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Porto Alegre, quarta-feira, 17 de maio de 2017. Atualizado às 23h21.

Jornal do Comércio

JC Logística

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Infraestrutura

Notícia da edição impressa de 18/05/2017. Alterada em 17/05 às 18h44min

Bndes capta US$ 1 bilhão em títulos verdes no mercado internacional

Entre 2003 e 2016, banco apoiou 87 projetos com concessão de créditos de R$ 28,5 bi

Entre 2003 e 2016, banco apoiou 87 projetos com concessão de créditos de R$ 28,5 bi


JOÃO MATTOS/JOÃO MATTOS/ARQUIVO/JC
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes) fez a emissão no mercado internacional de títulos verdes, ou green bonds, no valor de US$ 1 bilhão. É a primeira vez que um banco brasileiro emite esse tipo de título no mercado internacional. A emissão foi preparada pelos bancos J.P.Morgan, Crédit Agricole e Bank of America Merrill Lynch. A demanda superou US$ 5 bilhões. Os títulos verdes são títulos de dívida emitidos por empresas e instituições financeiras para viabilizar projetos que trazem benefícios ao ambiente ou contribuem para amenizar os efeitos das mudanças climáticas.
Esse tipo de título só pode ser emitido com o objetivo público e único de viabilizar projetos sustentáveis, em um processo que passa por uma verificação feita por consultorias responsáveis em avaliar se os recursos estão sendo investidos em ações ambientais.
Essa é a primeira vez em três anos que o banco capta recursos no mercado exterior. O prazo para pagamento é de sete anos. A taxa de retorno é de 4,80% ao ano. Até agora, apenas companhias privadas brasileiras haviam captado bônus verdes no mercado externo. Os títulos serão listados na Bolsa Verde de Luxemburgo (Luxembourg Green Exchange).
O diretor da Área de Crédito e da Área Financeira e Internacional do Bndes, Claudio Coutinho, destacou a importância da captação para o banco, não só por seu tamanho, mas pela qualidade da operação. "O bônus verde mostra o compromisso do Bndes com energias alternativas, energias limpas, e é muito importante para a gente marcar essa posição que o banco cada vez mais vai ter com os seus qualificadores empreendimentos que sejam ambientalmente consistentes."
Os recursos captados têm de ser usados em projetos de geração de energia eólica ou solar já existentes na carteira do banco, para refinanciar empreendimentos de usinas já aprovados, ou ajudar projetos novos que venham a ser apresentados solicitando financiamento.
A diretora de Infraestrutura do banco, Marilene Ramos, disse que os projetos a serem contemplados, além das suas características ambientais, são, em grande parte, implantados na região semiárida do interior nordestino, em áreas pobres que não têm muitas alternativas de geração de renda.
"A implantação desses projetos nessas regiões também é um fator de desenvolvimento econômico, de geração de renda, traz impactos sociais muito relevantes." Marilene disse que essas questões foram levadas aos potenciais investidores estrangeiros no road-show (apresentação itinerante) promovido pelo banco na semana retrasada.
O superintendente da Área Financeira e Internacional, Selmo Aronovich, disse que a operação tinha valor inicial de US$ 500 milhões, mas as ordens apresentadas por mais de 370 investidores ultrapassaram US$ 5 bilhões, o que levou o Bndes a decidir ampliar a emissão para US$ 1 bilhão. Segundo Aronovich, a distribuição foi feita para um grupo de 250 investidores. "Um terço da demanda apresentada foi de investidores especializados em finanças ambientais sustentáveis."
Coutinho deixou claro que não há, no curto prazo, nenhuma disposição do banco de fomento em fazer uma nova emissão para captar recursos internacionais. Os recursos aplicados serão disponibilizados no site do banco, pelo menos uma vez por ano, até 2024, para comprovação junto aos investidores para quais projetos eles foram direcionados.
No período de 2003 a 2016, o apoio do Bndes ao setor de energia eólica registra aprovação de 87 operações de crédito, no total de R$ 28,5 bilhões, o que proporciona aumento de capacidade instalada de cerca de 10,7 gigawatts (GW). Para receber os novos recursos, os projetos têm que passar por uma terceira opinião independente, que vai dar para os projetos um selo de qualidade tanto em termos ambientais como sociais.
De acordo com Marilene, os projetos de energias limpas superam o valor captado. Ela acredita que com a economia se recuperando, no futuro, haverá uma demanda maior por recursos para projetos sustentáveis. "Certamente, em outras ocasiões, nós vamos necessitar fazer captações. Já ter esses contatos, esses ritos e processos estabelecidos, tanto internamente como com nossos financiadores, isso é muito importante."

