que o setor logístico é diretamente vinculado ao PIB brasileiro. "No momento em que o PIB aquecer 1%, vai faltar caminhão", prevê. A Vitlog Transportes programou-se para fazer compras para reposição de veículos (em torno de 30). O objetivo é contar com equipamentos mais avançados, com tecnologia mais moderna. O investimento previsto na aquisição é estimado em R$ 5 milhões a R$ 8 milhões em cavalos mecânicos, caminhões de pequeno e médio porte para distribuição de cargas, e carretas.

Investimentos dependem de marco regulatório que está tramitando na Câmara dos Deputados

O respaldo legal é uma das condições mais reivindicadas na hora da tomada de investimentos. Na área logística, um dos assuntos que têm chamado a atenção nesse sentido é a questão do marco regulatório do transporte rodoviário de cargas. O tópico será abordado na Transposul pelos sócios do escritório Zanella Advogados Associados, Marcelo Corrêa Restano e Fernando Antônio Zanella.
Restano detalha que a matéria está, no momento, tramitando na Câmara dos Deputados através do Projeto de Lei (PL) 4.860/2016, de autoria da deputada Christiane de Souza Yared (PR-PR). Conforme o advogado, a proposta é bastante abrangente, englobando diversos pontos relativos ao setor de transporte rodoviário de cargas. "A pretensão é criar um guarda-chuva, pegando toda a legislação existente, que é muito esparsa, inclusive normas da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), e ter uma direção para dar mais segurança jurídica", salienta.
Um dos elementos levados em conta pelo texto é a carga de trabalho dos caminhoneiros. Restano adianta que existe a tendência da flexibilização da jornada assim como se discutirão alterações nos dispositivos que tratam do exame toxicológico. "Mas friso que é um projeto, cujo texto não está aprovado ainda", destaca o assessor jurídico.
Restano enfatiza ainda que a evolução da sociedade é constante e, consequentemente, as questões relativas ao transporte rodoviário acompanham esse desenvolvimento. Dentro desse contexto, é preciso atenção a itens como segurança, custos de pedágios e fretes, entre outros. Ele faz a ressalva de que o atribulado período político vivido pelo Brasil possa acabar atrasando a apreciação do projeto. "É razoável imaginar que, em um momento mais calmo, a tramitação das matérias no Congresso Nacional seria mais tranquila", argumenta. Contudo o advogado informa que já foi formada uma comissão especial na Câmara dos Deputados para tratar do assunto, assim como foram feitas diversas audiências públicas para tratar do assunto. Se não fosse o atual panorama político, Restano acredita já poderia ser apresentado um relatório sobre o tema ainda neste ano.
Outra preocupação do setor é quanto ao roubo de cargas. De acordo com levantamento da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), o prejuízo com essa ação criminosa foi de R$ 1,4 bilhão em 2016. O ano passado teve mais de 22 mil ocorrências, número 86% superior aos 12 mil registros feitos em 2011. Para tentar reduzir o roubo e diminuir o prejuízo, policiais, autoridades e empresários estarão reunidos no 2º Encontro de Segurança do Transporte Rodoviário de Cargas das Regiões Sudeste e Sul: Ações de Integração, que será realizado durante a Transposul.
O debate do tema vai acontecer nos dias 28 e 29 de junho, no auditório do Centro de Eventos da Fiergs, contando com a presença de representantes de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, apresentando o trabalho desenvolvido no enfrentamento aos delitos de cargas.

Setcergs prevê uma movimentação entre R$ 130 milhões e R$ 150 milhões

Kieling abre a feira com previsão de bons negócios, superando as vendas do ano passado

Kieling abre a feira com previsão de bons negócios, superando as vendas do ano passado


