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Porto Alegre, domingo, 19 de março de 2017. Atualizado às 22h58.

Jornal do Comércio

Opinião

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Editorial

Notícia da edição impressa de 20/03/2017. Alterada em 19/03 às 20h00min

O leite, a carne e o sofrido consumidor brasileiro

Manchetes com operações da Polícia Federal viraram rotina nos últimos anos. Ganham destaque os desvios que envolvem políticos e seus partidos. Mais uma vez, na fraude da venda de carne estragada, revelada na sexta-feira, há a apuração de possíveis repasses ao PMDB e ao PP, e até o nome do ministro da Justiça, Osmar Serraglio (PMDB), aparece nas escutas.
Interessa a toda a população combater todo o tipo de corrupção, é claro, e isso inclui a classe política. Agora, é algo especialmente importante desvelar irregularidades que afetam diretamente algo tão fundamental quanto os alimentos que consumimos no dia a dia. E isso não é culpa apenas de políticos.
Pois após uma sequência de ações para combater fraudes no leite produzido no Rio Grande do Sul, com mais de dois anos de sucessivas iniciativas da Operação Leite Compensado, o Ministério Público demonstrou que nem isso intimida produtores, já que flagrou, na semana passada, fabricantes que "rejuvenesciam" produtos vencidos, comercializando, assim, leite, queijo e creme de leite inadequados para o consumo.
As más notícias não pararam por aí, pois na sexta-feira, o consumidor brasileiro sofreu outro abalo, ao saber que a Polícia Federal (PF) descobriu uma organização criminosa liderada por empresários do agronegócio e fiscais agropecuários federais que atuava para vender carne vencida, imprópria para o consumo humano.
Os agentes prenderam executivos das gigantes do setor de carnes JBS (de marcas como Friboi, Swift e Seara) e BRF (marcas como Sadia e Perdigão). Entre as irregularidades encontradas pela PF, reembalagem de produtos vencidos, excesso de água, inobservância da temperatura adequada das câmaras frigoríficas, assinaturas de certificados para exportação fora da sede da empresa e do Ministério da Agricultura, sem checagem in loco, venda de carne imprópria para o consumo humano.
Tal como os fraudadores do leite adicionavam formol e soda cáustica, no caso da carne, o delegado da PF Maurício Moscardi Grillo revelou o uso de "ácidos e outros elementos químicos proibidos por lei para maquiar o aspecto físico do alimento", evitando assim que o "aspecto ruim e o mau cheiro" dos produtos fossem escancarados.
A legislação e os direitos do consumidor tiveram avanços nos últimos anos no Brasil. Casos pontuais de produtos vencidos em um supermercado ou a compra de um alimento em mau estado de conservação, normalmente, são resolvidos quando o cliente reclama e busca seus direitos. Entretanto, fica muito mais difícil reagir quando há um esquema organizado, como os do leite e o da carne, em que, nas embalagens, as datas estão no prazo de consumo, enquanto o cheiro e o aspecto dos produtos são maquiados.
A fraude da carne resultará em prejuízos para a imagem do nosso produto no exterior, certamente as exportações serão afetadas. Mas isso, neste momento, é um mal menor, comparado aos malefícios que foram - e possivelmente ainda estão sendo - causados à saúde de milhares de brasileiros.
Apesar de estarmos na era da informação, o consumidor continua sendo muito mal tratado no País, sofrendo com burlas diárias, que vão de produtos que não correspondem ao que é vendido, serviços que não são prestados como deveriam, isso sem falar nas cobranças indevidas.
Espera-se, agora que, em se confirmando a fraude, os responsáveis sejam julgados de acordo com a legislação. A Lava Jato abriu um precedente importante para acabar com a impunidade de pessoas influentes na vida política e econômica do País. Que os envolvidos nas fraudes do leite e da carne tenham o mesmo tratamento.
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