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Porto Alegre, segunda-feira, 15 de maio de 2017. Atualizado às 23h23.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Notícia da edição impressa de 16/05/2017. Alterada em 15/05 às 20h36min

Na crise, enfrentar a realidade e não as versões

A situação econômico-financeira do Brasil não é boa. Porém, até agora, no turbilhão das críticas dos contrários às reformas e do apoio irrestrito dos que lhes são favoráveis, não se vislumbrou outras fórmulas e poucos aperfeiçoamentos ao que está proposto, e sendo aprovado, aos poucos, pelo Congresso Nacional.
Quando as versões acabam se sobrepondo às verdades, elas terminam, para a maioria, se tornando a verdade, e isso é um perigo, pois mascara os fatos, os números, a realidade que vivemos. Na reforma trabalhista, afirma-se que serão extintas as férias, o 13º salário, o pagamento do salário-mínimo, quando isso não consta de qualquer proposta em discussão pelos parlamentares.
A patrulha, de esquerda ou de direita, não só é primária, é também perigosa, favorece o obscurantismo e a ignorância. O Brasil navegou em um período de bonança na primeira década do século XXI, por conta do alto preço das commodities que exportávamos - como até hoje, mas agora com preços mais calibrados nos mercados internacionais.
Na reforma da Previdência, ainda dependendo de votações, é dito que "acabará a aposentadoria e que os mais pobres serão os prejudicados". É uma inverdade.
Não só a aposentadoria será mantida como, verdadeiramente, a mudança maior atingirá aqueles que estão no topo da pirâmide dos vencimentos e subsídios, colocando todos, justamente, no mesmo padrão da Previdência Social, hoje dividida entre duas classes, a de nichos de servidores públicos e parlamentares bem aquinhoados, e daqueles que recebem pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Mas nenhuma reforma proposta tem efeito retroativo e existe um período de transição de um modelo para o outro. Para se ter uma ideia, 1 milhão de aposentados federais têm um custo igual aos 32 milhões de beneficiários do INSS, como citado.
Outra catilinária repetida à exaustão é a de que a Previdência é superavitária. Ora, além das aposentadorias e pensões, a Previdência banca a saúde e a assistência social. E como estão as redes públicas hospitalares?
Somente as reformas colocarão o País no caminho do desenvolvimento, da queda do desemprego e da melhoria das contas oficiais. Perdemos, na época da fartura, o momento de fazer as mudanças que poderiam estar implantadas desde os primeiros anos do século XXI, com menos problemas.
Hoje, teríamos milhões de brasileiros sob novos, eficientes e equilibrados modelos de relações de trabalho e Previdência. Estamos mal, e são os pobres que estão pagando, como os 14,2 milhões de desempregados.
Enfim, o Brasil está convalescendo após a fase mais aguda da crise econômica. Felizmente, temos sinais de recuperação, mas são tênues e chegam devagar. Eles devem ser reforçados com políticas econômicas que fortaleçam a saúde do paciente chamado Brasil. Não se nega que foram implantados programas sociais entre 2003 e 2011. No entanto a corrupção, que permeou organismos oficiais e figuras políticas de proa, afogou o que de bom estava sendo feito.
Navegamos na bonança econômica e só voltamos a falar e pensar em reformas estruturais quando estávamos em plena crise. A crise, em parte, foi gerada no cenário internacional, é verdade. Mas outra parte dela decorre da imprevidência ideológica e administrativa, da falta de reformas estruturais, da maneira como o Brasil, erradamente, foi conduzido no final da fartura.
Em vez de investimentos, tivemos a liberação desenfreada do consumo, via dívida pública, sem lastro da produtividade. Daí, a crise fiscal que destruiu a economia.
 
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