'Só vamos investir se as reformas saírem', diz fundador da Cosan

Para Ometto, Estado empresário provoca o aumento da corrupção
Para Ometto, Estado empresário provoca o aumento da corrupção
RAQUEL CUNHA/FOLHAPRESS/JC
O empresário Rubens Ometto, fundador do grupo Cosan, que atua na distribuição de combustíveis, usinas sucroalcooleiras a logística, está otimista em relação à economia. Ometto diz que o presidente Michel Temer fez importantes mudanças desde que assumiu, como importantes reformas. Para ele, as reformas são essenciais para atrair investimentos.
O senhor vê sinais de recuperação da economia?
Rubens Ometto - Vejo que o Brasil está melhorando. (O presidente) Temer está fazendo um excelente trabalho. O fato de ele dizer que não é candidato permite não fazer um governo populista. Ele está querendo deixar como legado as reformas e fazer o que precisa ser feito. Já aprovou o teto dos gastos, está conduzindo as reformas trabalhista e previdenciária. Depois, virão a política e a tributária. Com isso, fará com que a inflação caia e que o País acabe com o déficit fiscal. A inflação caindo, tem reflexo nos juros e aumenta a credibilidade do Brasil.
Mas já há ambiente para criar emprego?
Ometto - Se o País voltar a crescer, claro que há. Arriscaria dizer que, se Temer não conseguir fazer as reformas, não vai mais ter reforma. Ele é do ninho político. Ele tem condição de convencer (os políticos) e entender as demandas. Até agora está (convencendo). Temos de apoiá-lo porque é fundamental para o País. E, se não for aprovado, estamos entre o céu e inferno.
Quais são as prioritárias?
Ometto - Todas. O Brasil precisa se modernizar. Por que existe a corrupção? Porque você tem um Estado fortemente empresário. Se você tira o governo da posição de empresário, não tem corrupção. Se tem corrupção na minha empresa, eu combato. Se é uma empresa do governo, não tem ninguém olhando isso com interesse macro. Se tirar o governo como empresário, a corrupção diminui.
Havia no governo anterior uma relação promíscua entre o setor privado e público?
Ometto - No governo petista piorou muito. Mas em qualquer governo que tenha o Estado (atuando) como empresário, o convite à corrupção é muito grande.
Como combater isso?
Ometto - Sistema de gestão com meritocracia. Qual o estímulo que tem uma pessoa que é funcionária pública e não pode ser mandada embora? Se não tem dono, não tem gente em cima preocupada em fazer uma gestão saudável e dar o máximo do rendimento.
O prefeito Doria ganhou a eleição com esse discurso. O senhor acha que falta um pouco de gestor no governo federal?
Ometto - Acho. O Doria é um caso específico. Tem de fazer com que isso seja generalizado. Surgirão outros expoentes como ele.
Há resistência dos servidores à reforma da Previdência. O governo tem de endurecer?
Ometto - Tem que ser duro o suficiente até conseguir aprovar. O ótimo é o inimigo do bom.
O que compete ao governo exatamente?
Ometto - O setor público tem de se concentrar em saúde, educação e defesa. Não deve se meter na parte econômica, fazendo intervenção com política artificial de preços. Não se controla a inflação intervindo na economia. Já se tem as agências reguladoras. Vamos muito a Brasília pedir autorização. Isso leva você a supervalorizar o funcionário público.
Como o senhor vê o cenário econômico e político para 2018? Novas lideranças vão aparecer?
Ometto - Novas lideranças sempre aparecem.
O senhor tem ambição política?
Ometto - Não. Nem para cargos.
A imagem do empresariado ficou arranhada com a Lava Jato?
Ometto - O empresário é sempre visto como bandido. É injusto. Única novela que eu vi que o empresário era bom foi em Pecado Capital (de Janete Clair), com o personagem de Lima Duarte (Salviano Lisboa).
Os futuros investimentos da Cosan estão ligados ao cenário político e econômico?
Ometto - Se as reformas não forem aprovadas, eu não tenho interesse nenhum em fazer investimentos no Brasil.
 
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