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Porto Alegre, quarta-feira, 07 de junho de 2017. Atualizado às 17h11.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Com a Palavra

Notícia da edição impressa de 02/05/2017. Alterada em 07/06 às 17h13min

Stara vai para a bolsa de valores

Com 89% das ações, Trennepohl e a família vão levar a empresa para o Bovespa Mais este ano

Com 89% das ações, Trennepohl e a família vão levar a empresa para o Bovespa Mais este ano


/MARCO QUINTANA/JC
Patrícia Comunello
O maior desafio do empresário Gilson Trennepohl ao fazer todo o caminho de Santiago, na Espanha, em 2016, não foi apenas vencer os 800 quilômetros, foi desligar da Stara, com sede em Não-Me-Toque. Ou seja, libertar-se de e-mails e celular. Foi aí que Trennepohl percebeu que a sucessão sob a batuta do filho, que é o vice-presidente está bem encaminhada. O empresário, que herdou o negócio fundado pela família da mulher Susana, já tem uma data para repassar a presidência e agora encara um momento único. Com 89% das ações, Trennepohl e a família vão cumprir outro desafio: experimentar a bolsa de valores. 
Empresas & Negócios - Como foi a experiência de fazer o caminho de Santiago?
Gilson Trennepohl - Foi um desafio, mas com muita espiritualização. Foi espetacular cumprir os 800 quilômetros durante 30 dias, entre a França, pelos Pirineus, e cheguei a Santiago de Compostela, na Espanha, são e salvo. Não voltei mudado (comentando que muitos relatam a transformação). Fui pelo desafio mesmo, e quanto mais difícil, maior a minha satisfação pessoal. Tem o desgaste físico, mas o mental é maior, pois a gente sente saudades, sente falta do telefone e dos e-mails. Mas a minha decisão foi de não atender celular nem responder mensagens. E isso foi importante para a empresa, pois percebi que comigo ou "sem migo", o negócio vai igual. Muitos diziam que sem o Gilson a Stara não roda. Provei que quando se deixa uma sucessão preparada, não tem problema. Reforcei ainda o nosso lema: "nenhum de nós é tão bom quanto todos nós juntos". Quando a gente concentra as decisões, o negócio fica lento. 
Empresas & Negócios - E como estão as decisões em meio a esse período de dois anos de crise?
Trennepohl - A Stara se preparou de 2014 para cá. Tivemos a entrada do sócio Bndespar. Tivemos de fazer o trabalho de governança, que atinge todos os escalões. Criamos o conselho de administração, do qual sou o presidente, que acumulo com o cargo de presidente executivo, mas o caminho é de me aposentar na execução para ficar só no conselho. Até 2020 isso deve acontecer ou antes. Meu filho Átila, que já é o vice-presidente, está sendo preparado para assumir. Ele já toma as decisões hoje com outros cinco diretores.
Empresas & Negócios - A empresa recebeu o aporte do Bndespar. O sócio tem data para desinvestir?
Trennepohl - Foram R$ 120 milhões. A saída é prevista em seis a sete anos, seguindo prática de fundos. Até a metade do ano, devemos estar na bolsa de valores, na modalidade do Bovespa Mais. Estamos nos detalhes finais para formalizar, após publicar o balanço de 2016 e os últimos quatro anos, cujos números estão auditados pela Pwc. Até fim de junho, a Stara deve estar listada na bolsa.  
Empresas & Negócios - O que vai significar esse passo?
Trennepohl - Isso faz parte do plano de crescimento, consolidando o que fizemos no passado. Estou tranquilo. O Bndespar tem 10,26% das ações, não é nenhuma corda no pescoço dizendo o que temos de fazer. Eles (fundo) são muito bons companheiros. Importante é que não estamos fazendo isso para o sócio ou investidor, mas é de longo prazo. Com ou sem ações na bolsa, iríamos fazer o mesmo caminho de resultado e crescimento sólido.  
Empresas & Negócios - Mas depois vai ter abertura de capital?
Trennepohl - Os investidores terão acesso aos nossos números e projetos para o futuro, mas não tem ainda nenhuma venda de papéis.  Ainda vamos ver a venda. São três filhos na sucessão, então vamos blindar a empresa independentemente do que os filhos querem, para que o negócio seja perene. Nossa função é garantir que a Stara não morra com o dono ou com a família. Podemos até retomar as ações, como pode ser que precisemos de capital para comprar outra empresa. Há três anos o mercado mostrava crescimento em que a gente ia precisar de muito capital, mas hoje essa evolução caiu e não temos problema de capital.
Empresas & Negócios - Como foi a evolução do negócio?
Trennepohl - Em 2006, faturamos R$ 60 milhões e saltamos a R$ 600 milhões em 2016. Mas já tivemos R$ 1 bilhão em 2013, quando precisamos de capital de giro, pois se projetava R$ 1,2 bilhão e R$ 1,4 bilhão. Como o crescimento foi menor, ajustamos. Hoje, a empresa está extremamente capitalizada. O endividamento é a longo prazo. A meta era investir R$ 280 milhões em três anos e tiramos o pé do acelerador. Mas hoje trabalhamos com 60% da nossa capacidade. Então, daria para dobrar o faturamento. 
Empresas & Negócios - E como está indo 2017?
Trennepohl - Esperamos que ocorram as reformas, como a trabalhista e fiscal, fundamentais para que o Brasil seja competitivo. Este ano é o ano para ajeitar o País. Se fizer só remendos, vamos nos arrebentar de novo ali na frente. Hoje exportamos 15% do que produzimos, que inclui América Latina, África e Leste Europeu, mas não vai nada para a Argentina. O presidente Mauricio Macri mostra que quer abrir o país. Isso será muito bom, e em breve o país estará produzindo 50% a mais de grãos. Estamos de olho na retomada. Se saírem de 90 a 100 milhões de toneladas, e forem a 150 milhões, imagina! Hoje vendemos máquinas para a Rússia e não conseguimos ir a 600 quilômetros. O nosso plano é criar rede de concessionárias, depois montagem com componentes argentinos. A tecnologia de precisão já vai embarcada. 
Empresas & Negócios - Qual é a tendência da inovação no setor?
Trennepohl - Somos uma indústria pequena, perto das globais. Precisamos olhar nosso mercado, o Brasil cresce muito. A safra pode chegar a 300 milhões de toneladas. Com isso, podemos ser fortes aqui ou fora. Mas isso depende de patente. Acabamos de receber a patente do Imperador 3.0, que saiu primeiro na Europa, Estados Unidos, Austrália e na Argentina.
Empresas & Negócios - Vocês tiveram de cortar pessoal na crise?
Trennepohl - Como todo mundo reduzimos, qualificamos nossa seleção e, de janeiro a março de 2016, fizemos 44 mil horas de treinamento para que quando viesse a retomada pudéssemos produzir mais com menos. Hoje, temos 2,4 mil empregados. Em 2015, tínhamos 2,8 mil trabalhadores. 
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