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Porto Alegre, quinta-feira, 18 de maio de 2017. Atualizado às 23h08.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Notícia da edição impressa de 19/05/2017. Alterada em 18/05 às 21h12min

A crise política no Brasil e o combate à corrupção

Aturdidos, perplexos e, a maioria, irritados, milhões de brasileiros se deslocaram ontem para seus locais de trabalho. Como conciliar o foco nos compromissos profissionais, na agenda familiar ou em um programa de fim de semana com o Brasil, novamente, e quase que de maneira monótona, pela repetição que ocorre há cerca de três anos, em outra crise, esta última com dimensões maiores desde o impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT)?
Agora, mais uma explosiva revelação da Operação Lava Jato atingindo o presidente Michel Temer (PMDB). Foi divulgado que ele incentivou pagamento da JBS pelo silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB), hoje preso. Desta vez, a delação foi mais consistente do que as anteriores, na base apenas nas palavras dos acusadores. É que os donos da JBS, Joesley Batista e o irmão, Wesley, levaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) gravações de conversa com Michel Temer (PMDB). À tarde, o presidente negou envolvimento nas denúncias, afirmando, categoricamente, que não renunciaria. Lamentou, igualmente, que esta crise venha quando o Brasil recém apresenta números econômicos que dão esperança em dias melhores à nação. Porém, situação e oposição convergem para uma mesma saída, que seria a eleição direta de um novo presidente da República.
Isso porque o Congresso está fragilizado, com muitos dos seus membros citados na Operação Lava Jato, e não teria condições políticas, constitucionais, morais e éticas de fazer um julgamento, uma eleição indireta, que não seria aceita pela sociedade, segundo analistas. Assim o Brasil pode ter um terceiro presidente da República em um prazo de pouco mais de um ano.
E o senador Aécio Neves, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), foi afastado do mandato. Existe, ainda, a possibilidade de cassação da chapa de Dilma Rousseff e Temer, julgamento marcado para 6 de junho no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com aprovação de apenas 10% dos brasileiros, o presidente estremece desde sempre na popularidade, na legitimidade - posta em xeque pelos que bradam que o impeachment de Dilma Rousseff foi golpe - e agora na legalidade de seu exercício, já que pode ser formalmente acusado de obstrução de Justiça. O governo Temer começou cambaleante, com vários ministros caindo ora por suspeitas da Lava Jato ora por conflitos de interesse.
As reformas da Previdência e trabalhista, ainda que necessárias para a sanidade fiscal do País, custaram a aprovação já minguada do presidente. Apesar da perspectiva de recuperação da economia, o número de desempregados é recorde: mais de 14 milhões estão nas ruas. O cenário está assim posto para mais uma queda presidencial.
Então, a Temer restam três saídas: perder o mandato pelo Congresso, ser expulso do Planalto pela cassação no TSE ou renunciar, algo negado, como noticiado. Mesmo que não sirva de consolo, crises políticas e econômicas, geralmente concomitantes, acompanham o País em sua trajetória de crescimento. Parece que temos um DNA da corrupção que perpassa gerações.
Para muitos, a partir das provas - não apenas afirmações - levantadas contra o presidente Michel Temer, mais um ciclo republicano poderá ser encerrado. No entanto as instituições têm que continuar funcionando, escoimadas dos maus integrantes que estão sob suspeitas de atos ilícitos.
Tudo isso é triste, muito trise. Estamos neste mar de lama ética e moral há quase três anos; e agora, vê-se, tudo indica que, definitivamente, a má índole permeia a República. É lastimável, mas a nação tem que enfrentar e resolver o problema.
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