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Porto Alegre, quinta-feira, 18 de maio de 2017. Atualizado às 15h01.

Jornal do Comércio

Economia

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mercado financeiro

Alterada em 18/05 às 15h06min

Denúncias afetam mercado e provocam suspensão do pregão da Bovespa

Operações foram suspensas por meia hora a partir do mecanismo do circuit breaker

Operações foram suspensas por meia hora a partir do mecanismo do circuit breaker


Nelson ALMEIDA/AFP/JC
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) chegou a paralisar as atividades no início do pregão de hoje (18). As operações foram suspensas por meia hora a partir do mecanismo do circuit breaker, que amortece movimentos bruscos do mercado. A paralisação acontece sempre que o Ibovespa cai abaixo de 10%. Na abertura desta manhã, ele chegou aos -10,6%.
No início da tarde, a bolsa ainda operava em baixa de -9,18%. No entanto, uma nova interrupção, dessa vez de uma hora, só deve ocorrer se o pregão cair abaixo de 15%. O instrumento acionado hoje não era usado desde outubro de 2008. Em caso de uma terceira queda, ultrapassando os -20%, os negócios podem ser suspensos por tempo indeterminado, a critério da direção da bolsa.
Segundo o professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (USP), Roy Martelanc, a queda está diretamente ligada às denúncias que atingiram o presidente Michel Temer na noite de ontem (17). "No curto prazo, esse tipo de notícia nunca é boa para os mercados. Você está em em uma fase ascendente, de recuperação econômica, a bolsa antecipa a recuperação que está vindo aí. Agora, vem essa turbulência e as pessoas reavaliam se vão fazer investimentos", explicou em entrevista à Agência Brasil.
No início da noite de ontem (17), o jornal O Globo publicou reportagem relatando o conteúdo do acordo de delação premiada firmado pelo dono do grupo JBS, o empresário Joesley Batista, com o Ministério Público Federal (MPF). Segundo a reportagem, o empresário entregou um áudio gravado durante um encontro com Temer em que o presidente sugeriu que Batista mantivesse o pagamento de uma mesada ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e ao doleiro Lúcio Funaro para que esses ficassem em silêncio.
Ainda ontem (17), a Presidência da República divulgou nota na qual informa que o presidente Michel Temer "jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha", que está preso em Curitiba, na Operação Lava Jato.
Apesar do impacto imediato, Martelanc acredita que os efeitos das turbulências podem ser positivos no futuro. "No longo prazo, quanto mais limpo for o sistema político, melhor. Se você limpa uma parte do sistema político, a tendência é que o Brasil saia fortalecido", acrescentou.
No entanto, o clima de incerteza política pode, na avaliação do especialista, agravar a crise econômica enfrentada pelo país. "O pessoal avalia se vai ou não consumir. Se a pessoa está insegura, ela dá uma travada no seu consumo, especialmente nos bens mais duráveis. Menos consumo significa menos renda para as empresas, menos produção e menos emprego", ressaltou.
No entanto, o comportamento do mercado será guiado, na opinião de Martelanc, mais pelo andamento das reformas da Previdência e Trabalhista no Congresso Nacional, do que pela crise política. "Tem uma aposta grande do mercado nessas reformas. Se elas não sofrerem, não tem grandes impactos", afirmou o professor.
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