Liara Bender, 
Diego Falcão e William Caetano fazem parte da equipe da Real Networking Liara Bender, Diego Falcão e William Caetano fazem parte da equipe da Real Networking Foto: CLAITON DORNELLES/JC

Plataformas fazem do tempo das pessoas uma moeda de valor

Com a tecnologia, a vida das pessoas mudou; e o valor das coisas, também. Cada vez mais pensando em compartilhamento, empresas criam soluções que abarcam essa nova realidade, em que a troca é muito valorizada

Foi trabalhando com consultoria de gestão em multinacionais que o engenheiro civil Diego Falcão, 27 anos, notou que organizações de diversos segmentos passam por exatamente os mesmos problemas. "Notei também que poucos profissionais convivem com colegas da mesma área que trabalham em outras companhias", diz o fundador da plataforma Real Networking, uma startup gaúcha que se propõe a conectar empresas para que compartilhem conhecimento entre si. É um exemplo de negócio que surge focado mais no valor do tempo e experiência das pessoas do que em seu preço.
Segundo o que ele observou, hoje o conhecimento das empresas é restrito a quem trabalha nelas, e o objetivo da startup é ampliá-lo. Como? Gerando trocas. A plataforma é aberta a companhias e funcionários se cadastrarem e, a partir daí, irem somando pontos conforme as colaborações que dão.
É possível gerar interação de três formas: agendando visitas presenciais (por exemplo, se você tem um problema em determinado setor, o banco de dados mostra quais empresas estão abertas a marcar um encontro e dividir experiências sobre ele), através de videoconferências (recurso bastante usado em empresas de países ou estados diferentes) e fóruns de discussão - nos quais você posta a sua dúvida pontual.
A política de pontos ajuda a estimular a comunidade e é também uma maneira de rentabilizar a ferramenta. Quando uma organização precisar de ajuda e não tiver pontos acumulados para gastar (ou seja, não tenha colaborado com ninguém ou já tenha gasto tudo), é possível comprar uma leva deles. "A gente promove autonomia de conexão entre as empresas", especifica Diego. A ideia inicial era de fato fazer intercâmbio de funcionários entre empresas, o que não saiu do papel para não causar eventuais complicações com as leis trabalhistas.
São 504 instituições cadastradas desde novembro - a Real Networking está aberta gratuitamente para os primeiros mil. No Brasil, já está representada por 20 estados, a maioria em São Paulo. Há desde escritórios de advocacia a indústrias, agências de turismo e publicidade, startups, entre outros. Os negócios que estão na comunidade respondem a dois perfis. "Aquele que está com uma dificuldade imediata e aquele que vê como uma oportunidade para sanar futuros problemas", aponta.
A ideia da Real Networking nasceu em janeiro de 2016 e, após ser selecionado para o Startup RS (capacitação do Sebrae), o projeto entrou no programa de aceleração do governo federal InovAtiva Brasil e no 100 Open Startups.

Eu não posso, mas tu podes

Spencer Souza, sócio da PegBox, empresa de recebedores de encomendas Spencer Souza, sócio da PegBox, empresa de recebedores de encomendas Foto: ARQUIVO PESSOAL/JC
Com as lojas on-line efervescentes em produtos e descontos, mesmo assim muita gente ainda perde de aproveitá-los por um fator simples: falta de alguém em casa para receber as encomendas.
"De uns anos pra cá, eu deixei de fazer compras pela internet", conta o engenheiro mecânico Spencer Souza, 30 anos. Isso porque as entregas não chegavam na sua casa, em Joinville (SC). "Eu e minha esposa saímos pelas 7h da manhã e chegamos às 19h em casa, que é basicamente o horário das entregas", explica.
Várias vezes, a encomenda dele acabava voltando para o local de origem, geralmente São Paulo, e ele tinha que pagar o frete do reenvio - e ainda dar sorte que desta vez conseguiria resgatar. Problema de muita gente, que não tem portaria no prédio, parentes na mesma cidade ou que passa o dia inteiro fora. Para solucionar essa questão, Spencer e os demais sócios Marcelo Salomé, 32, Áureo Beck, 23, e Pedro Pereira, 32, projetaram a PegBox, empresa fundada em 2016 que tem um time de "recebedores" à disposição. "A gente conecta as pessoas que precisam receber objetos com as pessoas que têm a disponibilidade pra isso", complementa.
De R$ 5,00 a R$ 20,00, dependendo da mercadoria, o cliente aluga um endereço viável para receber suas compras. Podem se cadastrar para o serviço tanto pessoas físicas quanto comércios. "O perfil dominante são pessoas físicas que ficam a maior parte do tempo em casa. Donas de casa, e também famílias, em que sempre tem alguém disponível."
A plataforma atualmente tem cerca de 70 recebedores ativos, entre os 300 que se cadastraram. Os esforços da empresa hoje estão concentrados em ampliar essa lista, que conta com um processo rígido de aprovação de confiabilidade. "A gente pede cópia de documentos, a foto da fachada do endereço, verifica os antecedentes criminais, SPC e Serasa", explica Spencer. Isso tudo para garantir que as encomendas passem, finalmente, a chegar a seus destinatários.
O dono do endereço começa ganhando 50% do valor pago pelo cliente e pode chegar a 65% a cada entrega, conforme o número de recebimentos, avaliação e indicações de outros participantes (sejam clientes ou outros recebedores). O app é grátis e já está em Porto Alegre, Belo Horizonte, São Paulo, Curitiba, Joinville e alguns outros municípios de Santa Catarina.

