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Porto Alegre, domingo, 26 de março de 2017. Atualizado às 22h07.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Com a Palavra

Notícia da edição impressa de 27/03/2017. Alterada em 24/03 às 17h23min

Marina Park aposta na estratégia de investir mesmo em meio à crise

Eleandra Teixeira

Eleandra Teixeira


MARINA PARK/DIVULGAÇÃO/JC
Adriana Lampert
Manter o fluxo de 100 mil visitantes por temporada (que ocorre nos primeiros três meses do verão) e impulsionar a atração de novos adeptos ao consumo de entretenimento e lazer foi o resultado obtido após os investimentos recentes do Marina Park, que se mantém como uma das referências em parques aquáticos no Brasil e é um dos maiores do Sul do País. A injeção de R$ 2 milhões (entre 2015 e 2016) na compra de dois novos equipamentos garantiu que o empreendimento registrasse um crescimento estável no ano de 2017. "Apesar da crise, obtivemos um bom resultado", avalia a diretora administrativa da empresa, Eleandra Teixeira, afirmando que a estratégia da empresa é seguir aproveitando oportunidades.
Casada, mãe de duas meninas (uma de quatro e outra de 11 anos), Eleandra é formada em Administração de Empresas e toca o Marina Park em parceria com seus irmãos e pais. Fundado pelo empresário Osvaldo Olavo Teixeira, o parque temático estabelecido em Capão da Canoa desde 1997 representa 15% do faturamento do Marina Park, que atua também em outros negócios, principalmente junto à construção imobiliária. Recentemente, a empresa instalou placas de captação de energia solar, que alimentam os quatro hectares do parque. Neste projeto, foram investidos outros R$ 2 milhões.
Empresas & Negócios - Uma vez que é curta a temporada de veraneio dos gaúchos, como um parque aquático consegue se manter sustentável, estando localizado no Litoral do Estado?
Eleandra Teixeira - De fato, o período que nos mantemos abertos ao público, de três meses por ano, é curto, e dificulta inclusive a questão da contratação de recursos humanos. Fica difícil, por exemplo, selecionar pessoas qualificadas para apresentar o melhor trabalho, afinal, buscamos seguir o padrão de empreendimentos como o Beach Park, em Fortaleza (o maior do gênero na América Latina), onde a excelência em estrutura e qualidade dos serviços é fundamental. Mas aceitamos este desafio e todos os anos realizamos novos investimentos para impulsionar a demanda com novidades. Além disso, em dezembro, sempre buscamos público por meio de promoção de excursões em parcerias com escolas e agências de viagens. Temos um trabalho contínuo para trazer estes visitantes no final do ano, porque o Litoral não tem demanda suficiente nessa época.
Empresas & Negócios - Neste caso, a aquisição de equipamentos de última geração funciona como apelo para atrair o público mesmo em período de recessão financeira das famílias?
Eleandra - Sim, ainda que timidamente. Nos últimos dois anos, por exemplo, investimos em dois brinquedos de última geração - a pista de surfe Wave Mania, e o pulo radical do Tobo Água, onde a pessoa é lançada para fora e cai dentro da piscina (esse último tem restrição de idade: a partir de 10 anos, com autorização dos pais, ou a partir de 18 anos). Neste período, foram injetados R$ 1 milhão em cada equipamento. Também investimos R$ 2 milhões em energia limpa, com a instalação de placas de captação de luz solar, que alimentam os quatro hectares do parque. Outra novidade é que o setor on-line foi todo revigorado e, desde o início deste ano, o Marina Park tem e-commerce próprio. Com as novas atrações, o verão de 2017 já contou com um movimento melhor que o de 2016, ainda que com uma certa ponderação.
Empresas & Negócios - O que representou o crescimento?
Eleandra - Na verdade, não chegou a crescer o faturamento, mas conseguimos manter o fluxo de 100 mil visitantes por temporada - o que não deixa de ser uma conquista, até porque faz um tempo que estamos percebendo que o mês de fevereiro está registrando baixas no movimento.
Empresas & Negócios - O entretenimento está começando a ser um artigo de luxo para as classes econômicas menos abastadas?
Eleandra - Nossos ingressos são populares, custam em média R$ 50,00. Esse preço inclui o usufruto de todos os brinquedos, menos para os dois novos equipamentos, que neste verão foram cobrados à parte, para não aumentar o valor do ingresso promocional. Isso porque, como estes dois brinquedos são restritos somente para alguns visitantes, caso de quem gosta de adrenalina e aventura, achamos justo que fossem pagos à parte, até para outros frequentadores não se sentirem lesados. O que percebemos nos últimos anos é que a forte queda do movimento no Litoral  no mês de fevereiro está mais vinculada ao fato de muitas escolas terem adiantado o início do calendário escolar, e isso afetou mesmo. Além disso, claro que, com a piora da situação econômica das famílias, ninguém mais consegue tirar férias de dois meses, como ocorria antigamente. Agora, o pessoal fica no máximo 15 dias na praia.
Empresas & Negócios - Quais são as estratégias para 2018?
Eleandra - Iremos dar continuidade às manutenções do parque, mas ainda não definimos se iremos investir em um brinquedo novo. Ainda que 2017 tenha sido melhor que 2016, em função da última nova atração, é preciso sempre uma certa ponderação, justamente porque estamos vendo que durante o mês de fevereiro está baixando o movimento. Não baixou o público, mas não aumentou, mesmo com os recentes investimentos. A infraestrutura é muito cara, a crise já está afetando nosso setor, mas de forma geral. Também na construção civil - onde a empresa atua em diversos negócios - ocorreu uma baixa significativa de demanda. Acredito que faz parte de toda a economia e que outros setores também estão na mesma situação.
Empresas & Negócios - Por outro lado, os parques temáticos são uma área do entretenimento que pode reunir diversos perfis de público. Isso é um facilitador?
Eleandra - Sim, no caso do Marina Park, os jovens representam 30% do público, que é, em sua maioria, de famílias inteiras (50%), sendo que muitos idosos frequentam as piscinas. Para os próximos anos, temos uma boa perspectiva de crescimento, pois o pessoal está começando a valorizar mais os destinos do País, e, com a crise, estão optando por ficar no Brasil, ao invés de ir para o exterior durante as férias.
Empresas & Negócios - Qual a principal dificuldade, além de impulsionar a demanda?
Eleandra - A mão de obra é difícil. Todo ano, contratamos cerca de 100 funcionários, entre monitores, auxiliar de bares, de restaurantes, bilheteiros e recepcionistas. Mas, como são trabalhadores temporários, percebemos que as pessoas não se dedicam no seu potencial máximo.
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