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Porto Alegre, quinta-feira, 18 de maio de 2017. Atualizado às 23h08.

Jornal do Comércio

Economia

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Operação Lava Jato

Notícia da edição impressa de 19/05/2017. Alterada em 18/05 às 21h24min

Setor produtivo pede investigação em dia de turbulência política

Em dia de turbulência política, as poucas associações empresariais que decidiram se posicionar clamaram pelo andamento de reformas no Congresso e pela investigação das recentes denúncias de corrupção. Em uma parte das notas divulgadas pelas entidades nesta quinta-feira, não há referência direta ao presidente Michel Temer (PMDB) nem ao senador afastado Aécio Neves (PSDB). Ambos foram gravados em conversas com Joesley Batista, e o conteúdo dos áudios faz parte do acordo de delação premiada dos donos da JBS.
O presidente da Associação Comercial de São Paulo, Alencar Burti, pediu que "as denúncias sejam investigadas e que todos os culpados sejam punidos, dentro dos preceitos da Constituição. Quem não pode ser punido com a incerteza e com a paralisação das reformas é o País".
A Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) disse que "independentemente do momento atual vivido no Brasil, o Poder Legislativo precisa dar continuidade à agenda de reformas". Entre as alterações defendidas estão as reformas previdenciária, trabalhista, tributária e a aprovação da medida provisória que reabre o Refis.
José Carlos Martins, presidente da Cbic (Câmara Brasileira da Indústria de Construção), acredita que as reformas da Previdência e trabalhista já estão avançadas o suficiente para não dependerem do que vai acontecer com o presidente Michel Temer e precisam ser tocadas adiante.
"Nós, brasileiros, devemos cobrar do Legislativo para que ele continue trabalhando e resolvendo as coisas do País. Se olharmos as reformas, neste instante, independe do Executivo."
Martins compara o momento atual, em que Temer balança no cargo, com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), mas avalia que a situação é ainda mais delicada para a economia e uma nova onda pode atingir os empregos.
"Lá atrás, quando teve o da Dilma, o País estava em dificuldade, mas não estava como agora. O risco que se tem agora é que a corda está esticadíssima. Pode estourar. É por isso que o Congresso tem que ser chamado à sua responsabilidade", afirma o presidente da Cbic.
Além das reformas da Previdência e trabalhista, o setor da construção defende a regulamentação dos distratos de compras de imóveis.
Em nota, o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) também exaltou a importância das medidas, pedindo "determinação" e "serenidade" para evitar o retrocesso da política econômica.
"Será injusto e revoltante que a crise política retraia ainda mais a volta dos investimentos necessários à geração massiva de empregos proporcionada por este e outros segmentos da atividade econômica", afirmou o presidente do SindusCon-SP, José Romeu Ferraz Neto, no documento.
A Associação Brasileira de
Shoppings Centers (Abrasce) defende uma solução rápida para o impasse político gerado pelas novas denúncias contra o presidente Michel Temer para que o setor não volte a sofrer com a deterioração da confiança entre os consumidores e investidores.
"Se essa situação for encaminhada de forma célere, seja com a renúncia de Temer ou sua cassação via TSE (Tribunal Superior Eleitoral), as instituições se fortalecem, a confiança do consumidor e empresariado não se perde e nosso setor passa tangente por essa crise", disse Glauco Humai, presidente da Abrasce.
O setor elétrico manifestou preocupação com o impacto do novo escândalo nos investimentos em energia. O setor batalhava por uma reforma do marco regulatório do setor, que agora pode ficar em suspenso.
"Isso traz uma instabilidade, claro, apesar de os primeiros sinais do Planalto serem de que tudo continua normal. Temos que aguardar. Continuamos querendo mudar o setor elétrico, mas o governo é que vai ter que direcionar, dizer se esperamos um pouco, ou se esquece", disse o presidente do Fórum de Associações do Setor Elétrico, Mário Menel, que representa os investidores do segmento.

Repercussões

Agora que a economia brasileira começa a dar sinais de recuperação, todos perderiam se a crise política viesse a agravar a crise econômica, que ainda está longe de ser superada. Heitor Müller, presidente da Federação das Indústrias do RS (Fiergs)
Precisamos passar o Brasil a limpo. Ninguém, nem mesmo o presidente da República, está acima da Lei. Luiz Carlos Bohn, presidente da Federação do Comércio do Estado (Fecomércio-RS)
Mantemos a determinação, inarredável e inquestionável, de apuração indiscriminada de denúncias contra qualquer funcionário público flagrado ou denunciado em comportamento ou ações ilícitas. Vilson Noer, presidente da Associação Gaúcha para Desenvolvimento do Varejo (AGV)
O governo Temer não tem autoridade moral ou credibilidade, diante desses fatos (denúncias) a que está exposto em âmbito mundial, para seguir à frente do Brasil. Federação dos Trabalhadores Assalariados Rurais do Rio Grande do Sul (Fetar-RS)
No momento em que o País e seus cidadãos vivem uma situação de retrocesso quanto à perda iminente de direitos com as reformas Previdenciária e Trabalhista, vemos um governo que não possui ética e confiabilidade para com a sociedade. Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS)

Relator da reforma trabalhista suspende calendário de discussões da proposta no Senado

Crise institucional é tão grave que reforma é secundária, avalia Ferraço
Crise institucional é tão grave que reforma é secundária, avalia Ferraço
EDILSON RODRIGUES/EDILSON RODRIGUES/AGÊNCIA SENADO/JC
O relator da reforma trabalhista em duas comissões do Senado, Ricardo Ferraço (PSDB-ES), não irá mais entregar o parecer do projeto conforme calendário previsto. O senador argumenta que a crise institucional é tão grave que a reforma se tornou "secundária".
"Na condição de relator do projeto, anuncio que o calendário de discussões anunciado está suspenso. Não há como desconhecer um tema complexo como o trazido pela crise institucional. Todo o resto agora é secundário", afirmou.
Em nota, o senador defendeu que é necessário priorizar uma solução para a crise, para só depois debater temas como a reforma trabalhista.
Além das denúncias de compra de silêncio por parte do presidente Michel Temer, o PSDB também enfrenta a divulgação de pedido de propina do presidente do partido, senador Aécio Neves (PSDB-MG). A bancada do PSDB se reuniu, nesta quinta-feira, para tomar decisões sobre o posicionamento junto ao governo e sobre a possibilidade de afastamento de Aécio da presidência do partido.
Ainda na quarta-feira, Ferraço havia informado que entregaria o relatório na próxima terça-feira, 23, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), e que a votação aconteceria até 30 de maio. No dia seguinte, ele apresentaria o relatório na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), com previsão de votação em 7 de junho. A votação em plenário aconteceria entre 12 e 15 de junho. A partir de agora, todo esse calendário está suspenso, e as novas datas ainda não foram previstas.
Presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Previdência, o senador Paulo Paim (PT-RS) disse que já fez um apelo ao relator da reforma da Previdência na Câmara, deputado Arthur Maia (PPS-BA), para que ele tenha "o mesmo gesto" de Ferraço.
O senador José Pimentel (PT-CE) avaliou que apenas a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de afastar Aécio das funções no Senado já seria suficiente para "paralisar o trabalho do Congresso Nacional".
Mesmo parlamentares governistas, como José Medeiros (PSD-MT), afirmam que "não há clima para reformas" enquanto não vierem à tona todos os fatos relacionados à crise do governo. "Essa variável, que a gente sabia que existia, realmente deixa o cenário muito complicado. Agora, é a gente manter a confiança e esperar que o Brasil possa sair logo dessa", disse.
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