JONATHAN HECKLER/JONATHAN HECKLER/JC
Em meio a um conturbado ambiente político e econômico, a 19ª Transposul será aberta com uma percepção positiva. De acordo com o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Estado do Rio Grande do Sul (Setcergs), Afrânio Kieling, a estimativa é de que sejam feitos negócios entre R$ 130 milhões e R$ 150 milhões no evento deste ano. O empresário atribui o sentimento à projeção da recuperação da economia nacional.
JC Logística - Qual é a expectativa com a Transposul deste ano?
Afrânio Kieling - É boa. Há transportadores com previsão de bons negócios. Como sempre, é uma feira de negócios, mas com um congresso bem recheado. Estamos trazendo um jornalista de Portugal especializado na área de transporte (José Monteiro Limão), o dr. Marlos Augusto Melek (juiz federal do Trabalho no TRT do Paraná e escritor do livro "Trabalhista! E agora?"), entre outros palestrantes conceituados. São dezenas de palestras. E vêm para a feira as principais montadoras. Estamos, apesar de tudo, muito animados.
Logística - Qual a estimativa de movimentação financeira?
Kieling - Pelo que a gente tem visto de colegas que pretendem fazer negócios na feira, eu arriscaria que será melhor do que a edição do ano passado (que movimentou R$ 102,3 milhões), podendo chegar a algo entre R$ 130 milhões a R$ 150 milhões, o que seria um resultado muito bom. Temos colegas que vão comprar dezenas de equipamentos de uma vez.
Logística -Essa perspectiva de vendas é prova de um clima de retomada da economia?
Kieling - Eu diria que sim. Está tendo uma movimentação. As empresas se desmobilizaram, se desestruturaram, e agora estão retomando. E, para isso, vão precisar de gente, equipamentos, uma série de coisas. O mercado vai se aquecer no segundo semestre, e as companhias precisarão ter estrutura.
Logística - Claro que há vários fatores que podem influenciar o mercado até o final do ano, mas qual a expectativa para o setor logístico?
Kieling - Antes dessa confusão com o presidente Michel Temer, nós tínhamos uma visão de que o mercado para o final do ano estaria crescendo forte. Eu acho que as coisas tendem a se equilibrar, independentemente da questão política. As instituições precisam ficar fortalecidas, não queremos que se gere insegurança.
Logística - O cenário político atrapalha muito o desenvolvimento do segmento?
Kieling - É preciso separar a situação política da econômica. É animadora a aprovação do texto-base da reforma trabalhista pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado (ocorrida no começo de junho). Isso, se passar, vai gerar mais segurança jurídica, e as empresas voltarão a contratar.
 

Expectativa é de comparecimento de mais de 15 mil pessoas nos três dias

Hoerde revela que uma das preocupações com as palestras é contemplar a diversidade

Hoerde revela que uma das preocupações com as palestras é contemplar a diversidade


PLAYPRESS/PLAYPRESS/DIVULGAÇÃO/JC
Não é somente a busca por bons negócios que atrai o público para a Transposul. O congresso técnico realizado na ocasião é um destaque à parte. Com a combinação dos dois acontecimentos, o sócio-diretor da Diálogo Logística, Ricardo Hoerde, que acumulará neste ano a função de ser um dos coordenadores da Transposul com a de palestrante do evento, espera entre 15 mil e 20 mil participantes.
O empresário comenta que a meta neste ano foi contemplar a diversidade quanto às palestras que serão apresentadas. Serão debatidos temas como empreendedorismo e tecnologia. "O objetivo é estimular o transportador a buscar a inovação, para alcançar um melhor nível de serviço ou maior produtividade", frisa.
Entre a última e a atual edição da Transposul, uma mudança importante dentro do setor logístico foi a decisão da Petrobras de reajustar os preços dos combustíveis de uma forma mais ágil, levando em consideração as oscilações do mercado internacional do petróleo. Hoerde recorda que o diesel é o principal insumo para o setor de transporte rodoviário de grande escala.
Na distribuição urbana, esse peso é menor, sendo que o gasto fundamental é com pessoal. Hoerde comenta que o reflexo do combustível na planilha de custos das transportadoras vem crescendo com o passar dos anos. "Atrapalha e reduziu a margem dos transportadores, porque não conseguimos repassar o impacto para o preço final do frete", argumenta o empresário.
Quanto à intenção do governo do Estado de realizar novas concessões de rodovias, o coordenador da Transposul entende que a iniciativa está sendo muito mal planejada. "Não existe diálogo sobre o assunto, e não está se olhando para o todo da economia gaúcha", critica. A ideia atual, segundo Hoerde, não contempla, por exemplo, o aprimoramento tecnológico em curto prazo.
O dirigente argumenta que o uso de leitores digitais diminuiriam as filas nas praças de pedágio. Para o empresário, o ideal seria se espelhar em modelos consolidados na Europa e nos Estados Unidos para modernizar as estradas locais. Apesar de a Secretaria dos Transportes já ter sinalizado que a previsão era de que as concessões fossem deflagradas ainda neste ano, Hoerde não descarta que ocorra uma postergação para melhorar o projeto.
Sobre a sua palestra, o coordenador da Transposul adianta que irá abordar o assunto Logística para o e-commerce: desafios e oportunidades. Hoerde enfatiza que esse mercado está crescendo fortemente devido a questões de custos, segurança e a facilidades oportunizadas. Por outro lado, há o desafio de redução de preços e de investimentos em inovação para melhoria da qualidade da prestação de serviços. Além disso, durante o congresso, será feita a comparação do e-commerce brasileiro com o praticado no exterior.

