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Porto Alegre, segunda-feira, 10 de abril de 2017. Atualizado às 13h13.

Jornal do Comércio

Economia

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Investimentos

06/04/2017 - 21h37min. Alterada em 10/04 às 13h19min

Startup cria plano de saúde para vacas e obtém R$ 2 milhões do Criatec 3

Guedes e Martins projetam que os recursos vão impulsionar a busca de mercado e receita

Guedes e Martins projetam que os recursos vão impulsionar a busca de mercado e receita


FREDY VIEIRA/JC
Patrícia Comunello
A empresa que criou o plano de saúde para vacas é a primeira a receber aporte da terceira geração do fundo de investimento Criatec, destinado a dar impulso a projetos com tecnologias inovadoras. A startup Chip Inside, situada no Polo de Inovações Tecnológicas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), terá R$ 2 milhões do Criatec 3, que tem entre os financiadores Badesul, Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e Bndes.
A Chip Inside criou o cow med (em tradução do inglês, seria serviço médico para vaca) que opera em três frentes de serviços para atender produtores de leite - uma coleira chipada colocada no animal e desenvolvida pela startup, sistema e análise de dados captados pelo chip e equipe de profissionais que vai monitorar diversas informações da vida da vaca. O sócio-fundador Leonardo Guedes explica que ferramentas de inteligência artificial, que envolve aplicações com robôs e algoritmos, geram diagnósticos e orientações a serem repassadas aos clientes nas propriedades.        
Nesta quinta-feira (6), os sócios fundadores Guedes e Thiago Martins foram apresentados em evento que marcou o começo do repasse dos aportes. O Criatec 3, cuja gestão é feita pela Inseed Investimentos, tem capital de R$ 230 milhões para serem aplicados por 10 anos. Para se credenciar aos recursos, Guedes e Martins disputaram uma peneira que chegou a 936 projetos em todo o País. Segundo o diretor da Inseed, Alexandre Alves, o Criatec deve chegar a oito empresas este ano, incluindo a estreante.
Alves também reforça que a peneira é rigorosa mesmo, por isso que menos de 1% foi selecionado. "Mas quem não entrou agora não significa não pode se reapresentar e se credenciar de novo aos recursos", esclarece o diretor da Inseed. O executivo observa que critérios como a jornada do empreendedor e a inovação e relevância do produto ou serviço determinam os escolhidos. Uma novidade neste ciclo é que R$ 40 milhões serão aplicados em negócios situados nos três estados do Sul, que compõem o BRDE. A reserva também é uma proteção para que aportes como do Badesul cheguem a empreendedores locais. 
A primeira parcela do investimento, de R$ 1 milhão, foi depositada na semana passada, diz Martins. A dupla de sócios sabia desde outubro de 2016 que tinha entrado no radar dos analistas da Inseed, mas tinha de guardar a informação a sete chaves. "Foi um alívio, depois de tanta correria", traduz Martins, que não escondeu a alegria de ter o aporte. Até porque o passo dado com a chegada do capital completa um processo recente que o próprio negócio havia sido revisado. "Mudamos o modelo que era venda da coleira com chip e passamos para a locação, e acertamos!", conclui Martins. Antes da seleção, a startup chegou a receber R$ 70 mil da linha do BRDE Inovad Expresso, que apoia empresas nascentes.
A monetização, que é gerar a receita do negócio, virá da locação, que entrega todo o suporte, como leituras de vários indicadores duas vezes ao dia e sete dias na semana, explica Guedes. Hoje o custo para o produtor é de R$ 20,00 por animal ao mês. Atualmente, 2 mil animais estão usando a coleira, com receita de R$ 40 mil mensais. Até o fim do ano, os gestores da Chip Inside pretendem chegar a 10 mil vacas monitoradas, ou R$ 200 mil ao mês. Em 2018, a meta é chegar a 20 mil animais. O plano até 2021 é de ter 80 mil a 100 mil vacas na carteira, o que elevaria a receita bruta a mais de R$ 2 milhões, considerando valor de hoje.
"Estamos desenvolvendo a pecuária de precisão", resume Martins. Para chegar ao tipo de serviço e suas capacidades, a Chip Inside ficou cinco anos fazendo P&D na incubadora tecnológica da UFSM. A solução foi lançada em fim de 2015 e estava focada na coleira de monitoramento. "Serviria para captar dados da saúde do animal, ruminação, atividade, cio. Daí chegamos no call médico. É como se fosse o plano de saúde da vaca", relaciona Guedes. São 25 profissionais dando o suporte e mantendo o desenvolvimento. 
O Criatec dará condição para o produto ganhar mais fôlego no mercado. "Somos os únicos a ter essa tecnologia no Brasil. Com os recursos, poderemos buscar o mercado nos três estados do Sul, ter governança corporativa profissionalizada, mais experiência e networking com o apoio da Inseed, buscando crescimento orgânico e sustentável", elencam os dois sócios. "Depois queremos conquistar o Brasil."
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