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Porto Alegre, segunda-feira, 20 de março de 2017. Atualizado às 12h35.

Jornal do Comércio

Política

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Notícia da edição impressa de 20/03/2017. Alterada em 20/03 às 12h38min

Lula se lança na disputa eleitoral de 2018

Em clima de campanha, Dilma e Lula participam de ato no Nordeste

Em clima de campanha, Dilma e Lula participam de ato no Nordeste


Ricardo Stuckert/INSTITUTO LULA/DIVULGAÇÃO/JC
Em um ato no sertão da Paraíba, empregando um tom emotivo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se lançou na arena eleitoral de 2018 e denunciou publicamente uma articulação para impedir que ele volte a se candidatar ao Palácio do Planalto.
Depois de visitar pela primeira vez um trecho concluído das obras de transposição do rio São Francisco, o ex-presidente criticou o governo Michel Temer (PMDB) e disse que está disposto a "brigar nas ruas" contra seus opositores, em referência à disputa eleitoral.
"Eu nem sei se estarei vivo para ser candidato em 2018, mas eu sei que eles querem evitar que eu seja candidato. Eles que peçam a Deus para eu não ser candidato. Porque, se eu for, é para ganhar a eleição nesse País", disse Lula, diante de cerca de 20 mil pessoas que lotaram a praça central de Monteiro, município de 33 mil habitantes no sertão da Paraíba, a 305 quilômetros de João Pessoa.
Lula subiu ao palanque ao lado da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), de governadores, deputados e senadores aliados. Em mais de uma ocasião, o ex-presidente fez menção indireta às suspeitas levantadas contra ele no âmbito de operações como a Lava Jato, afirmando indiretamente que esses processos têm o objetivo de minar politicamente e juridicamente sua candidatura.
"Eu estou à espera de um empresário me denunciar e dizer se tem um real na minha conta. Se tiver, eu não preciso nem me defender", disse, no palanque. "Vocês sabem o que estão tentando fazer com a esquerda nesse País, o que fizeram com a Dilma e estão tentando fazer comigo. Eu quero dizer que, se eles quiserem brigar comigo, eles vão brigar comigo nas ruas desse País, para que o povo possa ser o senhor da razão."
Lula é réu em cinco ações penais - três em decorrência da Lava Jato, uma pela Operação Zelotes e uma pela Operação Janus - e apareceu nos pedidos de abertura de inquérito da última lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em decorrência da delação de executivos da Odebrecht.
Se condenado em segunda instância antes da próxima eleição, o petista pode ser barrado pela Lei da Ficha Limpa e impedido de disputar. A demonstração de apoio popular é entendida pelos petistas como anteparo a esse risco.
O senador Humberto Costa (PT-PE) fez o discurso mais explícito de defesa da candidatura de Lula. "Estamos aqui mostrando que o povo quer de volta o maior presidente da história. E, quando o povo quer, não tem Moro, não tem Globo, não tem Judiciário, não tem ninguém, porque isso vai acontecer", disse Costa, em referência ao juiz Sérgio Moro, às ações a que Lula responde na Justiça, e à imprensa, alvo de críticas frequentes de petistas.
Cercados por uma multidão, que cantava principalmente o nome de Lula, os dois ex-presidentes foram até o canal construído nas obras de transposição. Quando começaram a descer uma pequena trilha até a água, uma multidão que esperava lá dentro os cercou. Lula pisou na água de sapatos e molhou a barra da calça. Abaixou-se, tomou um pouco d'água em suas mãos e jogou para o alto. Sorrindo, ele e Dilma se abraçaram.

No tapetão, não, diz Dilma Rousseff sobre a próxima corrida presidencial

Com um discurso inflamado, incomum na maior parte de seu governo, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) defendeu seu padrinho político e o lançou abertamente à presidência da República em 2018. "Há um segundo golpe, que é impedir que os candidatos populares sejam colocados à disposição do povo. O Lula é um desses candidatos. Vamos deixar o Lula se encontrar com a democracia. É a única maneira de lavar a alma do povo brasileiro", declarou a petista. "No tapetão, não!", bradou.
Dilma também atacou o governo Temer, mas sem citar o nome do atual presidente, e pediu que a população use as eleições de 2018 para dar uma resposta contra as ações do atual governo. "Todos nós temos um encontro marcado com a democracia em outubro de 2018. Eles sabem que, se deixarem conversar com o povo, nós ganharemos essa eleição", disse a petista. 
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