Montadoras fazem contato com clientes na feira

Modelos mais recentes das fábricas são apresentados aos representantes das empresas transportadoras

Modelos mais recentes das fábricas são apresentados aos representantes das empresas transportadoras


MAN LATIN AMERICA/MAN LATIN AMERICA/DIVULGAÇÃO/JC
Assim como serve para a realização de negócios, a Transposul também é uma oportunidade para que os fabricantes de caminhões aproximem-se de seu público. Na edição deste ano, para aprimorar ainda mais essa relação, serão promovidas visitas orientadas nos estandes das empresas. O gerente-executivo do Setcergs, Gilberto da Costa Rodrigues, explica que durante essas atividades profissionais ligados aos expositores aguardarão o público participante para fazer apresentações, principalmente, ligadas à área de inovação.
Serão formados grupos de 30 pessoas que receberão fones de ouvidos para evitar que o barulho na feira atrapalhe as explicações. As ações durarão em torno de 15 minutos, detalhando novos produtos e tecnologias. Entre as empresas que participarão da iniciativa está a Mercedes-Benz. No espaço da companhia também será possível realizar uma viagem virtual em um caminhão, através de óculos tridimensionais.
O gerente regional de Porto Alegre da Mercedes-Benz do Brasil, Fernando Michetti, recorda que o grupo esteve presente em todas as feiras Transposul realizadas até hoje. E, nesse momento, o executivo considera que se trata de um evento que ajuda a companhia a interagir com os clientes e parceiros e entender os planejamentos que deverão ser tomados para o futuro. A Mercedes-Benz irá expor caminhões como o Accelo 1016, Atego 3030, Actros 2546 6x2, além de um furgão Vito 111 CDI.
Neste ano, a empresa pretende disponibilizar pacotes de serviços como telemetria e plano de manutenção para atrair o consumidor. Sobre o ambiente nacional, Michetti comenta que o País vem vivendo uma situação atípica há algum tempo. “Vamos dizer que estamos mais adaptados agora do que no início quando começou esse cenário de mercado mais retraído, estamos mais otimistas quanto ao que vem pela frente”, afirma.
O gerente regional de Vendas da MAN Latin America (caminhões e ônibus Volkswagen e MAN), George Carloto, é outro que ressalta que a Transposul é uma das principais feiras de transporte e logística do Brasil e um importante canal de relacionamento com os clientes na região Sul. “Aproveitamos o evento como vitrine de toda a nossa tecnologia e portfólio de soluções em caminhões e também condições comerciais.” Segundo Carloto, assim como outras feiras, a Transposul é porta de entrada para muitas vendas.
A empresa conta com uma carteira variada de opções para negócio, desde leasing operacional até os tradicionais consórcios. Entre as ofertas que a MAN Latin America pretende apresentar está um pacote de vantagens que inclui valorização do usado na troca por um caminhão VW ou MAN zero-quilômetro, pronta entrega do veículo novo, aprovação de crédito rápida e financiamento com taxa especial.
A companhia irá expor os modelos MAN TGX 29.480, o caminhão mais potente do grupo, e o VW Constellation 24.280. O Delivery 10.160 representará os mais leves. Sobre o atual mercado logístico, o executivo argumenta que o País carece de investimentos em infraestrutura para dar ainda mais produtividade ao segmento. “A retomada do crescimento passa por essas soluções que impactam diretamente na logística”, defende. Outro ponto sustentado é a necessidade da renovação da frota.
A Scania, por sua vez, estará representada na Transposul por suas concessionárias: Suvesa e Brasdiesel. O diretor-geral da Scania Suvesa, Everton Pinheiro, diz que a expectativa é positiva para a feira. O executivo salienta que no encontro é possível dialogar com o consumidor, para oferecer a melhor solução para a sua necessidade. “É o momento de captar a informação necessária para poder oferecer o que comprador precisa, não adianta ir com uma receita de bolo”, frisa. Pinheiro cita o exemplo de transportadores que podem querer evitar pagar custos altos de financiamento. Nesse caso, a concessionária oferece a possibilidade de um consórcio para a compra.
A Scania Suvesa terá dois caminhões em exposição na Fiergs, o R440 6x2 e o R440 6x4 highline. Pinheiro ressalta que os modelos comercializados pela empresa têm entre seus diferenciais o conforto e a segurança que oferecem para o motorista. Entre os benefícios, ele cita a cama espaçosa na cabine e os comandos dos veículos próximos ao caminhoneiro, podendo ser acessados sem o profissional precisar tirar a mão do volante.
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia