Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, quinta-feira, 20 de abril de 2017. Atualizado às 00h50.

Jornal do Comércio

Política

CORRIGIR

Operação Lava Jato

Notícia da edição impressa de 20/04/2017. Alterada em 19/04 às 23h47min

Lula era um 'cartão de visita' da Odebrecht

Luiz Inácio Lula da Silva participava de palestras para vender o País

Luiz Inácio Lula da Silva participava de palestras para vender o País


SILVIO WILIAMS/SILVIO WILIAMS/ARQUIVO/JC
O executivo da Odebrecht Alexandrino de Alencar afirmou, em delação premiada, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) era um "popstar" em países da África e da América Latina. Segundo ele, o petista era um "cartão de visitas" da construtora.
Alencar destacou a importância de que chefes de Estado soubessem que Lula tinha uma relação diferenciada com o grupo. De acordo com o depoimento, a empreiteira promovia palestras do ex-presidente para "vender o Brasil" e convidava jornalistas e formadores de opinião para "mostrar a relação" da empresa com Lula.
Alencar alega ter sido apresentado ao ex-presidente por Emílio Odebrecht, em 1994. O patriarca do grupo havia conhecido Lula por meio do ex-governador de São Paulo Mário Covas (PSDB). "Na época, o grupo estava iniciando uma investida extremamente agressiva na área de petroquímico. E, como essa área antes era estatal, precisávamos conversar com lideranças sindicais mais à esquerda de modo a tentar influenciá-los e mostrar que não era uma ruptura que estava acontecendo, e sim uma continuidade de uma maneira mais competitiva e mais aberta."
A relação teria continuado, segundo o diretor da Odebrecht, após o período em que Lula se elegeu à presidência da República. O interlocutor do grupo com o petista teria sido o homem forte do chefe do Executivo Gilberto Carvalho, que recebeu o apelido de "seminarista" em trocas de e-mails de executivos da construtora. "Emílio tinha algumas reuniões com Lula, se ficava alguma pendência de agenda depois, eu cobrava o Gilberto. 'Ficou aquela pendência, como está andando?' Ele fazia um follow up do que estava andando."
Quando Lula viajava a países do exterior, ainda à época em que estava na presidência da República, a Odebrecht enviava documentos sobre a situação das obras da construtora no país para que o petista levasse durante as visitas. Usualmente, a "ajuda de memória" era elaborada por diretores da empreiteira nos países e passava pelo crivo de Marcelo Odebrecht, segundo relata o delator.
Já à época em que havia saído da presidência, de acordo com os depoimentos da Odebrecht, a empreiteira teria financiado palestras do petista por meio do Instituto Lula. A primeira delas teria sido no Panamá, onde a Odebrecht tinha contratos para obras públicas. "Ele foi fazer uma palestra com empresários e a presença do presidente Martinelli. Depois, tivemos um jantar no qual estava o presidente Martinelli e voltamos para o Brasil. Formadores de opinião, a imprensa, as obras, isso tudo cria um 'goodview' interessante do país."
Alexandrino de Alencar lembrou que os valores eram acertados com Paulo Okamotto, que usou, como preço a se cobrar, o "parâmetro Bill Clinton" e de outros "presidentes internacionais", que cobravam na faixa de US$ 100 mil. "Subiu a régua e precificou US$ 200 mil. Que me conste, as 40 e tantas palestras que ele fez foram todas US$ 200 mil." Segundo o delator, as palestras não "abriam portas", mas era um "'cartão de visita' importante o presidente do país saber que ele tinha uma relação diferenciada com o grupo".
 
CORRIGIR
Seja o primeiro a comentar esta notícia