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Porto Alegre, quinta-feira, 16 de março de 2017. Atualizado às 22h36.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Notícia da edição impressa de 17/03/2017. Alterada em 16/03 às 19h52min

A histórica transposição das águas do São Francisco

A transposição das águas do São Francisco para mitigar a seca que assola imensas regiões do Nordeste é algo pensado desde Dom Pedro II, em 1847. A sua difícil concretização acabou ocorrendo, ainda que parcialmente, nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT).
Agora, importante trecho, na Paraíba, foi entregue pelo presidente da República, Michel Temer (PMDB). O ato teve protestos dos que lembraram a chamada paternidade da obra, atribuída aos ex-presidentes citados. Por isso, segundo noticiado, o trecho leste da transposição do Rio São Francisco será inaugurado pela segunda vez em 10 dias. Os ex-presidentes Lula e Dilma vão ao município de Monteiro, na Paraíba, neste domingo, dia 19, para repetir o ato oficial protagonizado por Michel Temer no dia 10 de março. O objetivo dos petistas é rebater o discurso do atual governo sobre os responsáveis pelo trabalho.
O palanque terá ainda o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT), que, assim como Lula, é pré-candidato à presidência em 2018. O ato é organizado pelo governador Ricardo Coutinho (PSB), que, na semana passada, na presença de Temer, agradeceu aos dois ex-presidentes e a Ciro Gomes pelas obras. Presente ao evento, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) saiu em defesa do peemedebista. O senador disse que Lula deu início às obras, mas que sua conclusão dependeu da determinação do atual presidente. O tucano afirmou, ainda, que aqueles que contestavam a ida de Temer à Paraíba "são os mesmos que, cumprindo o papel de inocentes úteis, se colocam contra a obra, contra a conquista do povo do Nordeste".
A nova inauguração do trecho leste deverá contar com a presença de militantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), de sindicatos e pastorais. O ato será realizado em data especial para os moradores da região, o Dia de São José. Na crença dos sertanejos, quando chove nessa data, renovam-se as esperanças por dias mais chuvosos na região do semiárido nordestino.
Além dos políticos, o evento terá um ato religioso com o padre Djacy Brasileiro - defensor do projeto e organizador de diversas manifestações pela transposição ao longo dos últimos anos. A última visita de Lula a Monteiro foi em 2012. Na ocasião, o petista foi pedir votos para o atual prefeito, Luciano Cartaxo (PSD), que na época era do PT, mas atualmente se opõe ao partido.
Em sua passagem por Campina Grande, Temer afirmou que ninguém poderia requerer o papel de pai da transposição. "Eu não quero a paternidade desta obra. Ninguém pode tê-la. A paternidade é do povo brasileiro e do povo nordestino. Vocês é que pagaram impostos ao longo do tempo, vocês é que permitiram que pudéssemos fazer grandes investimentos nessa obra, que cada vez mais está sendo festejada", afirmou. O trecho que será inaugurado novamente tem 217 quilômetros de tubulações e seis estações de bombeamento, e também beneficia o estado de Pernambuco.
As obras do Eixo Leste poderão levar água a 168 municípios dos dois estados, beneficiando 4,5 milhões de pessoas. O projeto final atingirá regiões áridas dos estados do Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte.
Após a conclusão do Eixo Norte, que já tem 94,5% das obras concluídas, 12 milhões de nordestinos serão beneficiados pela transposição do São Francisco. Então uma obra pública pensada ao tempo do imperador D. Pedro II está sendo concretizada 170 anos depois. Mas, como temos no Brasil um embate político-ideológico, não surpreendem duas inaugurações do mesmo empreendimento. Importa mesmo é concluir a transposição.
 
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