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Porto Alegre, quinta-feira, 06 de abril de 2017. Atualizado às 23h55.

Jornal do Comércio

Opinião

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Notícia da edição impressa de 07/04/2017. Alterada em 06/04 às 19h19min

Mitologia grega e o futuro da democracia

Thobias Zamboni
Na mitologia grega, Procusto era um homem alto, um bandido que vivia na serra de Eleusina, hoje subúrbio de Atenas, na Grécia. Era dono de uma propriedade e tinha um tipo peculiar de hospitalidade: com um jantar generoso, seduzia os viajantes e convidava-os para pernoitar em uma cama especial, a qual ele queria que atendesse com perfeição ao tamanho do hóspede. Para aqueles que fossem muito altos, ele cortava suas pernas com um machado afiado, e aqueles que fossem muito baixos, esticava-os, para terem a dimensão exata da cama. Essa mitologia, conhecida como o "leito de Procusto", é usada na contemporaneidade para demonstrar um padrão arbitrário e impositivo no qual uma "conformidade exata" é forçada. O planejamento centralizado é o exemplo perfeito do reducionismo do "leito de Procusto". A democracia é a ideia de que o povo decide como sociedade e que, portanto, todos decidimos juntos sobre nosso destino. Porém as nações democráticas contam com milhões de pessoas e com milhões de opiniões e interesses individuais. Como poderiam elas governar juntas? A democracia cria um reducionismo em que prevalece o desejo da maioria, nem sempre o mais sensato. São as formas coercitivas de regulações e decisões do Estado que retomam a metáfora posta no conto. Há outros graves problemas no sistema democrático, como a tendência do Estado de ter gastos públicos em constante crescimento. Em vista disso, durante seis meses do ano, as pessoas se tornaram servos do Estado. Se analisarmos a história, encontramos soluções de quando a descentralização do Estado nacional e os princípios do liberalismo garantiram o maior progresso econômico da história. Unidades democráticas pequenas conseguem evitar muitos efeitos negativos da democracia centralizada. Afinal, nas pequenas regiões autônomas, é mais fácil cobrar dos governantes eleitos - muito provavelmente, algum deles poderá ser seu vizinho. É sob esses aspectos que a prosperidade, a paz e a garantia das liberdades individuais podem ser viáveis numa democracia. Do contrário, ficaremos eternamente sob "o leito de Procusto", sendo reduzidos à vontade da maioria - ou, pior ainda, dos políticos.
Empresário, diretor de Formação do IEE
 
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