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Porto Alegre, quinta-feira, 18 de maio de 2017. Atualizado às 00h48.

Jornal do Comércio

Geral

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Saúde

Notícia da edição impressa de 18/05/2017. Alterada em 17/05 às 20h45min

Madre Ana, uma casa de amigos

Em horas difíceis, Viviane e Bia encontram conforto nos outros hóspedes

Em horas difíceis, Viviane e Bia encontram conforto nos outros hóspedes


MARCELO G. RIBEIRO/fotos MARCELO G. RIBEIRO/JC
Isabella Sander
Longe de seus lares e vivendo os momentos mais difíceis de suas vidas, as mães de crianças pacientes da Santa Casa de Misericórdia encontraram na Casa de Apoio Madre Ana, aberta há um ano, não apenas apoio, mas um lugar de amizade. "Sempre contamos umas com as outras. Estamos passando pelas mesmas dificuldades, nos fortalecemos com palavras, cuidando do filho da outra, e, assim, a gente vai se entendendo aqui dentro", relata Viviane Maria Soares, de 39 anos. Preocupadas com o risco de pegar alguma doença e nos organismos já frágeis das crianças, as mães mantêm os filhos, a maior parte do tempo, dentro da residência, conversando na cozinha, indo à capela e na sala de brinquedos do local, no Centro de Porto Alegre.
Professora de Educação Especial, Viviane largou seu emprego, em Jaraguá do Sul (Santa Catarina), e vive há cinco meses na residência, aguardando um fígado novo para sua filha, Ana Beatriz Soares Ricardo, a Bia, de nove meses de idade. A menina tem atresia biliar, um distúrbio de nascença que gera a necessidade de cirurgia nos primeiros meses de vida. Caso não seja feita, o fígado fica comprometido, e a criança precisa receber transplante hepático. "Como o hospital de Jaraguá não tem esse procedimento, entrou em contato com a Santa Casa e conseguiu nossa transferência para fazer aqui", explica.
O tão esperado órgão não chegou para Bia até agora. Preocupada, a mãe está passando por uma bateria de exames, para saber se poderá ser a doadora da filha, uma vez que o fígado se regenera e pode ser retirado de alguém vivo. "Se tudo der certo, até o final do mês, conseguiremos fazer o transplante dela", espera Viviane. A cirurgia precisa ser feita antes de a menina completar um ano, para que a situação não se complique.
Enquanto isso, a irmã gêmea de Bia e seus dois outros irmãos ficam aos cuidados do pai e da avó. Desde que Viviane e a filha foram para Porto Alegre, a família não se vê. "Como ela está na lista de espera para transplante, é perigoso ir para lá e perder o lugar na fila, por isso pedi uma vaga aqui na Madre Ana. Essa casa foi uma benção para todos os pais e familiares que estão passando por problemas de saúde. A gente precisa muito desse apoio, tanto psicológico como social", observa.
Às vezes, quando acontece algo ruim, é difícil manter o pensamento positivo, mas a catarinense sempre encontra palavras de motivação. "Não estamos preparados para receber más notícias, é como se alguém jogasse um balde de água fria. Quando saio triste do hospital, por mais difícil que a situação dos outros seja, pior do que a minha até, todos têm uma palavra de conforto, amizade e apoio. É uma união para o bem", resume.