Aplicativo pela vida útildos objetos

Camila Carvalho criou o Tem açúcar? após presenciar o consumo exacerbado do mundo da moda Camila Carvalho criou o Tem açúcar? após presenciar o consumo exacerbado do mundo da moda Foto: Tem açucar/Divulgação/
"Uma furadeira é usada em média por 13 minutos em toda sua vida útil. Será que queremos uma furadeira ou o furo na parede? E se não precisássemos possuir a furadeira, mas sim o acesso a ela quando necessário?" É esse o argumento do Tem Açúcar?, aplicativo que facilita o empréstimo de objetos entre vizinhos, de maneira gratuita.
Criado pela carioca Camila Carvalho, 27 anos, o projeto começou como um site e, em 2016, virou app, atualmente com 128 mil usuários. Durante a carreira como modelo, Camila presenciou os impactos do hiperconsumo e o consumismo, e quis fazer algo no oposto dessa lógica. A ideia é justamente aproveitar os objetos com pouco uso e criar uma cadeia colaborativa (e econômica) de consumo na vizinhança. O app está em 23 países e em todos os estados do Brasil.
 

Aprendendo com nativos

 Base da empresa de Kevin Chen (à esq.) e Yongyue Jiang fica em Xangai, na China Base da empresa de Kevin Chen (à esq.) e Yongyue Jiang fica em Xangai, na China Foto: Italki/Divulgação/JC
Conectar professores de línguas e pessoas interessadas em aprender em qualquer parte do mundo é a missão da italki, startup fundada em 2007 pelo norte-americano Kevin Chen, 41 anos, e o chinês Yongyue Jiang, 36.
São mais de 5 mil professores de 100 diferentes países oferecendo aulas na plataforma, que tem cerca de dois milhões de usuários. Ser um "professor on-line", segundo Kevin, proporciona flexibilidade de horários, total liberdade para customização de aulas e dos preços cobrados por elas, algo muito diferente das dinâmicas de controle que muitas escolas de idiomas praticam. A empresa fica com 15% de cada lição completada (preços na média de US$ 10 a hora). "Honestamente, não tivemos uma estratégia específica para atrair professores. A maioria deles veio através do boca a boca", diz.
Além, claro, do acesso a estudantes de todo o mundo que procuram professores nativos dos idiomas que querem aprender. O site começou como uma plataforma aberta de aprendizagem de línguas. No ambiente, também podem ser encontrados parceiros para prática, de forma grátis, e fóruns de discussão. Para os alunos, o serviço ganha pela conveniência: onde quer que esteja, basta ter acesso à internet, pagar pela aula e pronto. "Há muitas pessoas interessadas em aprender Português, por exemplo, mas que não vivem na mesma cidade em que os professores", esmiúça. Kevin defende que, no ensino tradicional, muita gente ainda não consegue atingir a fluência, o que muda no contato com a experiência cultural autêntica e a conversação.
O italki é uma plataforma para praticar idiomas entre diferentes nacionalidades
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