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Porto Alegre, quarta-feira, 17 de maio de 2017. Atualizado às 23h21.

Jornal do Comércio

Panorama

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artes visuais

Notícia da edição impressa de 18/05/2017. Alterada em 17/05 às 17h10min

Fundação Iberê Camargo tenta se reerguer após crise financeira

Menos de um ano após anunciar uma redução drástica no atendimento, cancelamento de exposições e dispensar diversos colaboradores, a Fundação Iberê Camargo (FIC) parece emergir da crise que se encontrava. Embora funcionando ainda com horário reduzido (sextas e sábados - inclusive feriados -, das 13h às 18h), duas novas exposições que abrem nesta semana e outras atividades parecem indicar que melhores dias virão para a instituição instalada no grandioso prédio branco do arquiteto Álvaro Siza, em Porto Alegre. A programação já tem o dedo do novo curador e diretor artístico da FIC, Bernardo de Souza, que chegou em fevereiro deste ano com a missão de reformular as atividades da instituição. A proposta é aumentar a interlocução com outras áreas, como cinema, literatura, música e teatro. Para tanto, a FIC irá participar da Noite dos Museus, que deve movimentar o roteiro cultural de Porto Alegre no próximo sábado. O presidente da instituição, Justo Werlang, afirma estar negociando novos apoiadores para reforçar o orçamento da fundação.

O drama de Iberê

Estudo de Iberê Camargo para boca de cena de balé
Estudo de Iberê para boca de cena de balé
FÁBIO DEL RE/DIVULGAÇÃO/JC
A primeira mostra é No drama, que apresenta uma face pouco conhecida da obra de Iberê Camargo - sua relação com a dramaturgia e as artes cênicas. Desenhada pelo curador Eduardo Haesbaert (antigo assistente do pintor gaúcho), No drama apresenta painéis, fotografias, telas e desenhos feitos por Iberê. Também um vestido, criado e pintado por ele, estará exposto no local.
Um dos destaques são os quadros com os figurinos feitos por Iberê para o Balé Rudá, peça de Heitor Villa-Lobos jamais executada pelo compositor em vida. "A presença das cores é forte em um conjunto que mostra o que Iberê planejou para o balé - inclusive com desenhos coloridos da boca de cena", ilustra Haesbaert.
As conhecidíssimas lendas gauchescas de Simões Lopes Neto, outro objeto de fervorosa dedicação de Iberê, também estão representadas por um conjunto de painéis pintados em fórmica - técnica pouco conhecida, mas utilizada por Iberê, por exemplo, na sua versão para Salamanca do Jarau.
No drama abre espaço, também, para os guaches criados pelo artista para uma encenação de Luigi Pirandello - O homem com a flor na boca -, cuja atuação de Manoel Aranha, quando já atingido pelo HIV, nos anos de 1990, levou o artista a uma comovente performance. O momento pode ser visto no filme Presságio, de Renato Falcão.
Adentrando ainda mais na dramaticidade, Iberê se aventurou em guaches pérfidos e misteriosos inspirados em As criadas, de Jean Genet. Haesbaert selecionou também para No drama duas obras simbólicas da força e da atitude que marcaram a relação de Iberê Camargo com as artes cênicas: Retrato de Jane e Mariza, uma pintura na qual se vê duas mulheres de expressiva fisionomia, como que siamesas em seu comum semblante carregado de horror; e O Delírio, um guache que confronta o público com a face do sonho e do pesadelo que embalam as noites e os dias. Visitação entre 19 de maio e 12 de agosto de 2017, com entrada franca.

Memória do fim do mundo

Bernardo de Souza destaca novas exposições da fundação
Bernardo de Souza destaca novas exposições da Fundação Iberê Camargo
MARCO QUINTANA /JC
Primeiro grande projeto de Bernardo de Souza como curador da FIC, Depois do fim se apropria da ideia de fim de mundo para refletir sobre a produção simbólica e material feita pela humanidade ao longo dos tempos.
Depois do fim articula um universo de obras e artistas que se encontram próximos, tanto geográfica quanto conceitualmente, das especulações filosóficas quanto ao passado, ao presente e ao futuro da humanidade. Estarão no espaço cultural trabalhos de Ado Malagoli, Carlos Scliar, João
Fahrion, Romy Pocztaruk, Saint Clair Cemin e Iberê Camargo, entre outros 42 artistas - e a lista tende a aumentar durante o tempo da exposição.
Segundo Souza, no contexto da mostra, a Fundação Iberê Camargo é entendida como um espaço ficcional, uma cápsula do tempo na qual são conservados diversos elementos constituintes da memória afetiva, material e visual do homem. Nesse contexto, os visitantes desempenham o papel de exploradores do futuro, seres de uma civilização vindoura que aqui aporta e se depara com os vestígios de um outro tempo.
Ambas as exposições são o eixo central de uma série de atrações paralelas da nova programação da FIC. O público poderá conferir eventos com música ao pôr do sol, saraus literários, cursos e seminários, performances, conversas informais sobre o cenário cultural contemporâneo, sessões de cinema e festas, além dos já consolidados Programa Educativo e Artista Convidado do Ateliê de Gravura.
Além da participação na Noite dos Museus neste sábado, entre 16h30min e 17h30min de sexta-feira, tanto Souza quanto Haesbaert realizarão visita mediada às exposições. Já em 27 de maio, das 15h às 16h15min, acontece a primeira edição do Cine Iberê. A ideia é projetar, no auditório da fundação, títulos raros A programação completa pode ser consultada em www.iberecamargo.org.br. A entrada é franca.
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