Após transplante, paraibanos fazem acompanhamento na Santa Casa

Os moradores mais antigos da casa, Edvânia Moncio da Silva, de 27 anos, e seu filho Alison da Silva, de 12, vieram de João Pessoa (Paraíba) e estão há nove meses em tratamento em Porto Alegre. Alison perdeu um rim e ficou com o outro com apenas 15% das funções, após ser acometido por uma bactéria. Mesmo sendo a capital do estado, João Pessoa não oferece transplante renal para crianças e, por isso, encaminha seus pacientes para outras cidades. Edvânia deixou na Paraíba um outro filho de um ano e quatro meses, aos cuidados de sua sogra.
Há quatro meses, uma boa notícia: o rim de Alison chegou. Contudo, após o transplante, é necessário um monitoramento rigoroso, para saber se o corpo aceitou o órgão e se funciona bem. "Houve algumas complicações, ele foi internado por 17 dias, depois voltamos para a Casa de Apoio. Agora, um exame apontou uma alteração, e estamos esperando o resultado de uma biópsia", conta.
Se a biópsia não apontar nada de diferente, a novela pode chegar ao fim, e a dupla deverá voltar para casa. Por enquanto, Edvânia segue conversando com as novas amigas, também moradoras da Madre Ana, e Alison continua fazendo o que mais gosta: jogar videogame na sala de jogos. "A casa é bem boa. Só não gosto muito de ir para o hospital", avalia o menino.
A também paraibana Sandreana Maria de Andrade, de 24 anos, largou seus estudos para acompanhar o irmão, Manoel de Andrade, de 13 anos, nas idas e vindas a Porto Alegre. Os dois foram alguns dos primeiros hóspedes da casa, em junho do ano passado, um mês depois da inauguração, e, desde então, foram e voltaram de João Pessoa a cada dois meses. "Às vezes ficamos um mês, às vezes menos, para fazer o acompanhamento", revela.
Manoel fez o transplante de rins há três anos na Santa Casa, depois do diagnóstico de síndrome nefrálgica, uma doença que causa atrofia. Como somente exames básicos podem ser realizados em João Pessoa e o acompanhamento ainda será necessário nos próximos anos, não se sabe quando as viagens terminarão. Quando a Madre Ana não existia, a dupla se hospedava em uma casa conveniada, no bairro Jardim do Salso, na Zona Norte.

Hospital quer ampliar número de vagas de 30 para 45 ainda neste ano

O aniversário de um ano da Casa de Apoio Madre Ana foi celebrado ontem, em missa na capela da residência. Nesse período, mais de 600 pessoas de todo o Brasil, entre pacientes da Santa Casa e familiares, já foram acolhidas nos 30 leitos atualmente abertos. Dessas, 70% são pacientes do Hospital da Criança Santo Antônio, especialmente com problemas no coração, doenças congênitas, demanda por transplantes e câncer. Conforme o diretor-médico do Hospital São Francisco e idealizador do serviço, Fernando Lucchese, a intenção é aumentar o número de vagas para 45 até o final de 2017.
O prédio de quatro andares, doado pelas Irmãs Franciscanas, iniciou as operações com a mobília e a estrutura já existentes e, aos poucos, busca as melhorias necessárias. Aos hóspedes, se oferece cinco refeições diárias, material de higiene, roupa de cama e banho. Em contrapartida, cada um é responsável pela higienização do seu quarto e roupas individuais. A seleção de ocupantes é feita a partir de critérios que priorizam o atendimento às famílias mais necessitadas, definidos pelo Serviço Social da Santa Casa, responsável pela gestão administrativa e operacional.
O serviço funciona exclusivamente por doações. São necessários, em média, R$ 65 mil por mês para manter 30 hóspedes. O montante se destina a comprar alimentos e produtos de higiene e pagar as contas de luz, água e manutenção predial. Para arrecadar a verba, o setor de Projetos e Captação promove eventos como o que ocorrerá em 13 de junho, às 19h, quando cerca de 40 obras de arte doadas serão leiloadas no átrio do Centro Histórico-Cultural Santa Casa.
"Já fiz muita coisa boa na vida, mas essa é a melhor de todas. É emocionante ver pessoas carentes de todo o País sendo acolhidas e se sentindo em casa. É mais do que uma casa, é uma causa", salienta Lucchese. O diretor-médico tem confiança de que o projeto aumentará e será possível chegar aos 45 leitos neste ano, o que exigiria mais
R$ 30 mil em doações mensais. "O povo gaúcho é generoso, só que precisa ter segurança no que aplicar, e, aqui, temos a credibilidade da Santa Casa."

Como apoiar a casa

Depósito Bancário
Banco Itaú
Agência: 5906
Conta: 17293-6
CNPJ: 92.815.000/0001-68
Boleto
Contribuição de R$ 60,00 por mês pelo período de um ano.
Solicite envio do boleto para sua residência através do e-mail projetos@santacasa.tche.br.
Doação direta
Tesouraria da Santa Casa, Rua Prof. Annes Dias, 295.
De segunda a quinta-feira, das 9h às 11h e das 14h às 16h.
Sextas-feiras, das 9h às 12h e das 14h às 16h.
 
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