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Porto Alegre, terça-feira, 16 de maio de 2017. Atualizado às 22h42.

Jornal do Comércio

Opinião

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Notícia da edição impressa de 17/05/2017. Alterada em 16/05 às 19h48min

A internacionalização na crise

Cláudio Goidanich Kraemer
Transformar crises em oportunidades exige presença, rapidez, coragem, experiência, conhecimento, criatividade e recursos. Algumas destas exigências podem parecer contraditórias. Podemos reafirmá-las com um só exemplo: a conquista do mercado financeiro argentino pelo Banco Itaú. Colocamos este exemplo, porque é fácil falar teoricamente, mas os resultados se confirmam na prática, e o Itaú, depois de quase 20 anos de seu grande passo na sua internacionalização via investimentos na Argentina, é hoje um sucesso. O Banco Itaú operou durante anos na Argentina através de uma pequena sucursal. Durante este tempo, foi aprendendo como operar atendendo às necessidades financeiras do comércio exterior com o Brasil. Desde a crise financeira do México, em 1994, todos países emergentes tiveram suas crises. Em 1997, a Argentina ainda insistia na paridade do peso com o dólar, mas já se sabia que esta era inviável. Já a crise financeira no Brasil esperou até o final de 1998.
Durante a crise no país argentino, em 1997, o Itaú perdeu US$ 10 milhões. Um ano depois, ele decide comprar o Banco del Buen Ayre, pagando mais do que o dobro do valor patrimonial: US$ 225 milhões. Mesmo sabendo das crises que existiam e de outras maiores que ainda estavam por vir. Loucura? Não! Senso das oportunidades. Naquele momento, duas chances simultâneas apareceram. A primeira em relação ao Buen Ayre, que tinha sido colocado à venda porque o controlador do banco havia falecido.
A segunda foi a de se antecipar a uma fatal desvalorização da moeda brasileira. Presença, rapidez e recursos. Foi o que Itaú demonstrou ao fazer a aquisição do Buen Ayre. No entanto experiência, conhecimento, criatividade e coragem ficaram evidentes quando a instituição freou a participação do banco ampliado no mercado financeiro. Ser absolutamente seletivo na hora de dar um financiamento e minimizar a participação do banco no mercado de títulos governamentais foi uma política que permitiu ao banco sair fortalecido com o final da convertibilidade que praticamente quebrou o país e seu sistema empresarial. Talvez o quesito menos importante ao se internacionalizar é o de se possuir recursos financeiros. Estes sempre poderão ser obtidos através de parceiro que observe em nossa organização todas as demais competências. Não tenha medo. Arrisque!
Mestre em Estudos Internacionais
 
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