Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, domingo, 16 de abril de 2017. Atualizado às 22h12.

Jornal do Comércio

Panorama

COMENTAR | CORRIGIR

Memória

Notícia da edição impressa de 17/04/2017. Alterada em 16/04 às 16h44min

História eternizada sobre o Hospital Colônia de Itapuã

Disponível a partir de hoje, plataforma digital reúne acervo sobre o Hospital Colônia de Itapuã

Disponível a partir de hoje, plataforma digital reúne acervo sobre o Hospital Colônia de Itapuã


ANA MENDES/DIVULGAÇÃO/JC
Luiza Fritzen
Há quase 10 anos, a jornalista e documentarista Liliana Sulzbach entrou em contato com uma história que por anos ficou a margem no Rio Grande do Sul. Trata-se da Colônia de Itapuã, região localizado a 60 quilômetros de Porto Alegre, onde foi construído um vilarejo-hospital para isolar os portadores de hanseníase, conhecida como lepra na época. O projeto, que ganhou vida com o web documentário A cidade, se transforma nesta segunda na plataforma digital A cidade inventada - versão expandida e internacional.
A terceira etapa da iniciativa reúne um filme sobre o local, entrevistas com os ex-moradores e remanescentes, mapas, o cinejornal local, gravações de áudio guardadas pelos próprios moradores, dentre outras mídias. O site ainda conta com um bando de imagens que permite ao público saber sobre o funcionamento da instituição na época e conhecer mais sobre a doença com depoimentos de médicos especialistas.
Construída durante o governo Getúlio Vargas (1882 – 1954), a Colônia de Itapuã foi um dos 33 aglomerados criados com o intuito de afastar da sociedade os chamados leprosos. A região já abrigou 1.454 habitantes, muitos deles abandonados por suas próprias famílias. Liliana conta que durante a gravação do documentário, em 2012, restavam 35 moradores, todos com mais de 60 anos - número que hoje se reduz a oito.
A ideia de documentar a biografia de Itapuã surgiu durante uma visita ao local, feita graças ao convite de uma antropóloga em 2007. Ao constatar que a cidade estava em vias de desaparecer devido aos poucos moradores, a documentarista viu ali a chance de registrar as histórias que cairiam no esquecimento e ficariam em sigilo, dando origem ao documentário A cidade, em 2012.
Ao dar voz aos moradores e exibir sua versão do que de fato foi a Colônia de Itapuã, Liliane acredita na importância do trabalha como conservação da história do local. “Com esses projetos a gente reafirma o quão importante é resgatar essas memórias, essas histórias, e essas práticas que foram realizadas ao longo do tempo”.
Para mergulhar nas memórias da Colônia, Liliane realizou visitas periódicas ao local. “No início eu não sabia como abordar porque são histórias muito tristes, mas quando comecei as pesquisas, vi que o ideal seria mostrar o cotidiano dos moradores hoje em dia e a partir dos relatos voltar ao passado da vida deles”, conta a diretora.
Situada em área às margens do Guaíba, pertencentes ao município de Viamão, o local transmite a mensagem do isolamento e segregação enfrentada pelos enfermos até os anos 1962. Após a descoberta da cura, Mesmo com a descoberta da cura da doença e com o decreto que terminou com a internação compulsória, Itapuã continuou recebendo portadores de hanseníase até a década de 1980. A pequena civilização ali situada contava com prefeitura, delegacia, cadeia, escola, centro de diversões e Igreja.
Em 2014, Liliana, com recursos do edital Funproarte, conseguiu ampliar o projeto com a criação do site A Cidade Inventada. “O assunto rendia mais do que o filme, então pensei que a gente podia trabalhar esse tema numa narrativa transmidiática, fazer o desdobramento numa plataforma digital”, explica Liliana. O portal, que já abrigava de forma mais profunda e desenvolvida os conteúdos e histórias abordadas no documentário, se amplia e recebe mais material sobre o tema na atual versão bilíngue. “Ele não foi feito com os extras do filme e sim com novos materiais como regras de convivência, histórico do local, passeio virtual, mapa de aproximação”, afirma.
A expansão da plataforma foi possível graças ao apoio Rumos Itaú Cultural, com o qual foi possível explorar novas formas narrativas e permitir a reprodução da história em outro idioma, o que permite a divulgação do conteúdo junto a outras culturas e países e eterniza a história pouco conhecida de Itapuã.
A cidade conferiu a Liliana Sulzbach os prêmios de venceu o Prêmio Especial do Júri no Amazonas Film Festival 2012 e no Chicago International Film Festival em 2013. Dentre seus trabalhos mais conhecidos estão O cárcere e a rua (2004) e o média-metragem A invenção da infância (2000). A plataforma digital pode ser acessada em www.acidadeinventada.com.br.
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia