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Porto Alegre, segunda-feira, 13 de março de 2017. Atualizado às 03h03.

Jornal do Comércio

Opinião

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Notícia da edição impressa de 13/03/2017. Alterada em 12/03 às 22h26min

Divórcio que dá em Chico dá em Francisco

Fernando Malheiros
O Papa jesuíta já provou que não tem medo de inovar, sobretudo no caso dos dogmas da Igreja. É o caso da indissolubilidade do matrimônio e o divórcio. Antigamente, as famílias tremiam somente com a dicção da palavra desquite, desmoralizando sobremaneira tal instituto devido à carga pejorativa que se abateu sobre o mesmo.
Já o Papa João Paulo II, do alto de sua condição de quase-mártir, chegou a arbitrar solução para a vaga que já ameaçava os fundamentos porosos da dogmática católica. Os que viessem a casar depois do divórcio deveriam viver como irmãos (irmão e irmã). A meu juízo, uma demasia, mesmo para os padrões elásticos da hipocrisia vigente.
Francisco é mais realista. Decidiu enfrentar os alicerces conservadores da Igreja e brigar com os fatos. Percebeu que desdenhar os divorciados e, por consequência, suas famílias, significaria fazer minguar o rebanho já emagrecido dos fiéis desconfiados com o anacronismo dogmático. Publicou a exortação Amoris Laetitia (A Alegria do Amor), admitindo a possibilidade de separação ou divórcio, quando moralmente necessária, e couber dentro do esticado abismo da moralidade vigente. É necessário fazer que os separados e divorciados mantenham-se no radar da Igreja, senão por convicção, pois esta os desdenhou por séculos, pelo menos pela atração que produzem as milenares pedras de seus templos.
Este sabe que religião não sobrevive sem crentes. É melhor conservá-los, mesmo que a custa de dogmas que representam a palavra de Deus, ainda que o verbo divino oscile ao sabor dos tempos e das circunstâncias.
Pau que dá em Chico dá em Francisco e, se esse pau leva o nome de divórcio, e Francisco é o Papa de plantão, ainda mais verdadeira é a frase popular.
Advogado de família
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