Márcio é dono do Café do Bem, que fica no mesmo lugar da loja Móveis do Bem, na Zona Sul de 
Porto Alegre Márcio é dono do Café do Bem, que fica no mesmo lugar da loja Móveis do Bem, na Zona Sul de Porto Alegre Foto: CLAITON DORNELLES/JC

Dois em um: dividir o imóvel pode ser um bom negócio

Roupas com oficina. Café com móveis. Aula de música com organização de eventos. Conheça locais de Porto Alegre que dividem espaços com propostas distintas

Um dos points da Zona Sul de Porto Alegre para quem busca um ambiente rústico e com elementos nostálgicos, como baleiros antigos, é o Café do Bem, que fica junto à loja Móveis do Bem, no bairro Ipanema. A união entre as duas empresas, segundo Márcio Nunes de Nunes, 38 anos, dono da operação gastronômica, gera benefícios mútuos.
"Hoje, cerca de 90% do movimento do café é o próprio café quem traz. Já chegou o ponto em que a loja de móveis aproveita o nosso movimento também", destaca Márcio.
Mas não foi sempre assim. No início, há três anos, quando decidiu usar um espaço ocioso da Móveis do Bem, Márcio dependia da circulação da loja para vender suas tortas, bebidas, pães de queijo e outras iguarias. A aproximação com os empresários Paulo e Cristiane Pacheco, donos da marca de móveis, se deu quando Márcio - após ter trabalhado a vida toda no varejo, com passagens por Gang e Billabong - entrou no ramo de venda de grãos de café. Os produtos eram (e são até hoje) colhidos em uma fazenda da família da esposa, em Minas Gerais.
Ao virar fornecedor para o consumo dos frequentadores da loja de Paulo, Márcio foi incentivado pelo empresário a abrir seu próprio espaço no mesmo endereço. Com o apoio dos novos parceiros, o investimento inicial do empreendedor foi bastante amortecido, cerca de R$ 50 mil.
"A gente não teria aberto se não tivesse a ajuda da marca, que é muito presente no nosso negócio. O galpão e os móveis foram a Móveis do Bem quem deu", dimensiona.
Márcio entrou com os equipamentos da cozinha, louças, máquinas e balcões. E a importância de andar junto com outras pessoas na administração continua presente. "Se não dividíssemos as despesas, talvez não teríamos conseguido continuar durante a crise", ressalta.
Márcio Nunes de Nunes é dono do Café do Bem, que divide espaço com uma loja de móveis.
E como o mobiliário do espaço é vendido ao lado, os clientes podem fazer uma espécie de test drive enquanto consomem seus lanches. "Já sente o conforto no sentar", diz.
Embora reconheça que a vida de empreendedor é instável, e que depende de fatores como chuva ou sol, Márcio não se arrepende de ter largado tudo para embarcar no Café do Bem. "Numa empresa, você tem segurança, mas, quando sai, nada é seu. Não vai deixar um legado para a família", enxerga.
O Café do Bem funciona das 14h às 22h de segunda à sexta-feira e aos domingos. Nos sábados, das 9h às 22h. Há dias com música ao vivo e todo primeiro ou segundo domingo do mês ocorre a Feira do Bem, quando o local recebe artesãos para exporem suas criações.
Márcio Nunes de Nunes é dono do Café do Bem, que divide espaço com uma loja de móveis.

Família unida pelo compartilhamento de ambientes

Espaço 373 das irmãs Fernanda e Silvana Diniz Beduschi. Imóvel sublocado por mais de um negócio.
na foto: Silvana  e Fernanda Diniz Beduschi Espaço 373 das irmãs Fernanda e Silvana Diniz Beduschi. Imóvel sublocado por mais de um negócio. na foto: Silvana e Fernanda Diniz Beduschi Foto: CLAITON DORNELLES/JC
As irmãs Silvana e Fernanda Diniz Beduschi, 56 e 45 anos, respectivamente, trazem de família a cultura de dividir despesas para empreender. Seu novo projeto, o Espaço 373, em Porto Alegre, não podia ser diferente: abriga quatro empresas, recebe aulas de dança e música e pode sediar qualquer tipo de evento com capacidade para 150 convidados. "A gente quer que a pessoa entre e dê sua cara ao local", diz Fernanda.
A casa, que será inaugurada no dia 17, na rua Comendador Coruja, nº 373, abrigava um armazém. Quando foi desocupada, a dupla viu a oportunidade de transformá-la em um ambiente criativo. Mesmo desacreditadas pelo pai, dono do imóvel de 150 m², já que a estrutura era antiga e mal cuidada, elas investiram cerca de R$ 200 mil para surpreender quem chega ao endereço. Madeiras, tijolos, vigas e lustres com fios à mostra se encaixam na personalidade de empreendimentos do 4º Distrito.
Antes de ocupar o histórico casario, Fernanda, Silvana e a mãe, Marylena Diniz, 79, tinham seus negócios no mesmo local onde foram criadas, na rua Ramiro Barcelos, também na Capital. "Se não fosse assim, seria muito difícil", avalia Silvana, sobre os benefícios de repartir os custos. Mas cada uma pagava a luz do andar que ocupava.
Embora compartilhem a estrutura e, em alguns casos, interliguem contratos, elas têm linhas de atuação independentes. Fernanda é dona da Official Turismo, voltada à assessoria em turismo para congressos médicos; Marylena, com a sócia Marisa Isotton, toca a Plenarium, há 30 anos atuando no mercado de eventos médicos; e Silvana responde pela Comunicação Design, agência de publicidade, e pela Imaginasó Eventos Criativos - essa última ao lado de Elisa Oliveira.
O 373 representa, portanto, uma mudança de endereço e um novo desafio para as empreendedoras, que nunca tiveram um local próprio para eventos. "Queremos viabilizar a criatividade das pessoas dentro do espaço", afirma Fernanda, acrescentando que locais de apresentação de teatro, normalmente, são caros.
Espaço 373, das irmãs Fernanda e Silvana, abriga as empresas da família e recebe aulas e eventos de terceiros

Loja de roupas paradistrair quem vai à oficina

Adriane abriu o brechó Maria Gasolina numa oficina da Capital Adriane abriu o brechó Maria Gasolina numa oficina da Capital Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/
Depois que virou mãe, Adriane Borges Almeida, 41 anos, de Porto Alegre, começou a se incomodar com a quantidade de tempo que passava dentro de casa. Um espaço pouco aproveitado na oficina mecânica do marido, Hugo Almeida, na Zona Sul, serviu como ponto de partida para uma nova vida, como empreendedora. Ali, em 2014, abriu o Brechó Maria Gasolina.
"As clientes vêm na oficina, ficam esperando o carro, não têm o que fazer e vão na loja", afirma. O fato das duas empresas estarem juntas eliminou do brechó um dos custos mais elevados para quem começa, o do aluguel. E isso se reflete no preço final que chega ao cliente.
"Tento não vender as peças muito caras, dou descontos. Aqui, o dinheiro não está na frente. Se o empreendedor enfrenta muito a questão financeira, acaba tendo que dar uma 'prostituída' nos valores de compras", analisa. Os resultados estão indo tão bem que Adriane está ampliando a estrutura.
O fato de funcionar no mesmo endereço que outro negócio ajuda no intercâmbio de conhecimentos. Adriane conta que uma profissional da área administrativa da oficina já a ajudou no brechó.
O que começou como uma brincadeira, como descreve a ex-dona de casa, teve um papel fundamental em sua rotina. "Mudou bastante coisa para o meu ser, evoluí como pessoa. A gente começa a ver o mundo de outro jeito", considera. Adriane faz questão de dizer que compra e vende peças usadas em ótimo estado.
 

Sebrae explica:o que saber sobre sublocações

>> Verifique se a legislação municipal permite as duas atividades no mesmo local. Normalmente, depende do tipo de atividade e da permissão de uso do imóvel definida na legislação (nem sempre o proprietário ou a imobiliária sabem se serão autorizadas as licenças necessárias pelo fisco);
>> Verifique junto aos órgãos fiscalizadores (prefeitura, Secretaria Estadual da Fazenda, Vigilância Sanitária, Bombeiros etc.) se é possível obter as licenças necessárias para as duas atividades. Dependendo das atividades, será exigido o registro do CNPJ;
>> É necessário verificar junto ao proprietário do imóvel ou imobiliária se pode ocorrer sublocação, mas não realize o contrato de locação antes de realizar as análises prévias junto aos órgãos fiscalizadores;
>> Portanto, antes de o empreendedor locar um imóvel ou compartilhar o espaço com outro negócio, é indicado que sejam realizadas essas análises para evitar transtornos junto aos órgãos fiscalizadores e até com o proprietário;
>> Em alguns municípios essas análises podem ser feitas em um local único (normalmente denominado como Sala do Empreendedor ou Escritório do Empreendedor);
>> Caso o empreendedor tenha dificuldade na formalização ou análises junto aos órgãos fiscalizadores, indica-se que entre em contato com o Sebrae para verificar se podem auxiliar ou um profissional de Contabilidade.
Fonte: técnico de atendimento André Martinelli
 

Fique atento quanto aos desafios

As histórias destacadas nesta página são exemplos de como parcerias podem dar certo. É preciso, no entanto, prever também os possíveis desafios a serem encarados em casos de locações conjuntas.
Imagine uma agência de turismo que queira abrir seu escritório dentro de uma escola de idiomas. Faz sentido, afinal, haverá uma demanda certa de alunos e pais interessados em intercâmbios.
Porém, você precisa lembrar que talvez os estudantes de cursos concorrentes ao seu parceiro não tenham estímulo para fechar pacotes com a sua marca. É uma questão de definição de público: você quer somente os alunos daquela escola ou da cidade toda?
Outra questão importante é quanto à dependência da saúde financeira entre ambas empresas. E se uma delas fechar? Você estará preparado a assumir todas as despesas? Esses detalhes devem ser definidos em seu plano de negócio!
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